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Caderno B

UMA REVERÊNCIA AOS PRAZERES DA CARNE

Coletiva reúne mais de trinta artistas inspirados no carnaval e homenageia Pedro Tarzan, ícone da folia maceioense; visitação é gratuita

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Imagem ilustrativa da imagem UMA REVERÊNCIA AOS PRAZERES DA CARNE
| Foto: Reprodução
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Do fervo sem hora para acabar até os ágeis passos de frevo, foi do carnaval que artistas beberam para conceber a exposição “Carnelevarium II - Prazeres da Carne”. A abertura da mostra será nesta terça-feira (04/02), às 19h, no Complexo Cultural Teatro Deodoro, com entrada gratuita. “É com grande satisfação que recebemos a diversidade do trabalho dos artistas alagoanos abordando um tema tão empolgante, que é o carnaval. As obras estão lindas, damos boas-vindas aos artistas e convidamos o público para que prestigie os nossos talentos e entre no clima da folia conosco”, disse a presidente da Diretoria de Teatros do Estado de Alagoas (Diteal), Sheila Maluf. Participam desta exposição Adriana Jardim, Adriano Arantos, Ana Cláudia, Ana Karina, Árthemis Gabriela, Arthur Celso, Baboo, Dênnys Oliveira, Diego Barros, Chico Simas, Eduardo Bastos, Ermesson Pereira, Gil Lopes, Gustavo Lima, Ives, Jorge Vieira, Lula Nogueira, Manuela Constant, Munganga, Nicolas Elifas, Pedro Cabral, Persivaldo Figueiroa, Rafael Reis, Rogério Silva, Rolderick Leão, Salles Tenório, Simone Freitas, Sophia Laranjeiras, Suel, Wado e Weber Bagetti. A curadoria é do artista visual Levy Paz. A mostra fica em cartaz até 27 de março e pode ser visitada de segunda a sábado, das 8h às 18h, e, aos domingos e feriados, das 14h às 17h. Grupos de escolas e instituições sociais podem agendar a visita guiada pelo [email protected] ou (82) 98884-6885 gratuitamente. Para Alexandre Holanda, gerente artístico da Diteal, a primeira exposição, em 2018, foi um sucesso entre os visitantes, o que motivou o convite da instituição para uma nova edição. “Nos unirmos ao seu idealizador, Levy Paz, para mais uma coletiva com mais de 30 artistas visuais locais, homenageando a festa mais popular do Brasil. Destacamos também que a galeria de artes visuais do Complexo Cultural Teatro Deodoro continua firme, mantendo uma grade dinâmica e focada, principalmente, na valorização do artista local, com uma programação já agendada até janeiro de 2021, inclusive com quatro editais que serão brevemente lançados, todos para o segundo semestre deste ano”, afirmou. Entre pinturas, fotografias, esculturas, instalações e desenhos, Carnelevarium traz o dobro de artistas participantes e reúne nomes consagrados - como Lula Nogueira e Persivaldo Figueirôa - com artistas iniciantes. A proposta, segundo o curador, é obter visões diversas da celebração da alegria e da liberdade, visão do artista Levy Paz sobre o carnaval. A exposição faz uma homenagem a Pedro Tarzan, pela contribuição artística e ao carnaval de Maceió. “O carnaval em si já é um grande evento, muitos são os países que o comemoram. Ser curador de exposição de arte é um privilégio de uma vida. Poder unir o tangível e o intangível é estar em estado graça. Um êxtase triplo. E digo mais: reunir artistas e amigos, que já tem uma bagagem ampla no cenário das artes plásticas e contemporânea alagoana, somado a ter a oportunidade em trazer artistas iniciantes a beberem desta fonte, realmente não tem preço”, pondera o curador. “Sendo essa a segunda edição a convite da Diteal, foi quando percebi a importância de sabermos aonde pisamos, onde nos encontramos, são dois passos à frente e um para trás. Por isso a homenagem à Pedro Tarzan, este brincante que marcou sua história no carnaval de Maceió e que não devemos esquecer do nosso passado em hipótese alguma”, observa o artista visual e curador da mostra”, finalizou Levy Paz.

PEDRO TARZAN

Em 1950, aos 21 anos de idade, o sergipano Pedro Ferreira Auta decidiu trilhar um caminho comum entre os que nascem no interior: deixar a terra natal e partir para a capital. Após um breve período em Aracaju, onde trabalhou em uma fábrica de bombons, veio para a capital de Alagoas. Os objetivos eram tentar um lugar ao sol com um bom emprego e realizar um sonho fora do comum: ser artista de cinema. O carnaval de 1952 serviu de cenário para o primeiro ensaio. Penas, tecidos, crina de cavalo e tinta transformaram Pedro Ferreira Auta em um índio, inspirado nos filmes americanos de faroeste. Em 1955, junto a Ademário Santana e Jorge Marinho de Lima, criou o Ginásio Sansão, uma academia de halterofilismo, na rua Santo Antônio, no bairro Ponta Grossa. E em 1957, sagrou-se campeão do concurso realizado entre as academias “Força e Saúde, Peso” e Ginásio Sansão, todas de grande renome na época. Foi assim que Pedro Ferreira Auta virou Pedro Tarzan, apesar de sua cor ou seu porte nada ter em comum com o campeão olímpico de natação Johnny Weissmuller (mais famoso intérprete de Tarzan no cinema). Pedro Tarzan encontrou no cinema referência e inspiração para criar dezenas de fantasias, que acabaram virando atrações dos carnavais maceioenses. As fantasias Carrasco (1956), Pele Vermelha (1957), Lampião (1960), Dário III, Rei da Pérsia (1974), Caramuru (1974), Spartacus (1976), Comanche (1980), Golias (1981), Caetés (1984), Tibiriçá (1985), Araribóia (1989) e Oxossi (1989) ilustram bem as multifacetadas inspirações do sergipano.

UM RECOMEÇO PARA LEVY PAZ

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A exposição “Carnelevarium II –Prazeres da Carne” ocupa o primeiro piso do Complexo Cultural Teatro Deodoro. No mezanino, segue em cartaz a mostra “Gênesis em Vermelho Absoluto”, individual d e Levy Paz. A urbanidade e o diálogos entre épocas; o clássico e o contemporâneo, são assuntos dos painéis do artista. Fã dos pintores clássicos, dos desenhos em quadrinhos estadunidenses e dos animes orientais, a arte dele é essencialmente cosmopolita Nascido no Distrito Federal, Levy Paz mora em Alagoas há 30 anos. Essa exposição foi onde o artista uniu o passado ao momento atual, celebrando com jovialidade enquanto se expressa de forma madura no fazer artístico. “O que me faz pintar é comemorar a vida, colocar emoções, fantasias. É imaginar toda a minha trajetória e conseguir sintetizar isso nas obras. Transformar sonhos em imagens”, conta o artista. Segundo ele, o nome Gênesis foi necessário: “Esse é meu recomeço. Acho que todo novo trabalho é um novo começo, um novo ciclo. Por isso Gênesis. E vermelho porque é a vida, é o sangue”. Contando com 27 obras, que variam entre pinturas, desenhos, esculturas e instalações. Essa é a terceira exposição individual de Levy, que também já participou de outras oito coletivas.

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