Caderno B
UM PALCO CENTENÁRIO E DIGITAL
Em ano atípico, artistas usaram palco do Teatro Deodoro para manter arte alagoana em evidência
Parecia um ano normal, havia uma agenda de editais, projetos e eventos a ser cumprida, as atividades foram iniciadas com entusiasmo nos teatros Deodoro, de Arena Sérgio Cardoso e no Complexo Cultural Teatro Deodoro, administrados pela Diretoria de Teatros do Estado de Alagoas (Diteal). Em janeiro deste ano, foi aberto o edital do Teatro Deodoro é o Maior Barato para selecionar 15 espetáculos a serem apresentados na 21ª edição, que iria de abril a julho, e, em fevereiro, duas exposições entraram em cartaz: Carnelevarium II – Prazeres da Carne e Narrativas Poéticas, do Foto Sururu 2020. A mostra Carnelevarium II recebeu 849 visitantes e um total de 257 escolas. A Narrativas Poéticas chegou a um público de 143 pessoas. Mas as duas mostras tiveram as visitas interrompidas no meio do percurso, assim como todas as atividades presenciais realizadas nos palcos dos teatros Deodoro e de Arena Sérgio Cardoso, além do Complexo Cultural Teatro Deodoro, foram suspensas, por meio de um decreto estadual, devido à pandemia da Covid-19, que assolava o estado. O Teatro Deodoro é o Maior Barato estrearia em 01/04 com 15 apresentações, entre teatro, dança e música, de espetáculos selecionados no edital. Projetos, como o Quinta no Arena, programação do Dia Alagoano do Teatro, aniversários dos teatros e as exposições, a exemplo da mostra comemorativa aos 50 anos de carreira da artista Lu Azul, foram adiadas para quando o trabalho presencial estiver liberado. A partir de então, a instituição passou a entrar em contato com artistas e produtores para conversar sobre a situação e adiar os eventos. Foram vários adiamentos e cancelamentos, com a devolução do dinheiro pago pela locação dos espaços a quem solicitou. Após esse trabalho, a instituição deu início à produção de uma série de minidocumentários apresentando alguns de seus projetos e parceiros. Foram exibidos 12 vídeos: Dia Alagoano do Teatro; três anos do programa Jazz Panorama ao vivo em parceria com o Clube do Jazz de Maceió e Juan Maurer; História da Galeria de Artes do Complexo Cultural Teatro Deodoro; Especial de São João com Chau do Pife, Xameguinho, Xexéu e Patativa; A Percussão de Wilson Santos; Aniversário de 48 anos do Teatro de Arena Sérgio Cardoso; Emília Clark: Dança e Socialização, parceira da Diteal no projeto de formação “Ballet a Serviço da Educação”; A Arte da Palhaçaria com o grupo Clowns de Quinta; Natasha Wanderfull: Arte e Militância; Diego Bernardes: Aiê Orum; Trupé, Coco e Embolada, de Jurandir Bozo; e projeto Quartas Eruditas, realizado em parceria com o Instituto de Cultura Ero Dictus.
A arte continuou ganhando novos espaços. A mostra Narrativas Poéticas foi disponibilizada no canal do Youtube e uma exposição se voltou para o lado de fora do Complexo Cultural Teatro Deodoro: a coletiva Amostra Grátis. Com 26 artistas, todos participantes da primeira e segunda edições da mostra, expôs em cerca de 30 banners imagens ampliadas das obras dos artistas, entre pinturas e desenhos, voltadas para a rua, aproveitando a arquitetura propícia do Complexo Cultural Teatro Deodoro, projetado pela arquiteta Marta Nogueira, com sua fachada de vidro. O registro das obras foi do repórter fotográfico Pablo De Luca. Quem passava pela Praça Deodoro podia contemplar a arte.
Com curadoria de Viviani Duarte e Rosivaldo Reis, a exposição apresentou trabalhos dos artistas Eva Le Campion, Lú Azul, Salles, Dênis Mattos, Orlando Santos, Frédérique, Mônica Torres, Marcos Aurélio, Persivaldo Figueirôa, Dalton Costa, Myrian Almeida, Teresa Lima, Chico Viveiros (In Memoriam), Myrna Maracajá, Agélio Novaes, Alex Barbosa (In Memoriam), Eva Cavalcante, Hércules Mendes (In Memoriam), Lula Nogueira, Maria Amélia Vieira, Marcus Plech, Paulo Caldas, Pedro Cabral, Solange Chalita, Tânia Pedrosa e Violeta Plech.