Caderno B
DORA GANHA VERSÃO EM CARNE E OSSO PARA O CINEMA
Dora é adolescente despachada da selva amazônica para high school na Califórnia
Durante as filmagens de “Dora e a cidade perdida”, na Austrália, a protagonista Isabela Merced certa vez quase acordou a tia do outro lado do mundo, no Peru. Não era exatamente uma emergência, mas a atriz não estava acertando as falas que teria em quíchua, dialeto criado pelos incas que ainda registra 10 milhões de falantes pela América do Sul.
O esforço para acertar é explicado: a atriz de 18 anos estrela a versão em live-action de “Dora, a aventureira”, animação da Nickelodeon que estreou em 2000 voltada para crianças da comunidade hispânica nos EUA. Apesar de bem intencionada, a animação original já foi criticada por trazer uma versão estereotipada.
Na adaptação, Hollywood parece estar atenta aos detalhes. Primeiro, a maior parte do elenco tem de fato um pé no México: os pais de Dora são vividos por Eva Longoria e Michael Peña; sua avó, por Adriana Barraza, indicada ao Oscar por “Babel”; e seu mentor é Eugenio Derbez, um astro da TV mexicana. O roteiro ainda contou com um consultor em cultura andina.
Isso porque na história de 2019 Dora é uma adolescente de 16 anos que é despachada da selva amazônica, onde mora, para um lugar aparentemente mais hostil, uma high school na Califórnia. Seus pais, arqueólogos e aventureiros, precisam ir atrás de uma cidade inca perdida chamada Parapata.
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Quando os dois somem nas mãos de mercenários, Dora vai atrás deles levando os amigos americanos que não sabem diferenciar uma cobra de um jacaré. Aspectos da cultura inca, como a sofisticada tecnologia dos aquedutos ou a sabedoria das constelações, foram incorporados à história.
No entanto, assim como no desenho animado, Dora continua ambígua (não sabemos se ela é peruana, mexicana, boliviana…). Para Eugenio Derbez, que também é produtor executivo do filme, isso é um detalhe, já que ela “representa todos os latinos do mundo”.
"Quando me mudei do México para os Estados Unidos percebi que deveria parar de falar o tempo todo 'Viva o México!'. São 55 milhões de latinos. Não somos mais mexicanos, peruanos… Somos uma única raça”.
Isabela aponta que a mensagem para a comunidade hispânica tem um saldo positivo. "Na minha vida, sempre foi muito confuso ser metade peruana e metade americana. Não me encaixava direito em Cleveland, Ohio, onde cresci. Me sentia mais à vontade no Peru. Espero que as pessoas entendam que não tem problema você ter uma ascendência mista e se sentir deslocado, desde que você aceite ser quem você é", diz ela.