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Caderno B

CIDADES QUE RESISTEM NAS TELONAS

Circuito Penedo homenageia Marcos Palmeira, exibe Bacurau e terá sete dias com programação totalmente gratuita na cidade histórica

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Sem qualquer receio de soar clichê, Sérgio Onofre, coordenador-geral do Circuito Penedo de Cinema, diz que “resistência” é a palavra que define a 9ª edição do festival, que ocorre de 25 de novembro a 01 de dezembro, na histórica cidade de Penedo. Entre curtas e longas-metragens, serão exibidos 60 filmes, distribuídos nas diversas mostras que compõem o circuito. Para o produtor, a maior e mais densa edição do evento ocorre em um ano que foi um desafio contínuo para o audiovisual brasileiro.

Como nos anos anteriores, a cidade ribeirinha receberá dezenas de artistas e realizadores convidados, além de pesquisadores, estudantes e espectadores para acompanhar a programação totalmente gratuita (confira na página B2). A cerimônia de abertura será nesta segunda-feira (25), na Praça 12 de Abril, região central da cidadezinha, e contará com a presença do ator Marcos Palmeira, homenageado da edição.

Imagem ilustrativa da imagem CIDADES QUE RESISTEM NAS TELONAS
| Foto: Reprodução
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| Foto: Reprodução

Ainda no primeiro dia, o filme Turma da Mônica - Laços abre a Mostra de Longa-Metragem Nacional, com a presença dos atores mirins Giulia Benite e Kevin Vechiatto, que interpretam Mônica e Cebolinha, respectivamente. A mostra nacional conta com outros seis filmes e segue durante toda a semana.

“O que nos move é o desafio de continuar fazendo um evento desse porte, mesmo enfrentando dificuldades e sucessivos cortes de verbas. O desafio é continuar fazendo, mesmo com um orçamento cada vez menor, um evento cada vez mais denso, tanto em programação quanto em participação popular. A gente pode dizer que é uma atividade bastante desgastante, mas que, no fim, nos dá uma grande satisfação”, diz o coordenador.

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Com 571 inscrições vindas de todo o Brasil, a edição 2019 do Circuito Penedo de Cinema é a mais concorrida da história do festival. A produção acredita que a iniciativa já está consolidada, mas o recorde de inscrições é motivo para comemoração.

“Foram quase 600 inscritos, em um ano difícil em diversos aspectos. Eu diria que este é o ano mais difícil; às vésperas da abertura ainda estamos resolvendo grandes problemas. Mas é preciso seguir e acredito que entregaremos a melhor edição para esse público que vem a Penedo e para os penedenses e os que vivem na região e não possuem acesso a salas de cinema. Tudo isso é feito para o público e esperamos que exista uma resposta positiva”, comentou Sérgio Onofre.

O coordenador, que também é professor da Universidade Federal de Alagoas, justifica a persistência em manter o circuito “apesar de tudo” com a paixão pelo cinema, “que é a resposta mais subjetiva”, mas também com um projeto que pode ser considerado um sonho: trazer para Alagoas um curso superior de cinema.

“Temos esse projeto e continuamos correndo atrás. No primeiro momento, era um desejo retomar a tradição do cinema em Penedo. Isso já conseguimos, Penedo teve uma grande projeção em relação aos festivais nacionais de cinema nos anos 1970 e 1980. Quando isso acabou ficou uma melancolia por parte da população”, diz.

O professor se refere ao antigo “Festival de Cinema Brasileiro”, que ocorreu em Penedo entre os anos 1975 e 1982. Nessa época, eram exibidas curtas e longas-metragens, aliados à mostra competitiva de filmes alagoanos em Super 8. Quando acabou, Penedo ficou 33 anos sem cinema e o festival retornou, em formato de circuito, em 2016.

“Havia na memória afetiva de Penedo uma falta, evidente e forte, em relação aos festivais. Então, tudo isso torna o circuito muito maior que uma, duas pessoas ou uma ou outra instituição. É o desejo de uma cidade”, conta.

Imagem ilustrativa da imagem CIDADES QUE RESISTEM NAS TELONAS
| Foto: Reprodução
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| Foto: Reprodução
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| Foto: Reprodução

“SE FOR, VÁ EM PAZ”

Entre os filmes convidados para a mostra de cinema nacional do Circuito Penedo está Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. Após a exibição do longa haverá um bate-papo com os atores Silvero Pereira, que interpreta Lunga, e Danny Barbosa, que atuou como Darlene. A sessão ainda terá a presença da alagoana Eduarda Samara, atriz que interpretou a irmã menor de uma das personagens principais da trama.

No Nordeste, bacurau é um pássaro de hábitos noturnos, que costuma viver camuflado entre as folhas. Também é o nome dado ao ônibus que sai no último horário da madrugada pernambucana. No filme, que arrematou o Prêmio do Júri do Festival de Cannes, Bacurau é uma fictícia cidadezinha nordestina. A distopia é uma sensível, violenta e complexa metáfora do que o povo nordestino sofre diariamente, segundo Kleber Mendonça Filho.

“O mundo tem sido violento, e não é uma coisa atual. A Segunda Guerra Mundial foi um momento de extrema violência e dizimou milhões de pessoas. Hoje, temos esse sentimento real que está mais próximo do que liamos quando éramos adolescentes, lá em 1980”, comentou o diretor.

Sérgio Onofre defende que a presença do filme é significativa no Circuito e que é papel da arte refletir o tempo. O fato de Bacurau ser o filme nacional mais comentado do ano, mais discutido, inclusive, que “A Vida Invisível”, escolha do Brasil para o Oscar, não ocorreu à toa.

“O cinema foi uma das indústrias que mais cresceu no ano passado, mesmo em meio a ignorância do Governo Federal, que em todas as ações tenta limitar a democracia, estabelecendo critérios ideológicos, xenófobos, preconceituosos, que mostram um completo desconhecimento da realidade da indústria do audiovisual. Então a palavra para tudo isso que ocorre no cinema brasileiro, com o alagoano e a existência do Circuito Penedo não poderia ser outra, é resistência”, declara Sérgio Onofre.

* Sob a supervisão da Editoria de Cultura.

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