Caderno B
RODRIGO SANTORO DUBLA JOVEM MIMADO NA ANIMAÇÃO ‘KLAUS’
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Uma cidade dividida em dois grupos rivais, que não conseguem conversar entre si. Sobram ódio, rancor e discussões infinitas. A situação parece familiar? Mas não, não é nenhum município brasileiro. Apesar das semelhanças com a vida real, esta é uma obra de ficção, que se passa bem longe daqui, em Smeerensburg, uma ilha gelada acima do Círculo Ártico. É para lá que Jasper, o pior aluno da Academia de Carteiros, é mandado pelo seu pai. O objetivo é dar uma lição no filho mimado, que nunca trabalhou e sempre teve tudo.
No local, além de enfrentar muitas dificuldades, o jovem vai conhecer o misterioso e sombrio Klaus, um carpinteiro que vive isolado em uma casa cheia de brinquedos feitos à mão. A improvável amizade entre eles e como isso vai afetar o resto dos moradores e mudar o Natal são o mote de “Klaus”, primeiro filme de animação original da Netlfix.
Na versão brasileira, os atores Rodrigo Santoro e Daniel Boaventura dublam os personagens principais, Jasper e Klaus, respectivamente. Já a atriz Fernanda Vasconcellos faz a voz da professora Alva.
Embora seja uma produção, em princípio, voltada às crianças, Santoro afirma que o longa tem muitas camadas e potencial para agradar os adultos ao falar de questões como a intolerância, a falta de diálogo e a polarização observada não só no Brasil, mas em todo o mundo. “Nesse sentido, é quase como um cavalo de Troia às avessas”, diz o ator.
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Isso porque, afirma ele, o espectador entra no filme achando que vai apenas dar risada e se divertir, mas pode ser surpreendido ao se ver refletindo sobre algum assunto abordado. “É para isso que a gente trabalha: é para entreter, mas também é para provocar reflexões”, relata ele, que faz em “Klaus” o seu primeiro trabalho na Netflix.
DESAFIOS DA DUBLAGEM
Dar voz a um personagem de desenho não é novidade para Rodrigo Santoro. O ator fez as dublagens do ratinho de “O Pequeno Stuart Little” (1999) e “O Pequeno Stuart Little 2” (2002), e de Túlio nas animações “Rio” (2011) e “Rio 2” (2014).
Apesar da experiência, ele conta que fazer Jasper foi “um desafio enorme”. “Ele fala muito rápido, mas muito rápido mesmo”, afirma o ator. Santoro lista também outras dificuldades como a própria sincronia entre a imagem e a voz: “O inglês [idioma original do filme] é muito mais compacto [que o português]”, diz.
O ator conta ainda que estava no meio de um outro trabalho quando fez “Klaus”. Por isso, teve que concentrar a dublagem da animação em um “fim de semana emendado”. “Como foi um trabalho intenso, eu observei dessa vez como é importante e como é possível, mesmo que seja só através da voz, você transmitir emoção, sentimentos.”
O esforço valeu a pena. Segundo o ator, produtores americanos disseram que a versão brasileira de “Klaus” é a que melhor foi produzida na comparação com as dublagens em outros idiomas - ao todo foram desenvolvidas versões em 28 línguas.