EM CARTAZ
CAMPANHA PARA OSCAR É COMO 'COPA', DIZ DIRETOR
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Penelope Cruz e Isabelle Huppert viram e adoraram “A vida invisível”, em cartaz a partir de quinta-feira. Ficaram encantadas particularmente com a atuação de Julia Stockler e Carol Duarte, intérpretes das irmãs inseparáveis que, dentro da sociedade machista dos anos 1950, acabam sendo afastadas por uma vida inteira. Nos próximos dias, há um encontro marcado entre o diretor cearense Karim Aïnouz e Cate Blanchett.
Elas assistiram ao longa selecionado para representar o Brasil no Oscar nas sessões especiais dedicadas a membros da Academia de Hollywood. Faz três meses que o cineasta e o produtor Rodrigo Teixeira se alternam entre EUA e Europa para fazer a produção ficar conhecida. Agradar aos atores é particularmente importante, porque eles são maioria na entidade.
O esforço tem sido cansativo: Karim e Teixeira comparam o vaievém de sessões especiais, pré-estreias entrevistas à imprensa estrangeira e aos eventos da indústria como “uma Copa do Mundo”. Mas tem sido produtivo. Há uma semana, Scott Feinberg, um dos principais analistas de premiação de cinema dos EUA, incluiu “A vida invisível” entre os cinco favoritos para disputar a categoria de melhor filme internacional. Ele aparece ao lado de “Parasita”, “Dor e glória”, “Les misérables”e “A white, white day”.
“Me sinto uma encomenda: um dia me botam num lugar, no outro me jogam pra outro”, ri Karim. “É cansativo, mas fico pensando que, se isto não estivesse acontecendo, eu estaria triste”.
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Este ano, o governo brasileiro não deu aporte financeiro para a campanha. Mas o filme conta com o apoio da distribuidora Amazon, famosa por emplacar obras estrangeiras na premiação, como o polonês Guerra Fria e o iraniano O apartamento.
Há uma semana, Karim estava em Los Angeles. Na terça, foi para Londres. E tem a bateria de entrevistas. Há três perguntas frequentes feitas pelos jornalistas. Primeiro, querem saber por que ele escolheu adaptar o livro de Martha Batalha. Pedem também que fale sobre seus trabalhos anteriores. Por último, perguntam como está o cinema brasileiro.
“Eu respondo que é irônico. Porque a qualidade do que se produz é muito boa, mas está recebendo ataques. Não só o cinema, como a cultura inteira”.
“A vida invisível” já foi vendido para mais de 30 países. Boa parte se prepara para lançá-lo nos próximos dias. Karim tenta listar por onde já passou nessa Copa do Mundo da campanha: “EUA, França, Inglaterra, Itália... Será que Oriente Médio? Não sei. Estou zureta já, desculpe”.