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DEPOIS DE SÉRIE, CARCEREIROS - O FILME APOSTA NA AÇÃO
RIO DE JANEIRO, RJ - Disparada na reta final de “Carcereiros - O filme”, uma frase de Rodrigo Lombardi resume bem a essência de Adriano, agente penitenciário conhecido do grande público após duas temporadas da série da TV Globo, e que agora ganha as telas de cinema: “Nós temos que garantir que o preso continue preso, não morto.”
No longa-metragem que estreou nos cinemas nacionais, Lombardi volta à pele do homem que, segundo o próprio ator, nada tem de herói. "Há profissão mais nobre do que a de um carcereiro? Mesmo diante de um sistema cruel e degradante, ele tem o compromisso ético de manter aquelas pessoas vivas", pondera Fernando Bonassi, um dos responsáveis pelo roteiro, tanto da série quanto do longa-metragem, ao lado de Marçal Aquino, Dennison Ramalho e Marcelo Starobinas.
Assim como a série, o filme é dirigido por José Eduardo Belmonte (“Subterrâneos”, “Alemão”). A trama é original, sem reciclagem do material já exibido na TV. E também parte do livro homônimo de Drauzio Varella.
"Lembro de estar ensinando os presos a ler, quando certo dia observei canos furados que despejavam fezes sobre as cabeças deles. Ninguém ali vai sair e praticar o bem, pode ter certeza", diz o roteirista.
A ação intensa de “Carcereiros - O filme” leva às celas novos personagens. Em uma única noite, o presídio que é palco do longa vira boca de cena para uma trama internacional, com a chegada de um terrorista islâmico, vivido por Kaysar Dadour. É a partir daí que uma reviravolta acontece, com a invasão do presídio por um grupo paramilitar. O elenco traz, ainda, Tony Tornado, Dan Stulbach, Rainer Cadete, e Rômulo Braga, além de Milton Gonçalves.
"Quando vemos um filme de ação americano, tudo parece encenado. Quisemos construir uma 'ação macunaímica', os caras não sabem carregar a arma, se enrolam quando precisam falar inglês", diz Belmonte.
Sobre a migração de séries para o cinema e vice-versa, o diretor acha que se trata de uma tendência sem volta. "É importante que as fronteiras sejam borradas. Após duas temporadas, as conversas no set de filmagem foram rápidas, com entrosamento e estética definida".
A ideia inicial era fazer um filme após cada temporada na TV. Do ponto de vista financeiro, porém, a proposta se mostrou inviável, revela Bonassi, para quem o maior êxito do filme é ter uma trama autônoma da série. "Quisemos falar com o público de ação, que gosta de 'Homem-Aranha', mas entregando um produto genuinamente nacional".