Caderno B
CAPITAL DAS PRÉVIAS
Ápice da folia, Pinto da Madrugada deve reunir 200 mil pessoas em megadesfile, sem cordas e sem distinção
Com 21 anos de tradição e ponto nevrálgico da cultura carnavalesca de Alagoas, o Pinto da Madrugada sai às ruas neste sábado (15) no seu já conhecido percurso entre as orlas da Pajuçara e da Ponta Verde, a partir das 9 horas da manhã. A concentração será em frente ao hotel Enseada, na Pajuçara. O bloco tem a expectativa de arrastar uma multidão de 200 mil foliões pelas ruas. “Serão 15 orquestras de frevo de todo o estado, mais a pintoca com a banda Pajuçara no Frevo, carros alegóricos, porta estandartes e mascote”, informou a assessoria do bloco. Este ano, o filhote do recifense Galo da Madrugada estará novamente nas ruas com o tema “Alagoas, um mar de cultura”, e busca trazer conscientização sobre o respeito ao outro para as festas. “O pinto é um bloco democrático, aberto ao público, sem cordas e distinção de qualquer tipo”, afirma Hermann Braga, diretor do bloco. As cordas são o principal instrumento de delimitação de espaços nos carnavais, normalmente usados para dividir os pagantes dos não pagantes ou “pipocas”, como são conhecidos os foliões que andam atrás dos blocos sem associação direta ao evento. O Pinto se orgulha de nunca ter feito uso do instrumento, não há alas VIP. “O Pinto é um bloco dos alagoanos, e enfatizamos a importância desse pertencimento. É um bloco para que todos possam brincar, se divertir e se unir em nome do frevo e da cultura alagoana”, pontuou Braga. “Queremos fazer uma festa bonita, que irá celebrar a cultura do nosso Estado”. O Pinto foi considerado Patrimônio Imaterial da Cultura Alagoana em 2011, e desde então vem reforçando seu título de símbolo da cultura alagoana. O mascote do bloco, um pintinho, é onipresente: fim de ano, prévias de carnaval, eventos beneficentes. O Pinto da Madrugada está sempre circulando pelos eventos da capital e do estado. Mais recentemente, ele pôde ser visto na inauguração do Monumento do Pinto do Tabuleiro, próximo ao Braga Auto-Peças, no Tabuleiro dos Martins. O bloco foi responsável por levantar os fundos da restauração do pintinho de cinco metros de altura, marca registrada da região mas que estava desativado e guardado fazia anos. “O Pinto da Madrugada tem como uma de suas premissas apoiar e incentivar a cultura alagoana e os símbolos da nossa cidade”, disse o diretor do bloco à época. Uma pesquisa feita pelo Observatório da Economia Criativa e da Economia do Turismo do Estado de Alagoas (OBECT) em 2019 apontou que 80,4% de todo o movimento financeiro das prévias carnavalescas na capital alagoana vinham do Pinto da Madrugada. A cifra, de R$ 119 milhões, equivale à 0,5% do PIB da capital no ano. “A economia criativa é uma realidade em nosso Estado e o Pinto da Madrugada é um propulsor desse movimento. Precisamos, junto com o poder público, valorizar e fortalecer isso. O bloco Pinto da Madrugada é de todos os alagoanos”, ressaltou Braga. No ano passado, o tema “Viva as Artes de Alagoas” homenageou diversas personalidades do estado, entre artistas plásticos, músicos e dançarinos. O número que impressiona, 200 mil pessoas, também estava presente na edição.
O PRIMEIRO PINTO DA MADRUGADA
A primeira edição do bloco, em 1999, contou com 5 mil foliões. Um ótimo início, mas longe da multidão de 200 mil pessoas que ocupou as ruas em 2019 e é esperada pela organização, agora em 2020. O Pintinho Pula que Pula, bloquinho infantil, também faz parte das prévias carnavalescas e já aconteceu este ano, em dois domingos seguidos, no Maceió Shopping. O bloquinho acontece periodicamente faz dois anos, desde que a nova diretoria da festa assumiu o comando. Também aconteceu em 2020 a Trilha Ecológica do Pinto, no Parque do Horto. O mascote acompanhou os maceioenses enveredando pelo parque, em uma iniciativa em parceria com a Superintendência Municipal de Desenvolvimento Sustentável de (Sudes). Agora, encerrada a contagem regressiva, a expectativa é de um desfile de paz e que una diversas tribos. Entre os destaques, por exemplo, está o bloco “Rasgando o Couro – Rock Maracatu”, que surgiu em 2012, em uma rockbatucada despretensiosa, a partir da imersão da cantora Fernanda Guimarães em um dos grupos de maracatu de Maceió. Hoje, o bloco é aguardado com entusiasmo. Um dos patrocinadores do evento, a ASA Indústria, fará a distribuição de tatuagens temporárias, com temas de proteção e valorização das mulheres. A programação começa a partir das 9h, com concentração em frente ao antigo CRB, na Pajuçara. Logo depois, o bloco sai em desfile pela orla de Maceió e vai ao encontro do Pinto da Madrugada. Na segunda edição do “Rasgando o Couro - Rock Maracatu”, a cantora Fernanda Guimarães, diretora do evento, se une a Carlinhos Palmeira e Pacheco Vital, nas guitarras, Anderson Almeida, no baixo, e 45 rockbatuqueiros das alfaias: caixas, agogôs, xequerês e gonguês, que garantirão a animação do começo ao fim do percurso. A cantora e instrumentista Lucy Alves é a convidada deste ano.