Caderno B
DRAMA NAS TELAS
Após Ministério Público recomendar fechamento de teatros e cinemas em Alagoas, Cine Arte Pajuçara diz que empreendimento não suportará 30 dias sem funcionar
Primeiro foram as TVs, com programações reajustadas, depois os shows, cancelados ou adiados, e agora os teatros e cinemas. Ontem (17), o Ministério Público do Estado de Alagoas (MPE/AL) decidiu recomendar às empresas de exibição cinematográfica e teatros, a suspensão das atividades por um prazo inicial de 30 dias, em decorrência da pandemia do novo coronavírus e dos casos crescentes da Covid-19, doença causada pelo vírus e que ontem também vitimou fatalmente o primeiro brasileiro. No cinema, a suspensão atinge quase todo o país e, consequentemente, dezenas de filmes que estavam em cartaz e outras dezenas que entrariam em cartaz nesta quinta-feira (19). De acordo com o promotor Max Martins, a medida reforça as iniciativas que visam controlar a propagação do vírus. Em nota, o MPE/AL reforçou que a recomendação contempla os cinemas Kinoplex Maceió, Cinesystem, Cinema Lumiére e Centerplex Pátio Maceió. Todos, de acordo com as primeiras informações, seguirão a recomendação. Os teatros Gustavo Leite e Deodoro, ambos em Maceió, também permanecerão fechados durante o período recomendado, inicialmente 30 dias, prorrogáveis. “Enquanto Ministério Público e trabalhando em defesa do consumidor, inclusive respaldado pelo princípio da segurança, tão explícito no Código de Defesa do Consumidor, o qual enfatiza que o consumidor tem direito básico à proteção à vida e à saúde, temos de agir para evitar que as pessoas sejam colocadas em risco. Esse fechamento já ocorre pelo mundo, no Brasil, e em Alagoas temos a responsabilidade de também adotar providências”, afirma o promotor Max Martins. De acordo com o portal Filme B, especializado em mercado cinematográfico, a pandemia de coronavírus que se alastra pelo país foi responsável pelo encerramento, até então, das atividades em 577 salas, de um total de cerca de 3.500 (cerca de 16%). “O prejuízo é enorme e todas as salas do Brasil vão fechar, é só uma questão de tempo”, afirma Paulo Sérgio, analista do site. Quase todos os estados foram afetados, sendo o Rio de Janeiro o responsável pelo pior cenário para o parque exibidor, já que o governador Wilson Witzel determinou a suspensão de cinemas, teatros e casas de shows por 15 dias prorrogáveis, contados a partir da última sexta (13). Em meio a este cenário, as bilheterias nacionais tiveram uma queda expressiva de público, com menos de um milhão de pessoas indo assistir aos 20 líderes de bilheteria exibidos nas salas remanescentes no último fim de semana. Na quinta passada, dia 12, o portal já havia notado que desde 2017 não havia uma performance tão ruim dos cinemas em um dia de estreia de filmes, com apenas 86 mil espectadores.
EXIBIDOR MENOR SOFRE MAIS
Grandes exibidores, como o Kinoplex e a Cinemark, anunciaram medidas polêmicas para lidar com a determinação de suspensão. O primeiro anunciou férias coletivas no Rio de Janeiro, enquanto a Cinemark ofereceu a seus funcionários duas opções: aceitar um plano de demissão voluntária ou um curso de qualificação remunerada, no qual o funcionário receberia uma parcela do salário. As gigantes expuseram uma situação delicada, que se torna ainda mais grave para os pequenos exibidores, como o Centro Cultural Arte Pajuçara. De acordo com Marcos Sampaio, diretor do único cinema de arte de Alagoas, o empreendimento aguarda uma notificação oficial, mas adianta que não consegue passar 30 dias com as portas fechadas. “Quando recebermos vamos responder e argumentar, tentar demonstrar que não há necessidade de uma medida desse tipo. Estamos tomando todas as medidas de segurança, conforme portarias dos governo”, diz. Ele também argumenta que as determinações falam em até 100 pessoas em locais fechados, enquanto o Arte Pajuçara opera com um limite de 80. “Um período de suspensão como este vai inviabilizar, caso não tenhamos uma fonte de recursos que cubra nossas despesas, o empreendimento. Vai fechar. É um prejuízo incalculável, afirma Marcos Sampaio. O Diretor admite que a situação é preocupante, mas afirma que está atento para um possível agravamento da situação, o que justificaria a recomendação do MPE/AL. “Ninguém quer colocar em risco a vida de ninguém e prezamos pela vida, sempre. A saúde está em primeiro lugar. Caso exista uma agravamento, seremos os primeiros a adotar as medidas cabíveis. Mas, nós dependemos muito do que arrecadamos, das vendas de ingressos, locação do espaço, temos despesas diárias para cobrir, sem esse recurso. É um período longo, então vamos apelar ao MP no sentido do diálogo”, conclui.