Caderno B
ALAGOAS CAI NA FOLIA E FESTA AGITA CAPITAL E INTERIOR
No primeiro carnaval após período de reclusão em decorrência da pandemia, foliões voltam às ruas com sede de festa e celebrando a vida
Ocupar as ruas com festa parecia algo distante da realidade dos alagoanos nos últimos dois anos, período no qual o mundo vivenciava o momento mais crítico da pandemia de Covid-19. Agora, foliões lotam os bloquinhos, os shows, capricham nas fantasias para reivindicar a alegria nas avenidas ao som do frevo e dos ritmos brasileiros que fazem do carnaval a maior festa popular do mundo. Da capital ao interior do Estado, programações recheadas e o grande número de blocos mostram que o carnaval voltou com toda força e mergulhou Alagoas em folia.
A programação de festas começou ainda em janeiro, com as prévias carnavalescas, cujo ápice foi no último fim de semana, quando 60 mil foliões lotaram as ruas no Jaraguá Folia e o Pinto da Madrugada levou 400 mil pessoas à orla de Maceió. Na capital, a festa continua, tanto no bairro histórico de Jaraguá quanto na orla, e nos bairros Benedito Bentes, Fernão Velho, Pontal da Barra e Ipioca. Nesses polos haverá shows, orquestras de frevo em pontos estratégicos e desfile de blocos.
Amante da folia, Carlito Lima é um dos alagoanos que está transbordando alegria com a volta da festa. Criador do Bloco Nêga Fulô, que irá desfilar neste domingo (19), o folião está empolgado para botar novamente seu bloco na rua e viver intensamente os dias de Momo.
Este ano, o bloco homenageia os 130 do poeta Jorge de Lima e também a bailarina e carnavalesca Eliana Cavalcante. Seguindo o costume de não ser adepto das cordas, Carlito Lima ressalta que o bloco é aberto para todos.
“Estou muito feliz em retornar para a avenida com meu bloco Nêga Fulô. Foi muito triste ficar sem aproveitar o carnaval durante a época da pandemia. O carnaval é uma festa popular, democrática, rico e pobre curtem juntos, e mais uma vez estaremos juntos tocando muita marchinha e frevo”, diz ele.
Para o folião, a festa de Momo é a alegria do povo e movimenta diversos setores, principalmente o econômico. De acordo com Carlito Lima, o carnaval é um grande negócio, a síntese da chamada economia criativa, pois, é durante a folia que os pequenos comerciantes, ambulantes, taxistas, pousadas, hotéis ganham seu dinheiro.
“Fazer carnaval gera renda para a cidade, ele é a nossa verdadeira economia criativa, todos os empreendedores, fazedores de cultura, foliões movimentam a economia local. Carnaval é necessário e viável”, afirma.
Não é de hoje que alagoano defende e luta pela resistência e permanência do carnaval de rua. Incomodado com os mais de 15 anos que Maceió passou sem ter a energia da festa de Momo ganhando as ruas, Carlito Lima, em 2016, pôs em ação o desejo de colocar um bloco na rua e fez ressurgir a alegria carnavalesca para além das prévias, durante os quatro dias em que todo o Brasil celebra.
“Maceió ficou mais de 15 anos sem carnaval de rua, após um antigo prefeito decidir acabar com a festa e eu nunca admiti essa ideia esdrúxula. Lutei muito contra esse pecado com o povo da cidade, fui à televisão, rádio, dei entrevistas em jornais. Até que em 2016, solitariamente, criei, com amigos, o Bloco da Nêga Fulô que, sozinho, desfilou no domingo de carnaval. Em 2017, já aumentou com mais dois blocos: o Mamãe eu Quero e o Siri Mole, cada carnaval foi crescendo. Em 2020 fizemos um carnaval na Orla da Ponta Verde durante os 4 dias de carnaval, com 34 blocos. Pena que logo depois veio a pandemia”, relembra Carlito Lima.
“Eu nasci dia 27 de fevereiro de 1940 bem pertinho do carnaval. Meus pais gostavam de carnaval. Aproveitei os carnavais de minha juventude e quero seguir aproveitando. Estamos com tudo pronto para sair na avenida, será uma homenagem muito bonita e merecida para Eliana Cavalcante e Jorge de Lima”, conclui o folião e pesquisador.
Confira abaixo a programação da folia em Maceió. Nos bairros Pontal e Ipioca, orquestras de frevo e bandas de axé se apresentam todos os dias, a partir das 18h.