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"O dia que Deus matou o Diabo"
Alagoano por trás dos perfis @OCriador lança livro de realismo fantástico sobre liberdades e sistemas de controle
“Oh @OCriador, o que mais agora?”. A resposta vem através de Léo Cardoso, de 33 anos, maceioense, advogado, formado pela Universidade Federal de Alagoas, pós-graduado em Direito Digital pela Mackenzie e cofundador da empresa ‘Garagem.vc’, que está lançando o livro “O Dia que Deus Matou o Diabo” pela plataforma de publicação KDP, da Amazon, em que autores submetem livros físicos e e-books de forma independente.
“Eu sempre escrevi. Muito. Sempre aproveitei as oportunidades que a internet dá para qualquer pessoa: falar com o mundo a partir do seu quarto. Dando um Google dá pra achar muitos projetos meus online: contos, crônicas, reviews de games, colunas em sites e blogs. Mas livro, livro, livro é o segundo. Há uns anos saiu um pela Editora Planeta com as melhores frases do criador. Mas, romance, este é o primeiro”, disse o alagoano.
Léo conta o motivo de ter escrito o livro. “Grande parte das pessoas já se questionou: E se Deus decidisse extinguir o Diabo da existência? O que aconteceria com a humanidade? Como a resposta não coube em 140 caracteres [no twitter], escrevi um livro com minha suposição do que aconteceria”, contou acrescentando que o livro retrata o realismo mágico.
“Eu escrevo com o pseudônimo de @OCriador. Eu brinco que é o 2º melhor livro sobre Deus da história. O 1º escrito por Ele mesmo. Embora o título seja “O Dia que Deus Matou o Diabo”, o livro não é necessariamente sobre Deus. Muito menos sobre o Diabo. O livro é sobre liberdade e sistemas de controle. Tem muita coisa onipresente, onipotente e onisciente por aí, interferindo no nosso livre arbítrio, como as fake news, cambridge analytica, algoritmos, social bubbles, MAVs (militâncias em ambientes virtuais), etc”, revelou o advogado.
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Léo diz ainda que uniu tudo em uma trama que mistura União da Serra (uma pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul - a mais católica do mundo, com 99,4% da população católica), o Vaticano, a NSA (Agência de Segurança Nacional Americana), o Papa, Deus, Diabo, Redes Sociais (Twitter, Instagram, Reddit, 4chan) e Coronel Noronha, o único ateu da pequena cidade gaúcha de 1.192 habitantes.
“Fatos históricos como o Vatileaks, o atentado na Maratona de Boston de 2013 (quando usuários do Reddit e 4Chan conduziram as investigações sobre o suposto terrorista), Arquivos Secretos do Vaticano e a espionagem que a NSA fez no avião presidencial de Dilma Roussef são resgatados na trama”, conta o @OCriador
O alagoano ressalta que está “lambendo a cria”, mas que já começou “a gestação do próximo” e “em processo de maiêutica”. Para ter acesso ao livro, basta acessar: www.odiaquedeusmatouodiabo.com.br, que tem a versão física e também a versão digital (que pode ser lida no celular, tablet, computador ou kindle).
REDES SOCIAIS
Sobre a motivação para criar os perfis do ‘O Criador’, Léo diz que primeiro foi o site, depois o perfil do Twitter, e, recentemente, o Instagram.
“Há quase 10 anos surgiu na internet logo no início do Twitter. Primeiro fundei o site SACDIVINO (o Serviço de Atendimento ao Consumidor do Criador) em que os usuários enviam suas dúvidas e reclamações e eu respondo como Deus (mais do antigo testamento, mal humorado, vingativo e sem paciência). Muitos blogs - na era dos blogs da internet - começaram a fazer matérias sobre o SAC DIVINO e foi aí que o perfil do twitter @OCriador começou a ser bastante seguido, divulgado e as frases retuitadas”, contou.
Após o sucesso nas redes sociais, ele conta que a vida mudou bastante e que chegou a ser convidado por uma agência de marketing de guerrilha, há quase 10 anos, para trabalhar e morar em São Paulo. “Topei, mudei de ramo e agora tenho minha própria empresa de comunicação, na qual focamos em criar modelos de negócio inovadores para pessoas que - assim como eu - também são criadores de conteúdo para a internet”, ressaltou.
No perfil do Twitter, @OCriador, têm 3 milhões de seguidores. No Instagram, o @SACDIVINO – Serviço de Atendimento ao Consumidor do Criador – canal aberto no qual responde, com sua peculiar falta de paciência, as perguntas ou reclamações dos seguidores.
“Mesmo usando o santo nome de Deus em vão, eu costumo tentar sempre ser respeitoso com a religião dos outros. Faço um filtro do que vou escrever, não publico todas as piadas que penso. De 10 anos pra cá, a internet amadureceu muito e não é mais, de forma alguma, terra de ninguém. E, consequentemente, nós que produzimos conteúdo para a internet tivemos que amadurecer também. Não acho ruim a patrulha ser maior, vejo que esta patrulha é positiva no sentido em que mantém um ambiente em que as minorias têm voz”, salientou.
Léo revela que quando a internet foi criada, a principal missão era a democratização dos meio de comunicação, a socialização da informação.
“E que bom que hoje todo mundo tem um megafone para se expressar. E isso deve ser usado com sabedoria. Quando o tio do pavê fazia uma piada homofóbica na mesa do almoço em família, aquilo morria ali. Hoje, a piada pode ser propagada pelo mundo e é muito bom que tenha gente para mostrar que nem toda piada tem espaço atualmente. Mas, claro que tem muita gente que reclama do que faço e me xinga, eu costumo responder dizendo que “não é muito cristão da parte dele julgar o próximo e que nos veremos no inferno”, concluiu