Caderno B
PRESTES A VOLTAR
Publicação de protocolo municipal para retomada de cinemas, teatros e circos mobiliza setor cultural de Maceió; retorno depende do Governo do Estado
Foram sete longos meses em que o setor cultural esteve congelado em Alagoas. Com a proibição das aglomerações, as salas de cinemas e os palcos dos teatros estão vazios desde março. Também por causa da pandemia, muitos lançamentos que estavam programados para este ano foram cancelados ou adiados, o que deixou o setor de mãos atadas. Com o avanço das flexibilizações em outras muitas áreas, a cultura pede licença para organizar sua retomada, com todas as alterações que forem necessárias para garantir a melhor experiência, mesmo em tempos tão sombrios. Em Alagoas, a Portaria Conjunta nº 002, que foi elaborada pela Secretaria Municipal de Turismo, Esporte e Lazer (Semtel), o Gabinete de Governança (GGOV) e a Vigilância Sanitária de Maceió (Visa) define a abertura de circos, cinemas e teatros e foi publicada na última quinta-feira (1 de outubro), pela Prefeitura de Maceió. No entanto, ainda é necessário que o Governo do Estado também autorize a retomada do setor. Logo, somente a publicação da portaria não implica em um retorno imediato. Porém, foi o suficiente para movimentar o setor cultural, que já espera por esse momento há vários meses. Se aprovado pelo governador, o Protocolo Sanitário passa a garantir a reabertura de outros espaços como: áreas de recreação infantil, parques de diversões e demais atividades que já estão contempladas nas Fases Azul e Verde do Plano Estadual de Distanciamento Social Controlado. Para garantir que a retomada seja feita de maneira segura e adequada, haverá fiscalização nas medidas estabelecidas, dentre elas está a sinalização do local sobre o distanciamento necessário em filas, estacionamento, banheiros e entradas, bem como sobre o uso obrigatório de máscaras de proteção. Para os credenciamentos, a organização do evento terá que disponibilizar venda de ingressos, preferencialmente, por meio de sistema on-line, de forma que o ingresso possa ser validado na entrada pelo próprio cliente, por um sistema de QR Code. Quanto às medidas gerais de higienização, será obrigação da empresa fornecer Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para toda a equipe de trabalho, bem como determinar o uso obrigatório de máscaras pelo público. Também será obrigatório aferir a temperatura do público interno ou externo, sem exceções. Para a liberação das atividades, será necessário elaborar e encaminhar para a Vigilância Sanitária o Protocolo de Prevenção e Higiene, contendo todas as informações referentes aos procedimentos implantados, descrição das áreas, forma e periodicidade de higienização por setor, bem como o planejamento da localização das mesas, palco, cozinha, banheiros e outros que forem distribuídos pelo espaço. Dentre outras ações, a Portaria recomenda a contratação de equipe de brigadistas para avaliar os riscos existentes, principalmente em relação ao uso do álcool ou outra substância inflamável, e para inspecionar equipamentos de proteção e criar planos para saídas de emergência. Nos eventos que ocorrerão em auditórios, será preciso promover a ocupação de assentos em fila ordenada, do último assento da fila para o primeiro, sendo necessária a orientação do público no local, através de funcionários capacitados, bem como o uso de marcações físicas. Um detalhe importante, os organizadores devem guardar a lista com os nomes e contatos dos participantes por 30 dias após a realização do evento, disponibilizando às autoridades públicas, caso seja solicitado. Os circos e teatros devem manter desocupadas as duas primeiras fileiras paralelas, por toda a extensão do palco, organizar cadeiras dispondo de ocupação de forma intercalada, podendo ser acrescentado o esvaziamento de fileiras intercaladas, a fim de que seja mantido o distanciamento mínimo de 1,5 m entre as pessoas, em todas as direções. O que muda também é a proibição do consumo de alimentos dentro de salas de apresentações que sejam em ambientes fechados. Nos cinemas, recomenda-se a não exibição de filmes em 3D, mas, caso seja realizada, deverá ser feita a higienização dos óculos utilizados com álcool a 70% após cada utilização, embalados individualmente e lacrados. Os parques de diversões de pequeno porte estabelecidos em área pública devem reduzir a capacidade de público para 50% no uso dos brinquedos, vender ingressos, preferencialmente por cartão de crédito, aplicativos ou outros meios, evitando-se o uso de cédulas ou moedas, e, dentre outras medidas, não autorizar o funcionamento de atrações com alto contato, onde não se consiga fazer a higienização de todo o equipamento a cada ciclo. De acordo com a portaria já publicada, o descumprimento implicará em sanções estabelecidas nos Decretos Estaduais e Municipais vigentes para o enfrentamento do Estado de Calamidade em Saúde Pública decorrente da Covid-19.
A RETOMADA NA CAPITAL
Para os produtores de Maceió, o protocolo é uma forma de recomeço. Eles estão esperançosos por dias melhores e que tudo volte ao seu devido lugar. O produtor de eventos e empresário Lucas Neves diz que já está na hora da retomada acontecer no estado. “Acredito que o protocolo do município é um novo começo e uma necessidade. Precisávamos voltar em algum momento, mesmo que por hora bem reduzidos. Entendo que é uma forma de assegurar ao público que os eventos voltarão com segurança e seguindo as recomendações sanitárias. Mas voltar é preciso.” Vale ressaltar que a pandemia desmanchou diversas produtoras de eventos e o setor cultural acredita que será o último a retornar com o seu público de antes. “Nós, produtores de eventos, nunca estivemos tão desolados. Todos os setores foram reativados, mas nós ainda não podemos trabalhar. Foi o pior período e tem sido para a produtora. Não são apenas nas minhas contas, mas nas contas de centenas de profissionais envolvidos e que também estão paradas”, diz Neves. Mas apesar da turbulência, o empresário está apostando em dias melhores e acredita que além dele, o público também está querendo reviver a emoção de um espetáculo ao vivo. “Estamos junto à alguns órgãos competentes já buscando entregar projetos e um protocolo sanitário para a programação a partir de dezembro. Serão muitos desafios para operar com menos de metade da capacidade, mas já temos uma programação se fechando. Tem artista querendo fazer show e nós queremos também, então, com certeza, em breve traremos muitas novidades na agenda”, finaliza. O Centro Cultural Arte Pajuçara realizou, durante o período de pandemia, empreendeu diversas ações para manter de pé o sonho de existir em Maceió uma sala de cinema independente. Entre os projetos, um deles ainda está em vigência. Os representantes mostram como está sendo difícil lutar contra as proibições e convidam o público a garantir a volta do espaço. Na promoção do Arte Pajuçara é possível adquirir, de forma antecipada, um combo especial que inclui 10 ingressos para sessões exclusivas, uma por mês, com exibição de pré-estreias, clássicos e raridades. Eles foram os pioneiros na tendência drive-in em Maceió, instalados no estacionamento de uma pizzaria no litoral norte da capital, levaram para o público muitas emoções durante 6 semanas. Agora, chegou a hora de focar na retomada presencial. Marcos Sampaio, diretor do espaço, conta que já deu o pontapé inicial para voltar às atividades, mas ainda vai aguardar o posicionamento do Governador do Estado. “Entendemos como correto o protocolo anunciado, dentro dos parâmetros de segurança sanitária, importante para o público e para equipe de trabalho. O Arte Pajuçara já iniciou os procedimentos para cumprir o protocolo, aguardando a autorização para funcionamento”, disse.
*Sob supervisão da editoria de Cultura
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