Caderno B
UM GOSTINHO DE PALCO
Grupo de teatro de Arapiraca narra trajetória e une espetáculos inéditos em vídeo especial do Teatro Deodoro é o Maior Barato
Apaixonados pela cultura nordestina, os integrantes da Cia. Fulô de Mandacaru estreiam um vídeo especial com trechos de dois espetáculos originais. O lançamento integra a edição especial (virtual) do projeto Teatro Deodoro é o Maior Barato. Natural da cidade de Arapiraca, agreste alagoano, a Fulô de Mandacaru foi fundada pelos atores Ítalo Souza, Jacyara Oliveira e Henrique Silva, em 2016. No projeto audiovisual, os atores narram a história da Companhia e aproveitam para matar a saudade dos palcos, encenando alguns trechos dos espetáculos que foram selecionados para o projeto. ‘O segredo da filha do coroné’ e ‘dois perdidos numa noite suja’ têm direção de Ítalo Santos e elenco formado por Israel Henrique da Silva e Denis da Silva, com mais alguns participantes da companhia, convidados para a apresentação. Este ano, o grupo apresentaria as peças no palco do Teatro Deodoro é o Maior Barato, entretanto, os planos foram adiados para 2021 por causa da pandemia. A iniciativa da versão virtual tem o objetivo de possibilitar um contato com o público e que todos possam conhecer um pouco do trabalho do grupo. A situação atual foi desafiadora para a equipe que precisou reescrever os textos que já estavam prontos e se preparar para unir dois espetáculos que antes não tinham vínculo algum. Mas que, apesar disso, conseguiram ousar nas adaptações e estão felizes com o resultado. “Unimos cenas que não possuem a configuração atual nas peças, principalmente pela ausência do elenco completo e também como forma de evitar o máximo contato entre os atores. Esse processo de escolha foi delicado. Em ‘O Segredo da Filha do Coroné’, contamos com um elenco de oito personagens, e somente dois atores participaram da gravação. Já em ‘Dois Perdidos numa Noite Suja’ o elenco é formado por dois atores, então foi um pouco mais fácil de ousar na readaptação. O que mais prezamos no processo, foi transmitir aos espectadores as mensagens que cada peça traz, o que a Cia Fulô de Mandacaru realiza no palco e o que público aguarda para assistir quando as apresentações da próxima edição do Deodoro é o Maior Barato voltarem a acontecer”, conta a atriz e coordenadora de Marketing da Cia, Jaqueline Tavares. Contudo, ainda há uma saudade imensa dos palcos, das reações do público e do calor do momento ao vivo. Eles confessam que nunca passaram tanto tempo sem apresentações, exceto quando ainda não eram profissionais da arte. “A saudade dos palcos é muita! Então, estamos ansiosos para voltarmos. Essa ansiedade tem nos feito pensar em muitos projetos para tirá-los do papel. Esse momento tem permitido pensar mais como podemos atrair mais público e mais visibilidade à Cia, como também desenvolver projetos em municípios onde o teatro não é acessível, criando mais pontes entre os atores do interior, como Arapiraca, de onde somos, e de outras localidades do Estado. Nessa atual situação, ousamos em fazer entrevistas em forma de live, com atores e atrizes de Alagoas, em uma quadro chamado Fulô em Casa; foram 18 artistas entrevistados, como Julien Costa, Paulo Cândido, Ivana Iza, Alberto Do Carmo, Homero Cavalcante e outras sumidades do teatro alagoano. Então, voltar aos palcos, depois de tanto tempo, e no Teatro Deodoro, é motivo de muito entusiasmo e honra”, disseram, em coletivo, os integrantes da Cia.
O projeto TDMB Virtual passeou por cinco artistas antes da Fulô de Mandacaru. As estreias dos vídeos ocorrem sempre às terças e quintas-feiras e ao total serão 13 projetos apresentados.
A FULÔ DE MANDACARU DE ARAPIRACA
A Companhia Fulô de Mandacaru tem o diferencial de ter sido fundada depois de ter um texto próprio consolidado. Desenvolvido por Ítalo Souza com Jacyara Oliveira, em 2016, ele foi fundamental para os próximos passos, que seriam montar um elenco e fazer testes, a construção da Cia em si. Depois de muitos contatos e seleções, o grupo se apresentou pela primeira vez em agosto daquele ano. “A gente teve todo cuidado de montar o elenco, chamamos pessoas que não eram tão conhecidas no teatro, com talento enorme, mas que não tinham tanta oportunidade na cidade, no momento. Quando apresentamos o texto, todo mundo se apaixonou pela história e comprou a ideia. Em agosto, fomos selecionados no Aldeia Sesc, a nossa estreia foi nesse festival, em Arapiraca. Depois disso, a companhia rodou por Penedo, Maceió, fizemos mais de 20 apresentações em dois anos”, conta Ítalo Souza. O grupo é como uma segunda família dos membros, eles têm um com o outro o carinho de parentes. “Tem sido um prazer fazer parte da Fulô, tanto atuando, quanto na produção dos espetáculos, pensando em outras ideias. Depois de se apresentar algumas vezes em Arapiraca e em Penedo, a gente tentou passar na seleção do Teatro Deodoro é o Maior Barato e conseguiu. A sensação de estar no palco do Teatro Deodoro é uma honra, somos de Arapiraca e conseguir chegar aqui é motivo de muito orgulho. Para todo o elenco, é uma oportunidade de mostrar o talento. A gente agradece à Diteal por todo o carinho e possibilidade que estão nos dando”, diz Jaqueline Tavares. Com inspirações muito profundas na cultura popular nordestina, desde a composição do nome até referências para diálogos e vestimentas das peças, o grupo conta que deve maior parte dessa estrutura a ilustres nordestinos, de Ariano Suassuna a Alceu Valença. “A arte é universal, e através dela tentamos levar a nossa cultural nordestina: nossas crenças, dialeto, músicas, culinária e literatura. Nossa cultura popular é riquíssima e pudemos beber de várias fontes, como Ariano Suassuna, onde temos referências ao Auto da Compadecida no ‘Segredo da Filha de Coroné’, como também de cordelistas como Patativa do Assaré, uma vez que essa peça é contada em versos. Na música temos Alceu Valença, Luiz Gonzaga, Dominguinhos e João do Vale, que retratam não somente a seca do sertão, mas sobretudo a beleza do Nordeste. Temos peças infantis com contações de histórias, e também trazemos ao público adulto lendas dos interiores do Nordeste” contam. O ator e presidente da Cia, Henrique Avlis complementa: “Nós estamos sempre produzindo cultura, levamos também espetáculos infantis, trabalhamos com peças de fora. Entre essas produções, tem o teatro de rua para levar cultura a quem mais precisa, trazemos para nós essa harmonia e sempre temos esse lugar que nos foi colocado”, revela.
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*Sob supervisão da editoria de Cultura