Caderno B
NOVO MUSEU RESGATA HISTÓRIA DA JUSTIÇA EM ALAGOAS
Centro de Cultura e Memória do Poder Judiciário de Alagoas contribui para a compreensão da formação do Estado
Inaugurado na quarta-feira (13), o Centro de Cultura e Memória do Poder Judiciário é o mais novo museu da capital alagoana e contribui para salvaguardar um acervo que certamente ajudará os futuros visitantes a compreenderem como o Estado de Alagoas se formou e se mantém como é. O espaço funcionará no prédio centenário do judiciário, na Praça Marechal Deodoro, em Maceió. Na inauguração, que contou com a presença de diversas autoridades, como o prefeito JHC, uma projeção mapeada, realizada pelo Núcleo Zero, impressionou os visitantes e também o público que acompanhou a solenidade pela internet. A entrega do Centro Cultural foi o marco final da gestão do desembargador Tutmés Airan de Albuquerque. ‘’Acho que é uma obra muito significativa porque é reveladora. Ela revela uma parte importantíssima da história de Alagoas e do Brasil sobre a ótica dos juízes, ou seja, sob a ótica de quem decidia. Nós temos aqui fatos marcantes que precisam estar registrados e precisam se transformar em fatos inesquecíveis para que as próximas gerações aprendam com os nossos acertos e, sobretudo, com os nossos erros para não repetir no futuro. A ideia é de registro e por ser assim é pedagógica, porque, enfim, os homens precisam e devem aprender sempre’’, expressa o desembargador. Curador do centro cultural e responsável por grande parte do acervo, o magistrado Claudemiro Avelino falou sobre os mais de 10 anos de sua pesquisa e dedicação à história do Poder Judiciário alagoano e destacou a importância de salvar e repassar essas memórias. ‘’É um sonho antigo e nós finalmente conseguimos presentear a sociedade alagoana com esse espaço cultural vivo, dinâmico e que nós temos a pretensão de fazer crescer. Hoje não foi só o lançamento do centro de cultura, mas também o lançamento da obra literária resgatando a historiografia de todos os desembargadores que já atuaram no TJAL. São informações para mais de 100 anos, nós pesquisamos um a um, conseguimos as imagens de todos os desembargadores e um pouco da história desses homens que entraram nesta casa para fazer Justiça na Alagoas’’, revelou o juiz. Ao visitar o Centro de Cultura e Memória do Poder Judiciário, o público encontrará informações sobre a instalação da Corte e a construção do Palácio da Justiça, projetado pelo arquiteto italiano Luigi Lucarini e inaugurado em 1912. Há uma maquete em 3D do prédio, com conteúdos ativados de forma interativa. É a primeira vez que uma tecnologia como essa é usada em um museu de Alagoas.
SELFIES COM PERSONAGENS HISTÓRICOS
Totens multimídia oferecerão aos visitantes a possibilidade de consulta a fotos antigas, íntegra de processos raros e vídeos de entrevistas com estudiosos e pesquisadores do Judiciário. Um dos equipamentos permite que sejam feitas selfies com personagens históricos. “Temos um acervo interessantíssimo que poderá ser acessado pela população alagoana e pelos turistas também. Essa é uma obra que veio para ficar e que permite um passeio interativo por alguns dos fatos mais importantes da história de Alagoas”, comentou o presidente Tutmés Airan. O Quebra do Xangô registrado em 1912, quando houve invasão de terreiros de religião afrodescendente e prisão de líderes religiosos, é um dos acontecimentos relembrados pelo acervo do Centro de Memória.
DESDOBRAMENTOS JURÍDICOS EMBLEMÁTICOS
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O Centro de Cultura e Memória reúne ainda documentos e fotografias que contam um pouco dos mais de 300 anos de história da Justiça alagoana. Os visitantes podem conhecer desdobramentos jurídicos de casos emblemáticos na história de Alagoas, como o assassinato de Delmiro Gouveia (1917) e o impeachment do governador Muniz Falcão (1957). Para o presidente do TJAL, os museus e centros de memória têm como objetivo transformar acontecimentos relevantes em inesquecíveis. “Também fazem com que esses acontecimentos sejam fontes de aprendizado, para que a sociedade reflita sobre seus erros e acertos”, reforçou.