LUTO
PARA CARLOS MENDONÇA
Em carta, presidente da Academia Alagoana de Letras lembra a trajetória e se despede do jurista, acadêmico e amigo Carlos Mendonça
Neste momento as palavras perdem sentido ante a tristeza e saudade que todos os que fazem a Academia Alagoana de Letras sentimos com a perda do querido ocupante da cadeira dezenove, Carlos Mendonça. O sorriso amplo, uma de suas marcas registradas, sempre estarão bem vivas nas dependências da Casa Jorge de Lima, sede da Instituição que tanto amou.
Conheci-o muito jovem ainda e tempos depois, mantive com ele contato mais próximo, uma vez que como docentes da Universidade Federal de Alagoas, exercíamos a função de diretores de unidades acadêmicas distintas, ele a frente do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas e eu no Centro de Tecnologia. Ali conversávamos muito a respeito dos cursos sob nossas responsabilidades, tais como Direito, Economia, Engenharia e Arquitetura. Nos momentos críticos, Carlos Mendonça, sempre dispunha de uma palavra de esperança, confiança e otimismo.
O tempo passou e seguimos nossas vidas... sempre que possível acompanhava fatos e feitos que o envolviam na vida profissional, quer como Procurador de Estado ou dirigente das Organizações Arnon de Mello. Quis o destino que nos encontrássemos ao postularmos integrar a Academia Alagoana de Letras, quando em concorrido pleito, onde duas vagas eram disputadas, fomos escolhidos para compor ao quadro de sócios efetivos desta Augusta Casa. Ficamos não somente felizes, como acima de tudo, com o decorrer do tempo, mais amigos.
Sempre fui avesso a adoração de ídolos, talvez por medo de um dia viver decepção, vendo aqueles que estimamos, esquivando-se de suas responsabilidades. Carlos Mendonça, foi aos poucos a me fazer pensar diferente, quando o enxergava preocupado com a Instituição que um dia tanto lutou para pertencer, e principalmente buscando ao seu modo, alternativas para solucionar os problemas nela existentes.
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Tendo a imensa responsabilidade de suceder, na cadeira 19, ninguém menos do que três luminares da cultura alagoana em todos os tempos: Guedes de Miranda, Teotônio Vilela (o pai) e Ledo Ivo, a imortalidade de Carlos Mendonça será eterna, tendo por pilares de sustentação o legado deixado pela firmeza do seu caráter.
Como acadêmico, Carlos Mendonça foi leal, presente e, acima de tudo, amigo dos amigos. Tive a honra e o privilégio de tê-lo como conselheiro, em diversos momentos de nossa caminhada, na Casa das Casas da Cultura Alagoana.
Ele partiu e, com isto, mais que nunca tenho a certeza de que a vida é um sonho, e a morte, o despertar deste sono profundo. Um dia nos reencontraremos.
Em nome de todos os que fazem a centenária Academia Alagoana de letras, beijo seu coração, neste momento de despedida.
*É presidente da Academia Alagoana de Letras