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Caderno B

COM JENIFER LOPEZ, FILME MOSTRA CRIMES DE STRIPPERS

Confira a programação do cinema (06/12/2019)

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Longa conta história de mulheres que seduziam homens de Wall Street e os roubavam
Longa conta história de mulheres que seduziam homens de Wall Street e os roubavam | Foto: Reprodução

Em junho de 2014, Samantha Barbash estava usando um caixa eletrônico em Nova York quando chegaram policiais e a prenderam. Mais tarde, foi a vez de Roselyn Keo. Quando levada, ela flertou com um dos policiais, que recusou o convite dizendo que jamais sairia com ela. Em dezembro de 2015, os Estados Unidos descobriram o porquê. Samantha e Roselyn comandavam um grupo de mulheres que seduziam homens de Wall Street, punham drogas em suas bebidas e roubavam milhares de dólares a cada noite. As duas são as personagens principais de uma reportagem da jornalista Jessica Pressler publicada na revista New York em 2015 e que agora inspira o roteiro de "As Golpistas", que estreou nesta quinta. No filme de Lorene Scafaria ("Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo"), Jennifer Lopez encarna Samantha, ali renomeada Ramona, uma stripper experiente e cheia de clientes fiéis que recruta a novata Destiny (a Roselyn da vida real), vivida por Constance Wu, para ajudá-la nos roubos. As strippers são retratadas como mulheres batalhadoras que cresceram em famílias pobres e, aplicando golpes em figurões do sistema financeiro, acabam despertando a simpatia e a torcida de um público que viveu o escândalo das hipotecas e viu movimentos como o Occupy Wall Street. Mas elas não são como Robin Hood, e o dinheiro tomado de engravatados não vai para a caridade, mas para apartamentos enormes, casacos de pele e bolsas. "Ninguém merece ser roubado", diz Scafaria, que dirige e roteiriza o longa. "Mas a ideia defendida por Ramona é que essas pessoas estão roubando do país." "Não acho que alguém que cometa crimes possa ser herói", continua ela, "e não acho que o filme pinte ninguém como herói ou vilão, mas mostra limites cruzados em meio a necessidades." Um filme com mulheres tirando a roupa pode despertar a desconfiança de feministas. Mas é curioso perceber como as sequências dirigidas por Scafaria não parecem submeter as mulheres ao olhar devorador do espectador, ainda que atrizes, estejam lindas. "Este é um filme de uma perspectiva feminina, então, por exemplo, a cena da dança de Jennifer Lopez é a partir de seu olhar", ressalta Scafaria. Ela diz que achou "que seria uma ótima oportunidade para falar de gênero, economia, e a mulher no capitalismo". "O objetivo era apontar o dedo para um aspecto de nossa cultura", diz. "Podemos fazer isso com um pouco de risada, mas não é uma comédia, não tem um final feliz", completa ela.

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