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Caderno B

Sem apoio, Estado pode perder acervo histórico dedicado à música alagoana

Colecionador Claudevan Melo diz que gestores não demonstraram interesse pelo material

Por Thauane Rodrigues* ESTAGIÁRIA | Edição do dia 02/04/2022 - Matéria atualizada em 01/04/2022 às 14h47

 

Foto: Cortesia
 


Com um acervo repleto de discos de cera, partituras, revistas e gravações raras que preservam a historicidade da música alagoana, o colecionador Claudevan Melo, após dois anos preparando o tesouro musical para trazer para Alagoas, lida atualmente com o descaso governamental. Segundo ele, a busca por apoio para preservar o tesouro resultou em frustração.

São quatro toneladas de obras importantes do patrimônio musical do estado, muitas desconhecidas pela sociedade alagoana, adquiridas durante 46 anos de investimento e pesquisa. Claudevan Melo relata sua tristeza ao perceber o “pouco caso” dos líderes das pastas ligadas à Cultura no Estado.

De acordo com o colecionador, o primeiro contato com o governo do Estado aconteceu em 2017, durante as comemorações dos 200 anos de Alagoas, porém, nada aconteceu e “toda a conversa foi em vão”.

“Estive aqui em 2017, por conta da celebração do bicentenário do Estado, entrei em contato com o governador [Renan Filho] e a secretária de cultura, falei sobre o acervo e toda a riqueza dele, que é composto 70% por obras alagoanas, mas, mesmo assim, eles não demonstraram nenhum interesse”, relembra.

Com o passar dos anos e a busca incansável por algum patrocinador que desejasse trazer o patrimônio para Alagoas, o memorista decidiu arregaçar as próprias mangas e trazer por conta própria o acervo.

Foram dois anos embalando e preparando sozinho todo o material para que ele chegasse em perfeita condição em Alagoas, com a expectativa - infelizmente frustrada - de que ao chegar, seria recebido de braços abertos pela gestão cultural.

“Ao chegar em Maceió e a Gazeta publicar a reportagem sobre o acervo, recebi uma ligação da pasta da cultura municipal, que durante o primeiro contato mostrou total interesse em patrocinar e abrigar o acervo dentro do Palácio da Cultura”, conta Claudevan. 

“A proposta era de receber o acervo e eu gerenciá-lo, porém, após 20 dias recebi a notícia de que o assunto não seria mais tratado com a gestora e fui passado para outra pessoa. Realizei outra reunião, mas não foi produtiva, há o interesse, mas não se mostra condições de que aquilo vai para frente. Não há interesse nenhum de Alagoas!" 

Segundo o colecionador, mesmo enviando as medidas necessárias para o local que iria receber o patrimônio, há mais de um mês não existe mais nenhuma conversa e nem respostas de qualquer ente da administração pública.

Desanimado, Claudevan está sondando outros locais que possam receber o acervo, inclusive fora de Alagoas. Até o momento, houve um contato com a Fundação Joaquim Nabuco, no Recife (PE), mas nada foi concretizado ainda.

O colecionador, no entanto, relata que não tentará novamente contato com os gestores alagoanos, pois, segundo ele, tratam a cultura de uma maneira “muito simplista”.

Fã da musicalidade, Claudevan Melo afirma que é de suma importância manter o acervo para Alagoas, para que ele possa divulgar a história de grandes músicos alagoanos que gravaram sucessos que nunca foram conhecidos pelo estado.

“Muitos artistas não produziram obras em Alagoas, então, não se tem absolutamente nenhuma dessas obras aqui, devido ao período restrito da época de gravação. Trazer esse material é rememorar os nomes de grandes alagoanos que estão apagados” finalizou Claudevan.

Em reportagem da Gazeta de Alagoas, publicada em janeiro deste ano, Claudevan detalha o acervo.

“São gravações raras, como a de maestro Fon Fon realizada na Inglaterra e na França entre 1948 e 1951. Exemplares únicos de partituras de Alfredo Leahy, Tertuliano, Sizino Barreiros, Tavares Figueiredo, Misael Domingues e Hekel Tavares. – Entre muitos outros. Adquiri todos os discos gravados no Brasil e nos EUA pela cantora Thelma Soares, que foi revelada por Vinicius de Moraes em 1962”, diz trecho da reportagem, que também destrincha outros tesouros do acervo, como partituras de Hekel Tavares e gravações do lendário Jararaca.

A reportagem solicitou posicionamento da Secretaria de Estado da Cultura, mas, até o fechamento desta matéria, não obteve retorno.


*Sob supervisão da editoria de Cultura

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