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Caderno B

HISTÓRIAS DA FICÇÃO IMPULSIONAM BOAS HISTÓRIAS NA VIDA REAL

Alagoano fala de relação com leitura e convivência em clubes literários que “se tornam famílias”

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Adepto de assinatura mensal, Vedson Santos leu 40 livros em 2019
Adepto de assinatura mensal, Vedson Santos leu 40 livros em 2019 | Foto: Acervo pessoal

Dona Maria das Dores não sabia ler e, mesmo assim, foi até à livraria comprar um livro para o neto de cinco anos. O pequeno leitor virou um devorador de livros e atribui aos incentivos da avó e da mãe o gosto pela leitura e a parte importante que a literatura ocupa em sua vida. Esse é o começo da história de Vedson Santos, alagoano de 25 anos, que não gosta de contar quantos livros lê em um ano, mas que conseguiu lembrar de 40 títulos devorados em 2019. Pois é, existem os amantes do futebol, da música, de motocicletas. Vedson é amante dos livros. “A literatura alcança na minha vida um lugar muito importante. Ela é responsável por me tornar quem eu sou hoje. Graças aos livros eu pude crescer como pessoa, como ser humano, e pude enxergar diferentes modos de vida, através de personagens que eu leio, conheço nos livros. A literatura e o clube tentam me humanizar ainda mais”, conta o rapaz. Desde 2018 ele frequenta um dos clubes literários formado por assinantes da TAG, que ele assina desde 2016. Antes de ter a própria assinatura, uma amiga do jovem o presenteava com o valor mensal. A cortesia da amiga, para ele, é uma ilustração fidedigna de quanto a literatura também tem o poder de conectar pessoas. “Eu acho muito importante olhar para esse movimento de clubes de assinatura de livros, que está se fortalecendo agora. Os encontros são uma ferramenta de crescimento pessoal, porque a gente debate as opiniões que o livro levanta, constrói novas opiniões, e vai se conhecendo a partir disso”, diz. Lembrando o período de polarização que o Brasil vive, inclusive em torno da cultura, o jovem lembra que os clubes são um ambiente de respeito à diversidade de ser e pensar. “Os encontros também são espaços democráticos, nos quais as pessoas conversam, debatem temas atuais”, explica Vedson. A entrada no Clube ocorreu por convite da anfitriã, Lara, e demorou a ser efetivada. Segundo Vedson, ele tinha preguiça de sair de casa para ir encontrar o clube, mas agora, é o primeiro a chegar. “A literatura tem essa coisa boa de nos tornar mais humanos e fazer crescer enquanto indivíduos sociais. Eu amo conversar, conhecer pessoas. Entrei, finalmente, e de lá pra cá foi só amor. Acabamos nos tornando uma família”, pondera.

FUNÇÃO SOCIAL

Apesar do número de leitores ter aumentado, segundo os dados do último Retratos da Leitura no Brasil, os critérios para o levantamento, que apontou um crescimento de míseros 6% num intervalo de 4 anos, são frouxos. Para pontuar na pesquisa, basta ter lido um trecho de um livro nos últimos três meses. Ou seja, nem é necessário concluir a obra. Um novo levantamento deve ser feito neste ano. Mesmo com o aumento, Vedson acredita que as pessoas deveriam ler mais e diz que a literatura o mudou, também, como cidadão. “Eu era uma pessoa que não pensava de modo a questionar as coisas. Eu vivia numa redoma que me impedia de enxergar as coisas. Com a literatura eu pude ver o mundo. Antes dela eu não tinha acesso a ele. Quando alguém me dava um livro eu o usava para quebrar essa redoma, para derrubá-la. Hoje eu olho para quem eu era antes e vejo algo importante”, conta o rapaz, ao defender que deveria haver mais incentivo à leitura por parte dos governos e dos pais.

“A gente não nasce gostando de ler, gostando de literatura. Mas quando ela vem, ela te puxa e te apresenta para um mundo incrível, um universo a ser desbravado”, continua. “Espero que 2020 seja um ano de reflexões e que as pessoas possam encontrar nos livros formas de questionar a realidade em que vivemos, que busquem novas alternativas. Que as pessoas tenham mais acesso a eles. Uma grande nação só é grande porque teve grandes leitores, teve grandes pensadores. Porque permitiu que a sociedade enxergasse e questionasse as problemáticas que aquela nação apresentou. Eu acho que o Estado deve incentivar sim e promover o acesso aos livros. O Brasil é um país em que poucas pessoas leem livros. Pouquíssimas pessoas leem um livro por ano. Nosso país lê, todo dia, redes sociais, uma treta de um famoso, mas as pessoas poderiam direcionar o tempo delas para ler coisas que agreguem pensamentos e reflexões”, defende. Os clubes literários formado por assinantes TAG em Alagoas se reúnem normalmente em cafés, segundo o jovem, e as assinaturas variam entre R$ 49,90 e R$ 55,90. Apesar de considerar o valor elevado e inacessível para parte da população, Vedson diz que vale a pena. “Eu conheci a literatura cedo e percebi que os livros abriam portas para mim. Eu descobri que gostava quando percebi que eu poderia saber mais lendo um livro. Sempre fui a pessoa que, nas conversas, dizia - sabia que fulano fez isso e aquilo? Eu li num livro. Foi uimportante para mim, a litratura me construiu. Cada livro foi um tijolo, me contruiu e me deu forma.

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