Caderno B
GANHANDO O SALÃO
Projeto retoma tradição e promove noite de dança romântica em Maceió; próxima edição será nesta sexta-feira (29)
É sexta-feira à noite e Geovania Omena está se arrumando para sair. Aos 55 anos, a maceioense confessa que está empolgada para uma noite de rodopios e canções românticas. Sim, ela vai sair para dançar. O ritual que a bancária aposentada já executou outras duas vezes será repetido nesta sexta-feira (29), quando ocorre a terceira edição do “Dois Pra Lá Dois Pra Cá - Clube de Dança”. O projeto quer incentivar o público de Maceió a retomar uma antiga tradição: sair para dançar “juntinho”, ao som de músicas românticas e da excelente Música Popular Brasileira.
O evento será no Espaço Pierre Chalita (Jaraguá). A casa será aberta às 20h, com um serviço de bar que, segundo a produção, ganhou um “upgrade” desde a última edição. O showtime está programado para 21h.
O clube de dança repete a dobradinha que esgotou os ingressos da estreia do projeto, com o encontro de dois nomes de peso: Wilma Araújo e Altemar Dutra Jr.. Ao som de boleros, músicas românticas e muita MPB, a dupla quer provar mais uma vez que o alagoano é mesmo pé de valsa.
“Tem sido maravilhosa a experiência do projeto. Os cantores são maravilhosos e é um show que você não se arrepende de sair de casa para prestigiar. O que percebi também é que até para o público jovem está sendo atrativo, apesar de a ideia ser direcionada para um público mais maduro. É um salão aberto para a dança, com mesas, com um bom serviço, mas você dança se quiser dançar”, explicou Geovania Omena, que compareceu às últimas duas edições do Dois Pra Lá Dois Pra Cá.
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O projeto começou no mês de julho deste ano e, segundo a cantora Wilma Araújo, que é uma das idealizadoras, a ideia surgiu tempos atrás.
“Eu sempre cantei MPB para as pessoas ouvirem sentadas ou o samba, quando as pessoas dançam normalmente sozinhas, apesar de festejarem juntas. Mas existia uma parcela grande do meu público que cobrava alguma iniciativa que proporcionasse dançar juntinho. então convidei a Sue [Chamusca] para encabeçar a ideia como produtora. Nos juntamos e o resultado é esse, um sucesso”, diz.
Wilma conta que o evento é, na concepção dela, um marco na vida dos frequentadores, que chegam a procurá-la para agradecer.
“Tem sido maravilhoso. As pessoas me procuram e dizem que o projeto fez elas saírem de casa, fez encontrar e reencontrar amigos. E agradecem até por não pagar tão caro, porque temos preços acessíveis para um serviço que é uma casa mega estruturada, com ar-condicionado e segurança”, comenta ela.
DANÇA DE SALÃO
Outro grupo entusiasmado com o ‘Dois Pra Lá Dois Pra Cá’ é o de profissionais da dança da capital alagoana. Para Luiz Sander, popularmente conhecido como Mineirinho, o projeto ajuda a mostrar que existe um mercado da dança no Estado que ainda é ignorado.
Segundo o artista, a produção do evento convidou as academias de dança da cidade para que participassem do projeto, incentivando que os amantes da dança conhecessem esses estabelecimentos.
“Maceió precisava desse fôlego novo, deste tipo de iniciativa que nos desse um ânimo, que provocasse as pessoas para saírem de casa, das telas, vivessem. Existe um mercado da dança aqui e, apesar de não ter a devida projeção, é gigante e muito competitivo. Então, é uma oportunidade de dar visibilidade aos profissionais competentíssimos que Alagoas possui”, conta.
Mineirinho é um dos profissionais de dança mais relevantes de Alagoas. Dedicado principalmente ao ensino da dança de salão e precursor do estilo livre “Dança Solta”, ele se orgulha de há 30 anos viver desse ofício. Segundo o artista, apesar da atuação reconhecida no Rio de Janeiro e em São Paulo, voltar para Alagoas sempre esteve nos planos dele.
“Voltei e foi uma grata surpresa. Estamos funcionando com o Estúdio Mineirinho das Artes, que já tem mais de 20 anos de estrada no Rio de Janeiro. Trouxemos para cá e oferecemos aulas de dança de salão, teatro e outras coisas. Durante o evento, fazemos um tipo de marketing cruzado, dançando com os participantes”, narrou o dançarino.
OS CANTORES DA NOITE
Wilma Araújo tem 26 anos de estrada, três CDs lançados e centenas de shows em Alagoas e em outros estados brasileiros. A artista é apaixonada pela MPB e promete levar clássicos ao palco do projeto.
Altemar Dutra Jr., por sua vez, é filho de dois ícones da música brasileira: o saudoso Altemar Dutra, o maior seresteiro do Brasil, e Martha Mendonça, consagrada cantora.
No princípio cantava as músicas que marcaram a carreira de seu pai, o que emocionou o público, devido à semelhança das vozes. Atualmente, após cinco CDs e um DVD gravados, estabeleceu sua identidade e marca pessoal de intérprete reconhecida através de shows por todo o país. Cantando um repertório que vai da seresta ao pop, passando por standards americanos, forrós e sambas, Altemar Dutra Jr. é um intérprete afinado com seu tempo e com as grandes canções. “A ideia era justamente atingir as pessoas que gostam de dançar juntas e que não tinham esse espaço na cidade. Têm pessoas jovens que gostam de dançar e que vão. Têm casais, dançarinos profissionais, as pessoas que não conhecem podem chegar que vão adorar. Para dançar não tem idade, faz bem para saúde, é algo maravilhoso”, diz Wilma Araújo.
A cantora é assumidamente romântica e finaliza contando que a parceria dela com o cantor Altemar Dutra Jr. começou anos atrás.
“Altemar é meu amigo há muitos anos e nós já tínhamos falado em fazer esse projeto. Ele foi o primeiro convidado por isso. Na estreia, uma semana antes, todos os ingressos e mesas estavam esgotados. É uma voz maravilhosa, canta Sinatra divinamente, é carismático, canta as músicas do pai, será lindo. E, em tempo de tanta violência, dançar é um ato de amor. Precisamos dançar mais”, ressalta ela.
* Sob a supervisão da Editoria de Cultura.