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Caderno B

PRONTOS PARA O PRÓXIMO

Com noite dedicada ao cinema produzido em Alagoas e debates sobre o audiovisual local, chega ao fim a 10ª edição do Circuito Penedo de Cinema

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Imagem ilustrativa da imagem PRONTOS PARA O PRÓXIMO
| Foto: Divulgação

A arquitetura barroca que compõe o Centro Histórico de Penedo serviu como cenário de um momento decisivo do 10º Circuito Penedo de Cinema: a Noite do Cinema Alagoano. Esse é o momento em que o aduivisual de Alagoas mostra todo o seu vigor e potencial parao público em geral e para os realizadores de todo país, que s eencontram no principal evento do cinema em Alagoas. Às margens do Rio São Francisco, em plena Praça 12 de abril, alguns dos curtas-metragens premiados na última Mostra Sururu de Cinema Alagoano, realizada anualmente em Maceió desde 2010, foram exibidos em praça pública. Dentre eles, filmes que já circularam por festivais de todo o país: Nas Quebradas do Boi, do diretor Igor Machado; Tambor ou Bola, de Sérgio Onofre; O Branco da Raiz, de Anderson Barbosa; e Ilhas de Calor, de Ulisses Arthur. Após as projeções, as produtoras Amanda Môa e Maysa Reis falaram ao público sobre a iniciativa já tradicional da sessão com os vencedores e a importância da Mostra Sururu como janela para o cinema local há 11 anos. De acordo com elas, foram mais de 70 curtas inscritos neste ano e 30 selecionados para compor uma programação inteiramente gratuita, que acontece entre 14 e 19 de dezembro em formato on-line. Também participaram da noite os realizadores do filme Cavalo, os diretores Werner Salles e Rafhael Barbosa, que subiram ao palco acompanhados de parte do elenco e da equipe de produção. Em meio ao time, o ator Alexandrea Constantino ressaltou a importância de ter a identidade alagoana iluminando a tela comunitária para executar um movimento, em suas palavras, de “mostrar a potência afroindígena no Brasil”. Cavalo, sem dúvidas, traz o brilho dessa potência ao mesclar caminhos ficcional, documental e experimental no ensejo de mostrar como a ancestralidade atravessa a contemporaneidade. Sob essa perspectiva, o corpo é elemento central da narrativa poética do longa-metragem, funcionando como vetor para explorar as simbologias do arquétipo do “cavalo” por meio de performances que refletem o devir da mente humana, da vida e do processo artístico da própria obra. Nesse sentido, o diretor Rafhael Barbosa explicou: “Fizemos um estudo do arquétipo do ‘cavalo’, aquele que incorpora no contexto das religiões de matrizes africanas, e ampliamos o olhar para entender seu significado em outras culturas”. Já Werner Salles, deixou claro que, para isso, os recursos de direção consistiram muito mais em observação do que intervenção: “O contato com as histórias das personagens transformou o roteiro do filme. A intuição foi o guia. Somos todos cavalos nesse processo”, declarou. Werner ainda destacou a necessidade de políticas públicas de financiamento à arte no país, facilitadoras da produção que se destaca como primeiro longa produzido mediante edital em Alagoas. Em grande medida, essas ações de fomento à cultura e descentralização de recursos servem para levantar debates urgentes em nosso tempo, como salienta Rafhael: “Num momento em que a intolerância religiosa e os diversos preconceitos avançam de maneira preocupante no país, ‘Cavalo’ é um grito poético que deve reverberar”, assegura. De fato, os ecos do filme já podem ser ouvidos sob diversas partes do mundo, com repercussão pela Mostra de Cinema de Tiradentes (MG), o Festival Internacional de Cinema de Curitiba e o Los Angeles Brazilian Film Festival — para citar apenas alguns dos muitos eventos onde a obra foi selecionada ou exibida. Pouco antes da projeção do longa, o bate-papo foi aberto ao público e o ator Matheus Nachtergaele, presente na plateia como convidado do Circuito, lançou um questionamento aos realizadores que os permitiu encerrar o debate da Noite do Cinema Alagoano de maneira precisa. Nachtergaele quis saber como o estado de Alagoas situa-se no contexto da emblemática produção audiovisual nordestina, ao que os diretores responderam com a propriedade de quem desenha contornos definitivos para o horizonte do cinema local.

Segundo Werner e Rafhael, a cena audiovisual alagoana da última década foi decisiva para erguer uma produção forte e consolidar uma identidade própria, a qual o filme vem acentuar. Na opinião deles, o momento proporcionado em Penedo é decisivo para a constituição de um movimento artístico robusto no estado, em que Cavalo certamente tem lugar de destaque e contribuição pioneira.

NOITE DE PREMIAÇÕES

No domingo (29), ocorreu a solenidade e festa de premiação dos curtas-metragens vencedores nas tradicionais mostras competitivas. Em estrutura montada na Praça 12 de Abril, o ator alagoano Chico de Assis conduziu a cerimônia, que marcou o encerramento do evento. No 13º Festival do Cinema Brasileiro de Penedo, o documentário A Morte Branca do Feiticeiro Negro, dirigido por Rodrigo Ribeiro (SC), foi o grande premiado em escolha do júri oficial, composto pelo professor de Comunicação Bertrand Lira, a cineasta Ceci Alves e o produtor audiovisual Heleno Bernardo Campelo. O mesmo júri ainda dedicou três menções honrosas a outros filmes; foram eles: o paranaense Apneia (Carol Sakura e Walkir Fernandes), o pernambucano Cinema Contemporâneo (Felipe André Silva) e o paulista Perifericu (Nay Mendi, Rosa Caldeira, Vita Pereira, Stheffany Fernanda). De outro lado, a votação do público, que funcionou pelo site oficial do Circuito, onde todos os curtas puderam ser assistidos na íntegra, elegeu Egum, do diretor carioca Yuri Costa, como melhor filme do Festival do Cinema Brasileiro. Já no 10º Festival de Cinema Universitário de Alagoas, o produtor Alexandre Soares, a roteirista Carollini de Assis e o jornalista Thiago Marques selecionaram como ganhador o curta Reduto, dirigido pelo mineiro Michel Santos. Com as menções honrosas, ficaram os alagoanos A Barca (Nilton Rezende) e A Três Andares (Bruna Teixeira). Enquanto isso, o voto popular escolheu Segue o Baile, dos cariocas Iury Santos e Gabriel Ribeiro. Por último, a 7ª Mostra Velho Chico de Cinema Ambiental, com comissão julgadora composta pelos biólogos Camilla Porto e Cláudio Sampaio e pelo produtor audiovisual Devyd Santos, teve como maior vencedor o documentário carioca 2019: O Ano em Que a Impunidade Virou Regra, dirigido por Tiago Galan. Já com menções honrosas, ficaram o potiguar A Tradicional Família Brasileira — Katu (Rodrigo Sena) e os pernambucanos O Menino Que Tinha Medo do Rio (Marcos Carvalho) e Quando a Chuva Vem? (Jefferson Batista). Em contrapartida, o curta preferido pelo júri popular foi Castanhal, dirigido por Marques Casara e Rodrigo Simões Chagas (SP).

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