Caderno B
NO PALCO, ‘A VIDA COMO ELA É...’
Alunos do curso de Iniciação Teatral apresentam exercício cênico com a leitura e dramatização de textos de Nelson Rodrigues
Um dos maiores influentes dramaturgos do Brasil, Nelson Rodrigues foi imortalizado devido à contribuição para a arte do País. Apesar do falecimento há 39 anos, o recifense deixou uma vasta obra, entre romances, peças, contos e crônicas e continua tocando o público. Alguns deles são os alunos do curso de Iniciação Teatral do Sesc, que subirão ao palco do Teatro Jofre Soares, no Centro, para realizar a leitura e dramatização de três crônicas publicadas por Rodrigues durante seus dez anos no jornal carioca Última Hora, com a coluna ‘A vida como ela é...’. O exercício cênico possui classificação indicativa para 16 anos e acontece às 20h.
A coluna de Nelson que inspira a apresentação de logo mais possui uma história curiosa. A ideia era falar sobre o cotidiano, fatos policiais, porém, o que levou ‘A vida como ela é...’ ao sucesso acabou sendo as históricas fictícias, quase sempre sobre adultério.
“Esse exercício cênico é a culminância de um curso teatral que a gente começou em agosto. A gente vai apresentar o exercício amanhã, baseado em ‘A vida como ela é’, de Nelson Rodrigues, que são crônicas que ele escrevia para um jornal e a gente escolheu três dessas crônicas. Elas serão encenadas pelos alunos do curso, que vão fazer uma leitura dramatizada e encenações também”, explica a professora Adriana Ferraz, que também é a diretora da apresentação.
Os textos selecionados foram ‘O homem Fiel’, ‘Casal de Três’ e ‘A Divina Comédia’. “Normalmente, essas turmas acontecem no primeiro e no segundo semestres. É muito da turma qual o texto que a gente vai montar. Escolhemos esses porque foram o que eles se identificaram mais. Eles escolheram, na verdade, a que eles acharam mais interessante”, conta Ferraz.
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As histórias são curiosas, remetem ao contexto social de outra época, e prometem instigar os espectadores. “O homem fiel’ conta a história de um rapaz que namora uma moça e tem um problema sério de asma. Eles vão casar, só que, toda vez que começam a namorar, ele fica muito ansioso, tem uma ataque de asma, e eles param. Ela começa a ver isso como sinônimo de fidelidade, porque, se ele não aguenta nem com uma, ele vai ser um bom marido, não vai ser infiel. A história se desenrola por aí. Tem um desfecho surpreendente. ‘Casal de Três’ é uma das histórias mais curiosas. É de um rapaz que começa a conversar com o sogro porque a mulher trata ele muito mal. O pai da moça diz que isso é algo bom, de que ela é fiel, que ela o tratar bem é que seria algo ruim. Nisso, ela muda com o rapaz, começa a tentar seduzi-lo, a tratá-lo bem e ele entra num conflito após receber uma carta que conta que a mulher realmente o está traindo”, expõe, aos risos, a diretora.
Adriana prossegue ressaltando que estar num palco gera sensações únicas, que o ator ou o simples interessado na arte só descobre ao colocar os pés no teatro. “É uma experiência muito interessante para quem vem fazer. Acontece num teatro, o que já dá uma energia diferente, principalmente para quem quer conhecer mais desse universo. Eles ganham experiência e começam a entender a magia do palco”.
Entre os seis alunos que subirão ao palco, está Rayssa Melo, estudante de Letras da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), que descobriu o curso por meio de uma rede social. “Eu sempre gostei muito de música, literatura, teatro. Vi uma publicação no Instagram e pensei ‘por quê não?’. Desde o começo foi muito interessante, tinham mais jogos para ensinar a gente sobre o corpo e o espaço no palco, ensinar a conhecer o corpo do outro também”.
A estudante, assim como os outros participantes, fará a sua estreia no teatro. “A expectativa é muito grande. Por mais que a gente tenha se preparado, é a primeira vez que a gente vai encarar o público dessa forma. Estar no palco com os textos do Nelson Rodrigues também dá uma apreensão, porque, além de engraçados, são textos com assuntos muito pertinentes e reais. O Nelson é um escritor excelente. Só a preparação já foi maravilhosa”, afirma Rayssa.