Caderno B
RETRATOS DA PANDEMIA
Escolhida pelo público, alagoana Gabi Coêlho representa o Brasil em importante exposição inglesa; dos 30 selecionados, 25 são europeus, 3 africanos e 2 americanos
A primeira foto surgiu em 1826, em preto e branco e sem muita nitidez. A imagem foi reproduzida pelo francês Joseph Nicéphore Niépce. No Brasil, a fotografia chegou ainda no século XIX, retratando costumes, artes e cultura, além de ser o sustento de muitos. No entanto, a fotografia revela muito mais do que imagens, podem ser visto nelas sentimentos, medos, anseios e expectativas, e por meio disso é possível se transportar para outros lugares, conhecer outras culturas, mesmo longe. Com suas fotografias voltadas basicamente ao autorretrato, a fotógrafa Gabi Coêlho foi a única brasileira finalista na exposição inglesa do concurso Doncaster “Art as a Response to Mental Health”. O resultado final será divulgado na próxima terça-feira (14). Gabi Coêlho trabalha com fotografia há seis anos, sendo seu foco fotografia de família. Em 2018, começou a estudar fotografia autoral, com ênfase em autorretrato, no ateliê Jacqueline Hoofendy/RJ. “Depois disso, fiz alguns outros cursos, participei de alguns festivais. Fui coordenadora do primeiro FotoSururu, ano passado, e voltei a produzir autorretratos agora, durante a pandemia, quando eu tive tempo de me voltar para mim e para a minha produção artística”, conta Gabi. Seu envolvimento com a cena da fotografia local fez com que suas próprias fotografias autorais ficassem paradas por cerca de um ano, mas no isolamento social, Gabi conta que também pôde voltar a pesquisar e produzir, o que resultou na obra selecionada para a exposição. “Eu trabalho basicamente com autorretrato. Tenho pesquisado texturas e o gestual do barroco. Durante a quarentena eu tenho me aprofundado mais no estudo das texturas. De modo geral, eu seleciono texturas que fazem parte do meu cotidiano e me relaciono com elas de forma não convencional, colocando na pele. A proposta é causar no espectador reações sensoriais, do mesmo modo que eu sou provocada sensorialmente durante a execução das obras”, diz Gabi Côelho.
A exposição inglesa a qual a fotógrafa vai participar, é chamada “Art as a Response to Mental Health” e acontece esse ano. O intuito da exposição é falar sobre a relação da arte com a saúde mental em tempos de pandemia. Ela é organizada pela Doncaster Art Fair, e sua curadora é de Chinwe Russell. O processo de seleção conta com três etapas: a primeira foi a escolha de 300 obras, dentre 600 inscritos representantes de múltiplas linguagens de arte visual, pela curadora Chinwe Russel. A segunda teve um prazo de 2 semanas para a votação do público, que selecionou 30 obras expostas de forma on-line, no site da exposição. A última etapa, por sua vez, ocorre na próxima terça-feira (14), quando será divulgada a decisão das quatro juradas sobre as três obras que serão premiadas. As trinta obras já selecionadas pelo público deverão compor o salão presencial, logo após a pandemia do coronavírus passar. “Nesta exposição, pontualmente, a inscrição foi simples, via site, com o envio do trabalho e preenchimento de informações importantes. Seguiu a regra da maioria das convocatórias.” explica a fotógrafa. O que a fez ter interesse em participar desta exposição, foi a busca por deixar uma mensagem para as mulheres, por uma questão de representatividade. “Eu tenho grande interesse em difundir meu trabalho junto a outros espaços. Acho que é importante não só para mim, como artista, mas para todos os artistas locais. Ontem mesmo eu recebi mensagens de mulheres nordestinas dizendo que se sentiram motivadas por ver que uma mulher conseguiu ocupar esse espaço de reconhecimento.”
PROJETO MANDAVER
Algumas de suas imagens estão disponíveis no projeto Fotografia que Manda Ver, ação solidária para vender fotografias e reverter a verba para a instituição MandaVer. A fotógrafa também vai expor suas obras em uma exposição virtual na Romênia, em uma espécie de mapeamento do que está sendo produzido no mundo durante a pandemia. Além da fotógrafa brasileira, a “Art as a Response to Mental Health”, selecionou um canadense. Os outros 28 concorrentes se dividem entre 3 africanos e 25 europeus.
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*Sob supervisão da editoria de Cultura