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Nº 5718
Caderno B

Memória de músico alagoano Jacinto Silva é revivida por artistas

Livro e CD sobre Jacinto Silva homenageiam mestre alagoano e querem apresentá-lo às novas gerações

Por Thauane Rodrigues* | Edição do dia 09/01/2023 - Matéria atualizada em 09/01/2023 às 16h09

 

Foto: : Divulgação/Cortesia
  
Misturando música com literatura e rememorando as obras e a vida de Jacinto Silva, o cantor e compositor alagoano que é um dos principais representantes do coco de roda do Nordeste, o lançamento do CD ‘Sincopadamente Jacinto’, de Mel Nascimento e Herbert Lucena, e do livro ‘Jacinto Silva: as canções’, de Luciano José, ocorre neste sábado (7), no bairro de Jaraguá, a partir das 19h.

Ícone da música brasileira, o alagoano de Palmeira dos Índios era o último discípulo de Jackson do Pandeiro e mestre na arte da improvisação. O artista faleceu em 2001, deixando um legado de aproximadamente 200 composições. Unidos pela paixão pela música, Mel Nascimento e Herbert Lucena resolveram colocar em prática, em 2017, o projeto que tinha como objetivo manter viva a memória de Jacinto.

Depois de diversos shows juntos, os artistas perceberam que era o momento de lançar um álbum, porém, com uma leitura diferente do coco de roda e do jazz. Mel Nascimento conta que iniciou o processo de curadoria das músicas para o CD foi um garimpo compensador.

“Após o garimpo, que para nós se tornou fácil, já que a lista de músicas escolhidas foi praticamente igual, nos debruçamos na escolha dos tons, já que nossos timbres são diferentes e não dava pra distanciar demais. Esse processo aconteceu em Recife, viajamos para Caruaru e iniciamos os trabalhos em estúdio. Vieram as guias, percussão, baterias, harmonias, vozes, vocais, até chegar na mixagem e masterização”, relembrou.

A partir disso, o projeto teve uma pequena pausa e retornou no final de 2022, com todo gás e vontade de fazer dar certo, de acordo com Mel. Mesmo sendo originalmente do samba, a artista conta que desde que embarcou na história de Jacinto passou a utilizar as síncopes do coco dentro do samba e o balanço do samba dentro do coco, buscando novas formas para seu trabalho.

“Esse projeto tem grande valia para o meu trabalho, já que foi através dele que toquei a obra de Jacinto de forma mais densa, uma obra inesgotável de um alagoano singular. Eu sou do samba, um ritmo da música negra, assim como o coco. Como trabalho com projeto de pesquisa, numa espécie de encadeamento, não foi difícil encontrar similaridades entre os dois gêneros. Acho que falar de música alagoana e não tocar a obra de Jacinto é um erro!”, afirma.

O álbum já lançado em Recife, a cidade de Herbert Lucena, conta com composições consagradas pelo próprio Jacinto, alguns sucessos dele na voz de outros artistas, além de uma música inédita, registrada por Jacinto num gravador de fita K7 caseira. A voz do mestre do coco, gravada nessa fita, foi digitalizada, tratada e inserida no disco.

“Teremos Jacinto, Mel Nascimento e Herbert Lucena cantando uma música inédita do mestre alagoano, com arranjos modernos que, com certeza, será um dos grandes trunfos deste disco. É preciso, mais do que nunca, resgatar os valores culturais de nossa gente, revisitar, fazer novas leituras e trazer à tona a obra de Jacinto Silva. É importante e salutar mostrar a beleza da obra desse grande gênio alagoano às novas gerações e é essa a principal missão do projeto”.

NA LITERATURA

 

Foto: Érika Santos
  
A história de Jacinto Silva também será relembrada no livro ‘Jacinto Silva: as canções’, do escritor Luciano José. O livro teve suas duas primeiras edições lançadas em 2013, mas não satisfez o escritor, que continuou a pesquisar e reunir informações sobre Jacinto Silva.

Luciano José revela que a inquietação do livro surgiu após ter ido trabalhar e morar em Palmeira dos Índios, e depois a leitura da reportagem ‘Jacinto Silva, muito prazer’ assinada por Lelo Macena e publicada no jornal Gazeta de Alagoas. Após isso, o escritor resolveu desenvolver um trabalho sério, fora do âmbito acadêmico, que pudesse contribuir com a autoestima da cidade, revitalizar a obra desse artista alagoano pouco conhecido/valorizado em Alagoas, e mostrar às novas gerações que o gênero ‘forró’ possui identidade e não se confunde com qualquer coisa.

“Fiz uma seleção das músicas compostas por Jacinto, sozinho e/ou em parceria, depois comecei a transcrever as letras porque na época não se encontrava nada na rede. Em seguida, comecei a pesquisar nos jornais de época, entrevistar os parentes e parceiros musicais, até que foi ficando redondinho”, relembra.

De acordo com ele, quem leu o livro anteriormente vai notar que a nova edição está mais caprichada. Além de mais informações, o leitor também encontrará um QRcode para ter acesso aos arquivos de áudios e ler ouvindo o artista cantar.

O escritor ainda ressalta que considera Jacinto Silva o maior cantador de coco de Alagoas e afirma que é preciso revitalizar o gênero coco, tão desgastado e desvalorizado pelo tempo.

*Sob supervisão da editoria de Cultura

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