CAFÉ ARÁBICA
AUMENTO NO PREÇO DO CAFÉ NÃO FOI SENTIDO NAS CAFETERIAS DE MACEIÓ
Comprando grãos diretamente dos produtores, estabelecimentos conseguem manter o preço acessível
O famoso cafezinho, tão adorado por tantos alagoanos, sofreu aumento no preço do grão, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A saca de 60 quilos do café arábica começou na última segunda-feira (8), com alta de 0,19% no preço e é vendida a R$ 668,91 na cidade de São Paulo. Já o café robusta teve redução no valor. Em Maceió, segundo empresários, o aumento existe, mas não foi sentido no repasse final para os consumidores em cafeterias.
Para o empresário e especialista em café, Márcio Ribeiro, o aumento de 0,19%, se tratando de café commodities, que são matérias-primas produzidas em grande escala e que podem ser estocadas, não é tão relevante. “Se tratando de café commodities, um aumento de 0,19% é pouco, sendo apenas uma oscilação. Já a redução no robusta é esperada, considerando que ele é cada vez menos consumidos por amantes de cafés, por ser mais simples e com menos sabor”, disse o especialista.
“Isso falando de consumo normal, porque o robusta é mais utilizado em indústrias para fazer o café tradicional, que a maioria dos brasileiros consomem, daquelas marcas mais populares, por serem mais baratos mas não proporcionarem uma verdadeira experiência sensorial. Ele perde cada vez mais espaço, no mundo todo a venda é quase 70% arábica e 30% robusta”, explicou.
Ele contou ainda que o grão que trabalha em suas cafeterias é o arábica, mas não nesse valor, que se trata do café commodities, e que o mais decisivo na hora de passar ao consumidor é o frete na compra do grão. “Compramos diretamente dos produtores sem atravessadores, mas passam por um processo diferenciado desde a colheita manual e seletiva e no pós colheita. São cafés que iam pro exterior e hoje já ficam 12% para consumo interno. O que nos faz propriamente aumentar o preço para o consumidor é só o frete que pagamos na compra dos grãos”, destacou o empresário.
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AUMENTO POR VÁRIOS FATORES
De acordo com o economista, Jarpa Aramis, o aumento no preço do grão pode ter acontecido devido a vários fatores, entre eles, a alta demanda pelo produto. “Na economia nós temos a lei da oferta e da procura, que acredito que se espelhe muito aqui. Produtos de melhor qualidade a tendência é que as pessoas procurem mais por ele e, por consequência, o preço deles suba. Analisando por alto, porque são diversos fatores, esse pode ser o motivo do aumento”, disse.
“Quando tem pouco produto no mercado, e principalmente quando ele tem uma qualidade melhor, as pessoas seguem procurando e brigam por eles, mesmo que os valores estejam altos, o que faz com que eles aumentem mais ainda. Isso tudo, além da safra, porque o grão do café, assim como qualquer outro, possui momentos e momentos, ou seja, são vários fatores a se considerar”, contou o economista.
CLIENTELA
Os amantes de café não deixam de procurar o produto, estando ele mais caro, ou mais barato, como é o caso Arconço Teixeira, que não enxerga aumento nas cafeterias desde a reabertura. “Eu gosto de consumir cafés especiais nas próprias cafeterias, e com a pandemia eu diminui muito as minhas idas, porém, depois da reabertura, passei a ir novamente. Como os preços não aumentaram muito aqui em Maceió, o meu consumo continuou normalmente, porque eu senti que as cafeterias queriam sim segurar os seus clientes e voltar com as vendas”, relatou.
“Em casa, o meu consumo aumentou, passei a trabalhar em home office e a tomar mais café, só que como bom amante da bebida, nunca parei de consumir. É algo que não dá pra fugir. O aumento dos preços vai variando de acordo com as safras e o consumidor vai tendo que se adaptar a isso.”