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Caderno B

SALVE O ARTE PAJUÇARA

Sem apoio, último cinema de rua de Maceió recorre à vaquinha virtual para não fechar as portas; saiba como ajudar

Por Maylson Honorato e Thauane Rodrigues | Edição do dia 17/05/2022 - Matéria atualizada em 17/05/2022 às 17h39

 

Foto: Reprodução
 


Quase uma década após reabrir de forma independente e prestes a completar 40 anos, o Centro Cultural Arte Pajuçara, último cinema de arte de Maceió, anunciou que pode fechar as portas por causa de dívidas de aluguel. O local está promovendo uma campanha de arrecadação para garantir os recursos. A mobilização, agora, também chama atenção para a falta de apoio.

Para colaborar, basta acessar o site “vakinha.com.br/vaquinha/ajude-o-arte-pajucara”. Por lá é possível contribuir e saber detalhes das recompensas pela ajuda ao cinema local. Também é possível doar qualquer valor via PIX, a chave é: 2848169@vakinha.com.br. 

Trata-se de um espaço tradicional que resistiu à pandemia de Covid-19, que provocou o fechamento de várias salas de exibição importantes pelo país. De acordo com a direção do Centro Cultural Arte Pajuçara, a sobrevivência aos quase dois anos de portas fechadas só foi possível por causa da Lei Aldir Blanc.

Agora, como reflexo do longo período sem atividade, o estabelecimento passa por uma ordem de despejo em decorrência de uma dívida de aluguel acumulada entre 2015 e 2018, cobrada com juros e correção. 

Localizado na orla de Pajuçara, o espaço abriga uma sala de cinema, um auditório e uma galeria de arte. Com o passar do anos, tornou-se um ponto de encontro de consumidores e produtores de cultura, sendo o responsável por acolher eventos importantes, principalmente para o universo do audiovisual. 

Após tentativas de negociação em torno de um parcelamento da dívida de aluguel, sem sucesso, a única forma de manter o espaço aberto, segundo a direção, é quitando a dívida à vista.

“Por isso fazemos um apelo urgente: colaborem para salvar o espaço que é um símbolo de resistência cultural e vem formando gerações de cinéfil@s há mais de 40 anos”, publicou o perfil oficial do espaço nas redes sociais. 

 

Foto: Reprodução
 


CASA DO AUDIOVISUAL

Para Maysa Reis, pesquisadora e realizadora audiovisual, o Arte Pajuçara é a casa do setor audiovisual alagoano e pensar em um possível fechamento é vivenciar um momento de luto. 

“Lá é o local onde nós podemos ter acesso a filmes que não chegam no cinema do shopping, mas que estão no circuito cinematográfico do mundo, onde acompanhamos produções de diretores que são referências. Esse risco de perder nossa casa é, infelizmente, sempre iminente e triste, pois o Cine Arte é lugar que nos acolhe.”

Frequentadora assídua do espaço, a produtora cultural Sal Bernardo afirma que o sentimento diante da falta de apoio ao Centro Cultural Arte Pajuçara é de abandono e tristeza.

“É triste ter mais uma vez a certeza de que nossos governantes não valorizam a cultura e a arte alagoana. Sem o Arte Pajuçara não vamos mais saber onde assistir os filmes de arte, onde faremos nossos encontros, saraus, mostras... a cidade tem outros aparelhos, mas são elitizados e não tem a nossa cara”, diz ela. 

Marcos Sampaio, gestor do Centro Cultural Arte Pajuçara, diz que fechar o espaço significa perder um polo de circulação e difusão da cultura alagoana, o único cinema de arte, que vem formando gerações de cinéfilos, e onde a produção alagoana é exibida.

A vaquinha para colaborar com a continuação do legado foi aberta na segunda-feira (16), pelas redes sociais do espaço, e tem sido bem recebida pelo público.

“Iniciamos a campanha e a mobilização do público tem sido surpreendente. Além de contribuir, sentimos o quanto as pessoas entendem a importância do espaço e querem a sua manutenção”, diz Marcos Sampaio, o Marcão.

Ainda segundo ele, manter o espaço não é fácil, pois os apoios nunca são constantes e, atualmente, não existe nenhuma instituição que garanta os custos da manutenção.

Com um preço popular e com 50% do valor arrecadado pelo Cine Arte sendo utilizado para pagar os direitos dos filmes exibidos, Maysa Reis ressalta a tristeza de pensar na perda da casa do audiovisual de Alagoas. 

“É entristecedor pensar que a gente pode perder esse espaço de acesso ao cinema, com um valor mais barato, o último cinema de rua de Maceió. A sobrevivência do Arte Pajuçara é uma guerra do setor audiovisual e do cenário cultural como um todo”, disse Maysa. 

Os interessados em colaborar com a manutenção do Cine Arte podem doar de R$ 20 a R$ 2 mil, por meio de uma vaquinha virtual. Após fazer a contribuição, a pessoa deve enviar o comprovante para o e-mail artepajucara@gmail.com. Quem contribuir com a manutenção do espaço poderá garantir benefícios.

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