Caderno B
Boas vindas à Bienal
Além da extensa programação oficial, escritores alagoanos se organizam para ações coletivas e lançamentos
A partir desta sexta-feira (1), o bairro do Jaraguá sedia - mais uma vez - a Bienal Internacional do Livro de Alagoas. Desta vez, o evento abraça o simbólico bairro da capital alagoana, em vez de conter-se num só prédio. Trata-se da 9ª edição da Bienal do Livro, que agora ocupa praças, ruas e prédios históricos sob o tema “Livro Aberto: Leitura, Liberdade e Autonomia”. A solenidade de abertura ocorre nesta quinta-feira (31) e as atividades se estendem de 01 a 10 de novembro.
O evento é organizado pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e conta com parcerias como a Prefeitura Municipal de Maceió e a Fundação Municipal de Ação Cultural (Fmac), além de outros órgãos do município. Este ano, a Bienal quer evidenciar a importância da leitura como ferramenta de autonomia, de liberdade e de visibilização de quem precisa. Mais de 100 atrações, entre palestras, apresentações culturais, conferências, bate-papos, oficinas, seminários e mesas-redondas, além da tradicional feira de livros, compõem a programação. Exceto as oficinas, com vagas limitadas, todos os eventos oferecidos são gratuitos e abertos ao público em geral.
Se a expectativa do público para a Bienal já é alta, para escritores e escritoras o evento significa a coroação do trabalho a que se dedicam. Dezenas de lançamentos de livros ocorrem durante o evento e a participação alagoana é um dos destaques da edição.
Segundo Dagoberto Omena, diretor-presidente da Imprensa Oficial Graciliano Ramos, a Bienal Internacional do Livro de Alagoas é uma oportunidade para conhecer o que há de melhor na produção literária alagoana, mas também para fazer a aquisição de diversos livros, inclusive os publicados pela Imprensa Oficial. Ele destaca que os títulos da Imprensa Oficial estarão com promoções durante todos os dias do evento.
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“Estamos trazendo 23 grandes lançamentos para esta edição da Bienal. De um lado, há os novos nomes da literatura contemporânea do estado, selecionados a partir de editais públicos, e do outro, há autores do passado que estamos promovendo o resgate de suas memórias, publicando diversos livros que há muito tempo estavam fora de catálogo, sendo que alguns deles já eram considerados raros no mercado livreiro”, afirma Dagoberto Omena.
“Exceto os lançamentos, todas as publicações da editora estarão com descontos muito atrativos, que variam de 30% a 50%, ou mais”, ressalta, mencionando que os livros com preços promocionais só serão comercializados no estande da Imprensa Oficial Graciliano Ramos, no Armazém Uzina, e na sede do Arquivo Público de Alagoas, onde a editora concentrará todas as ações institucionais.
LANÇAMENTOS DE PESO
No caso da Imprensa Oficial, uma programação paralela foi montada para reunir escritores e outras instituições públicas voltadas para a informação, conhecimento e preservação da história. Essa grade começa na noite de 2 de novembro, a partir das 19h, quando a Imprensa Oficial Graciliano Ramos promove três lançamentos impactantes na estreia na Bienal do Livro: a nova edição do romance O Anjo Americano, de Luiz Gutemberg; edições dos três livros que compõem a obra completa de Carlos Moliterno; e quatro edições de clássicos não ficcionais da literatura alagoana, pela nova coleção da editora chamada Raízes das Alagoas.
Publicado pela primeira vez em 1995, pela Companhia das Letras, O Anjo Americano, escrito pelo jornalista maceioense Luiz Gutemberg, é considerado um clássico da literatura alagoana, sendo uma obra muito cultuada e debatida no meio acadêmico e literário local. Graças ao vigor da narrativa, vários críticos traçam um paralelo entre o seu enredo e o dos romances Ninho de Cobras, de Lêdo Ivo, e Angústia, de Graciliano Ramos, afirmando que se tratam de obras fundamentais para se compreender Alagoas e suas mazelas sociais.
O romance O Anjo Americano tem como ponto de partida a história do misterioso assassinato de uma jovem alagoana no Rio de Janeiro. A obra que apresenta uma rica descrição da Maceió dos anos 1940 – cenário de uma base militar americana, durante a Segunda Guerra Mundial –, culmina numa contundente crítica política e comportamental da sociedade da época. Na noite de lançamento da segunda edição da obra, o autor, que mora em Brasília, estará presente para a sessão de autógrafos.
A obra completa do crítico e poeta alagoano Carlos Moliterno será outro destaque da noite do dia 2 de novembro. Depois de décadas de ausência, a Imprensa Oficial Graciliano Ramos trará novas edições de dois livros de poesia do autor, Desencontro e A Ilha e do ensaio literário Notas sobre poesia moderna de Alagoas.
GRANDES HOMENAGENS
A obra do escritor Romeu de Avelar também será resgatada durante a Bienal Internacional do Livro de Alagoas. Na noite de 6 de novembro, a partir das 19h, novas edições de três livros que há décadas se encontram esgotadas serão lançadas: o romance histórico Calabar – Interpretação Romanceada do tempo da invasão holandesa; Tântalos, livro de contos, o primeiro da carreira literária do autor; e Os Devassos, obra lançada em 1923, censurada e confiscada pela polícia carioca, por ofender a moral e os bons costumes da época. A noite de lançamento contará com a presença de Dona Rosa Maria Morais de Souza, filha de Romeu de Avelar, e alguns membros de sua família.
Na noite de quinta-feira, dia 7 de novembro, os jornalistas Mário Lima e Wellington Santos lançarão a biografia Lauthenay, o Quixote do Esporte Nacional. Além de sessão de autógrafos com os autores haverá uma homenagem ao jornalista esportivo Lauthenay Perdigão, que participará do evento.
Na sexta-feira, dia 8 de novembro, o escritor Fernando Fiúza lança Livramento, seu mais novo livro de poesia, o sexto da carreira literária do escritor. A obra traz 60 poemas inéditos, construídos ao longo de décadas, e pode ser considerada uma síntese da obra do poeta alagoano.
CARAS NOVAS
Entre os diversos novos escritores que realizam o sonho de publicar as primeiras obras de suas carreiras na Bienal estão Lucas Litrento, autor do livro de poesias ‘Os meninos iam pretos porque iam’; Danilo Farias, autor do romance ‘Papéis Mortos’; e Lucas Fonseca, autor do romance ‘Dora’.
Além deles, três autores veteranos lançam seus livros pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos. José Geraldo W. Marques, autor do livro de poesias ‘Prelúdios & Delírios’; Marlon Silva, autor do livro de contos ‘Monossílabo’; e o imortal da Academia Alagoana de Letras Benedito Ramos, autor do romance regional ‘Nadi’.