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Caderno B

TEMPO DE SURURU

Com recorde de inscritos, Mostra Sururu de cinema alagoano celebra audiovisual do estado em ano de “repressão”

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Imagem ilustrativa da imagem TEMPO DE SURURU
| Foto: Renata Voss

Dez anos atrás, os organizadores da Mostra Sururu, apesar de nunca delimitarem a atuação do projeto, não imaginavam que a ideia teria impacto profundo na produção audiovisual de Alagoas. A principal janela do cinema alagoano está mais uma vez aberta e chega à décima edição num ano de superlativos, sem ignorar o papel político da sétima arte ou a função de refletir o tempo. De 10 a 15 de dezembro, a Mostra Sururu de Cinema Alagoano - edição dos 10 anos - finalmente dará início à aguardada competição oficial do festival. Foram 59 filmes inscritos, de 12 cidades de Alagoas, além de uma versão itinerante da mostra que, no decorrer do ano, exibiu filmes alagoanos para mais de 1.700 pessoas na capital e no interior. Para a produção da Sururu, a mostra chega à primeira década realizando a edição mais robusta de sua história e, para Maysa Reis, desafia a falta de incentivos. “Todos esses números nos surpreenderam. Se a gente parar para pensar, Alagoas é um Estado deficiente de políticas públicas para a cultura, principalmente para o cinema, que é uma arte cara de se fazer. Mesmo assim, temos quase 60 curtas alagoanos produzidos, em um ano tão precário para a cultura. É surpreendente”, diz a idealizadora do projeto. Maysa defende que a Mostra Sururu tem como maior trunfo assumir a missão de “dar potência” à produção local. Há dez anos, o evento é o aguardado festival exclusivamente alagoano, que movimenta a cena e provoca realizadores, além de fazer essa espécie de peregrinação por Alagoas, espalhando a palavra da sétima arte. “A produção do ano do cinema alagoano será vista primeiro na tela da Sururu. Só depois irá escoar para os festivais do Brasil e do mundo. Temos filmes muito bons, o nosso audiovisual vem crescendo e, neste ano dez, é possível ver claramente esse desenvolvimento e o papel da mostra nesse sentido. A expectativa está gigante, é uma edição comemorativa, as sessões foram muito bem montadas pela curadoria. Então, a gente tá esperando momentos de alegria e de emoção e que essas expectativas sejam extrapoladas”, complementa a produtora. O evento também funciona como uma confraternização dos realizadores do audiovisual de Alagoas, reunindo esses profissionais, celebrando as vitórias da categoria e discutindo os desafios para o novo ano. E, ao mencionar os desafios, a produção da mostra aponta 2019 como “sofrido”, principalmente por conta dos boicotes do governo federal ao setor do audiovisual. Ao mesmo tempo, Maysa Reis pondera os números surpreendentes para enaltecer a força do cinema em um “ano como esse”. “A cultura não vai parar. A gente está num momento cultural muito forte e produzindo, apesar da repressão governamental contra a cultura, apesar do momento social que a gente tá vivendo, de tantas opressões, de tanto medo, o cinema extravasa isso e é uma arte política, marcada por esses momentos”, diz. “Quando a Alemanha passou pela crise do Nazismo, o cinema ficou muito forte. Houve outros momentos históricos em que o cinema se destacou, inclusive no Brasil, com o Cinema Novo. E a gente está vivendo um desses momentos. É um cinema político e com uma força grande para o Nordeste. Se a gente parar para observar, os quatro filmes de destaque deste ano são filmes de nordestinos. Um dia serão filmes de Alagoas”, completa a produtora. Além da exibição oficial e competitiva, a Mostra Sururu traz ainda uma série de atividades paralelas, a exemplo da oficina “Salto no Vazio - Des/Programação de Atores para Cinema”, com Flávio Rabelo, e debates que fazem parte do Ambiente de Mercado. Outra atividade festiva é a “SururuBar 2019”, festa que ocorre no sábado, 14, e reúne Wado e o Bloco dos Bairros Distantes, Mopho e Orquestra do Pinto da Madrugada no Rex Jazz Bar. Após a maratona de atividades, a mostra será encerrada no domingo (15), com a tradicional cerimônia de premiação, com troféus para 12 categorias. Antes do anúncio dos premiados acontecerá a sessão especial de estreia do documentário “O Cortejo” (foto), de Flávia Correia, Marianna Bernardes e Rafhael Barbosa. Também serão realizadas homenagens a dois personagens que ajudaram a construir a história do audiovisual contemporâneo em Alagoas: o programador do Arte Pajuçara, Marcos Sampaio, e o crítico de cinema Elinaldo Barros. A Mostra Sururu de Cinema Alagoano é uma realização do Fórum Setorial do Audiovisual Alagoano e tem produção do Saudáveis Subversivos, com patrocínio da Prefeitura de Maceió, da Algás (por meio do Prêmio Algás Social), e do Sebrae Alagoas. O evento conta com as parcerias do Centro Cultural Arte Pajuçara, do site Alagoar, do Mirante Cineclube, da Casa Sede e da Escola Técnica de Artes da Ufal. Além do apoio cultural da Universidade Estadual de Alagoas.

* Sob supervisão da editoria de Cultura.

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