Caderno B
QUANTO VOCÊ GASTA COM CULTURA?
De acordo com os números do IBGE, o alagoano emprega, por mês, R$ 120 em atividades culturais, longe da média nacional que ficou acima dos R$ 300
Será que temos consumido cultura por aqui? Segundo o Instituto Brasileira de Geografia e Estatística (IBGE), não muito. Isso porque, confrome o estudo Sistema de Informações e Indicadores Culturais 2007-2018, divulgado nesta quinta-feira (5), o alagoano é o povo que menos gasta com cultura no Brasil. De acordo com os números, o alagoano gasta, por mês, R$ 120 em atividades culturais, longe da média nacional que ficou acima dos R$ 300. Os maiores valores mensais de gastos em cultura no período 2017-2018 foram no Distrito Federal (cerca de R$ 609, em média, por família) e em São Paulo (R$ 392). Em 2018, 57,3% da população alagoana residia em municípios com museus, 48,5% em cidades com teatro ou casa de espetáculo, 45% em municípios com cinema, 65,8% cidades com existência de rádio AM e FM e 80,7% em municípios com existência de provedor de internet.
TRABALHADORES DA CULTURA
Em relação ao total de pessoas ocupadas em todos os setores, Alagoas é o Estado do Nordeste com menor taxa de trabalhadores ocupadas no setor cultural (3,5%). De acordo com o estudo, 35 mil estavam ocupadas nessa área, a maior parte delas com idade entre 30 a 49 anos. Em relação ao nível de instrução, a maioria era de médio completo ou equivalente e superior completo ou equivalente. Outra situação evidenciada nos dados é de que o alagoano gasta mais com Serviço de telefonia, TV por assinatura e Internet do que com Educação profissional. Em Alagoas, a população gastou, em 2018, R$ 75,73 com Serviço de telefonia, TV por assinatura e Internet, mas com Educação profissional o valor foi R$ 1,25.
MENOS PRESENÇA NA INTERNET
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Contudo, o alagoano é o segundo povo do Brasil que menos utiliza internet, apenas 52,7% da população faz uso do serviço. O Estado fica à frente apenas do Maranhão, que tem taxa de utilização de internet de 52,7%. Os índices mais elevados estão no Distrito Federal (85,3%), São Paulo (79,6%) e Rio de Janeiro (77,8%).
CENÁRIO NO BRASIL
Ainda de acordo com o IBGE, a diferença de acesso da população preta e parda a equipamentos culturais está diretamente relacionada com o retrato das regiões do país. No Sul e Sudeste, onde a maioria da população é branca, há maior concentração de bens culturais, enquanto no Norte e Nordeste, locais nos quais a maior parte da população é preta e parda, o número de equipamentos culturais é reduzido. Um bom exemplo dessa desigualdade está no acesso às salas de cinema. De acordo com a pesquisa, a população preta ou parda tem menor acesso potencial a esses equipamentos culturais - 44% dos pretos ou pardos moravam em municípios sem cinema, número maior em relação aos brancos, que era de 34,8%. Pesquisador do instituto, Leonardo Athias destacou que a desigualdade regional reflete a desigualdade racial. Segundo ele, o cinema é um dos equipamentos culturais mais concentrados. Apenas 10% dos municípios brasileiros têm salas para exibição de filmes. Para ele, a concentração das salas em determinados municípios, principalmente capitais, acirra o desequilíbrio no acesso à cultura. A diferença aparece também no acesso a museus. Os brancos eram 25,4% em cidades sem esse tipo de equipamento, mas a população preta e parda, 37,5%. Nos teatros ou salas de espetáculo eram 35,2% pretos ou pardos ante 25,8% para brancos. Na opinião do pesquisador, porém, não há como comparar o gasto com cultura com os gastos essenciais. “No mundo todo tem uma estrutura de gastos que se ocupa mais por alimentação. Entre uma Pesquisa de Orçamento Familiar e outra a gente viu o aumento da importância do transporte. Isso pode estar levando a uma diminuição, a um teto de gastos nas famílias. As tecnologias mudam e os gastos também, mas parece que em um pouco menos de 8% dos gastos familiares [com cultura], próximo aos gastos com saúde que são 8%, me parece relevante para a cultura”.
SALÁRIO DAS MULHERES NA CULTURA
Se as mulheres já ganham menos no geral, o pesquisador destaca que no setor cultural, com concentração de profissionais mais qualificados do que a média do mercado, a diferença de ganhos é maior. De 2014 para 2018, a participação feminina passou de 47,6% para 50,5%, mas o rendimento médio foi de R$ 1.805 contra R$ 2.586, dos homens. "Um trabalhador básico vai ganhar um salário-mínimo, seja homem ou mulher, já nas ocupações com mais qualificações há mais caminhos para ter desigualdades, que são fenômenos de segregação que é ter mulheres em ocupações, que pagam menos que aos homens, além do próprio fenômeno da discriminação, que é pagar menos para profissionais com a mesma qualificação e na mesma ocupação por diferentes razões ou por que é mulher ou porque é preta ou parda”, afirmou Athias.
* Sob supervisão da editoria de Cultura.