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Caderno B

“MUITA MÚSICA BRASILEIRA E SHOW REVIGORANTE”

Llari fala sobre live deste domingo, processos de criação e como está lidando com o isolamento

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Llari compartilha novidades da carreira em live transmitida pela TV Mar, a partir das 17h
Llari compartilha novidades da carreira em live transmitida pela TV Mar, a partir das 17h | Foto: Divulgação

E como será o lançamento do disco? E o processo até aqui?

Ele sairá faixa por faixa, estamos escolhendo cada faixa de acordo com o momento que vivemos também, porque eu acredito que a música é do campo do sensível. Minha intenção é dar, doar a minha música aos poucos, pois eu fiz com muito carinho. Desde o ano passado estamos trabalhando nesse EP e tenho muito orgulho de dizer que participei de tudo, de cada etapa, da base, das melodias, letras também. tem participações pra lá de especiais, tem Wado, tem Manoel Cordeiro, do Pará, um cara f***, uma guitarrada incrível. Tem Donatinho também. E eu tenho muito orgulho desse primeiro EP, que será lançado aos pouquinhos para todo o Brasil.

E o que podemos esperar da live deste domingo?

Muita música brasileira, muito sentimento, muita energia, um show para revigorar. Eu montei um repertório que fala de amor, de revolução, mas que fala mais das nossas raízes. Traz Caetano Veloso, Júnior Almeida, Gal Costa, Djavan, Fino Coletivo, uma mistura de cultura alagoana, brasileira, africana, um repertório bem diferenciado. Vocês vão gostar. Às vezes a gente não gosta de uma coisa que a gente não conhece, mas quem conhecer vai procurar mais. Eu não tenho medo de ousar, sabe? Eu não tenho medo de tocar aquilo que as pessoas ainda não conhecem bem. E estamos nessa fase de experimentar.

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Me permita dizer que você tem uma imagem muito forte e bonita, bem produzida. Qual sua relação com isso, tem uma equipe por trás?

Sim, eu sou bem exigente. Eu acredito que não há som sem imagem, nem imagem sem som. Eu fui buscando essa identidade. Como eu te falei, tenho muita referência do berço da música e isso ajuda a construir a imagem: a negritude, o meu cabelo cacheado ou cheio, a minha essência, a espontaneidade. Não há tanta regra, mas há uma construção pensada dessa sim. Inclusive, eu estive em São Paulo para gravar as vozes do CD e fizemos um ensaio enorme, com um fotógrafo muito bacana e uma equipe muito incrível. Gente que faz imagem pra Duda Beat, Anitta, foi dessas pessoas que me cerquei. E todos eles ouviram as músicas antes para compreenderem a proposta.

Temos um cenário interessante em Alagoas, de mulheres cantoras e compositoras lançando trabalhos originais. Acho que nunca foi tão promissor. Você vê dessa mesma forma?

A projeção e o empoderamento das mulheres cantoras em Alagoas realmente existe e é muito promissor porque há uma união. O Festival Carambola é uma prova disso, produzido por mulheres, é o maior de Alagoas e eu diria que um dos maiores do Nordeste. É só feito por mulheres. A cena é enorme, diversas cantoras, cada uma em sua vibe, tem muita gente boa e acredito que isso é só o começo.

E como está sendo este período de isolamento social para você e para a sua família?

A princípio, acho que todo mundo pensou que iria passar logo. Pensamos: a gente vai tirar de letra. Mas aí ele [o isolamento] foi se estendendo e isso traz vários desafios. Os momentos de silêncio, a família unida, a minha está em uma única casa, se ajudando quando alguém não está bem. Eu acho que é fora do humano se manter bem o tempo inteiro, mas estamos firmes e fortes, como se diz. Um segurando o outro. Artisticamente essa quarentena te me descascado. Porque quando a gente se volta mais para dentro, quando tem mais tempo de se ouvir, começamos a descobrir que a gente é como uma flor. É assim que me sinto, como uma flor, que as pétalas caem para nascer de novo. Tô ouvindo muita música, trazendo novas referências para o trabalho, tudo com mais tempo para me ouvir, pesquisa e desbravar.

Vivemos momentos conturbados politicamente, socialmente, para além da crise do coronavírus. Qual o papel o papel da arte nesse contexto?

O que eu tenho a dizer sobre isso é que a gente precisa ser cada vez mais apartidário, cada vez mais solidário e brasileiro. O artista tem a missão, na minha opinião, de levar luz, seja em forma de informação, sentimento ou ideias. O artista também tem esse papel de orientação. A gente nunca viveu um período tão cheio de nós, incertezas por todos os lados, políticas, profissionais. Veja bem, os artistas estão aí se reinventando e o apoio é muito pouco. O artista é resistente a todo esse caos. Eu costumo dizer que a arte é o último respiro, sem arte não tem como respirar e ela precisa ser luz. Quando as pessoas percebem, a arte já está ali transformando. Eu acredito que essa é a missão. E acredito que quando tudo isso passar teremos uma valorização muito maior da arte. Como já aconteceu no passado, depois da Segunda Guerra. Porque as pessoas perceberão que só através da arte é possível contornar tudo isso.

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