ENCANTO DOS PASSARINHOS
Espetáculo homenageia Mestre Verdelinho no Teatro de Arena
Objetivo do show é dá um recado: o coco alagoano resiste e não está apenas no passado
A cantoria de coco, que tanto diz sobre Alagoas, promete rolar solta e encantar o público que comparecer ao espetáculo “Encanto dos Passarinhos”, que é a atração do Teatro de Arena, em Maceió, no dia 11 de junho, a partir das 17h30. O espetáculo, idealizado pelo grupo Comunidade Azul e seus mestres, Os Verdelinhos, faz uma homenagem ao artista Mário Francisco de Assis, mais conhecido como Mestre Verdelinho, mostrando que seus ensinamentos seguem atuais, inspirando uma nova geração de brincantes e perpetuando o saber, o jeito alagoano de fazer coco.
De acordo com a produção, o espetáculo é concebido numa proposta que visa enaltecer a memória do Mestre Verdelinho, trazendo à tona sua importante contribuição à continuidade do coco entre as novas gerações. Ao mesmo tempo, a realização é o resultado de um processo de sensibilização em que os participantes da Comunidade Azul vêm sendo estimulados a conhecer a história do coco alagoano. Durante diversas vivências e atividades formativas, foram tendo acesso a poéticas e repertórios musicais criados por Mestre Verdelinho, disseminados principalmente por meio dos seus herdeiros diretos, Os Verdelinhos.
A partir daí, desenvolveram o espetáculo de forma coletiva, apresentando um repertório autoral e também músicas de autoria do mestre homenageado. A atuação desses jovens no palco se configura como ápice de um processo de estímulo a seu protagonismo artístico, ao tempo em que também se apresenta como uma atividade de criação, formação e difusão da manifestação cultural do coco, dando continuidade a essa manifestação na sua diversidade de práticas, reafirmando que esse fazer não está no passado - pelo contrário.
Contemplado no prêmio de fomento às artes cênicas 2022, da Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa de Alagoas, o espetáculo tem direção cênica de Gessyca Geysa e direção de palco de Arnaud Borges. O show também contará com a participação de convidados especiais, como Mestre Jurandir Bozo, artista que partilhou a amizade de Mestre Verdelinho quando ele atuava nos palcos, e de Maria Helena dos Santos, esposa, companheira e brincante que esteve ao lado de Verdelinho durante muitos anos de sua vida.
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COMUNIDADE AZUL
A Comunidade Azul é um coletivo cultural localizado em uma das entradas da Grota do Poço Azul, no bairro Antares, na cidade de Maceió. Área periférica urbanacom altos indíces de pessoas vulneráveis socialmente. O grupo Comunidade Azul foi criado por Juliana Barretto e Daniel Ginga, em 2016, nas dependências da sua própria residência, local onde, ainda hoje, funciona sua sede.
A iniciativa surgiu do desejo de transformar a vida cultural dessa comunidade por meio da expressão alagoana de culturas populares e grupos percussivos, como instrumento pedagógico para abordagem de temas pertinentes à qualidade de vida, educação, saúde e lazer.
O intuito é colaborar com a democratização do acesso à fruição e à produção artística e cultural de Alagoas. Atualmente, o grupo realiza aulas de capoeira e coco de roda (musicalidade), atendendo de forma voluntária crianças e jovens, na faixa etária entre 6 e 21 anos.
OS VERDELINHOS
Apaixonado pela brincadeira do coco, Mestre Verdelinho transmitiu seu saber para seus filhos e familiares. Esses, por sua vez, dão continuidade à arte do coco alagoano e suas emboladas, com a disseminação do conhecimento em apresentações e oficinas.
Os Verdelinhos é o grupo formado pelos descendentes do Mestre Verdelinho, dando continuidade, após seu falecimento, à brincadeira do coco, seja na cantoria, no trupé ou no verso. Iniciaram com o grupo Xetar, a convite do mestre.
Atualmente, se apresentam com a seguinte formação: Josenildo Santos de Assis, 39 anos, cantador de coco, compositor, dançador, instrutor de oficina de dança (trupé) do coco alagoano; Genilson Santos de Assis, 25 anos, cantador, compositor, dançador percussionista, brincante e amante da cultura popular ligado ao coco e ao guerreiro; Josemeire Santos de Assis, 41 anos, vocalista e tocadora de ganzá. Seu contato com o coco alagoano e outras brincadeiras folclóricas se deu na infância; Iris Maria Santos da Silva, 33 anos, cantora de coral da igreja. Cantadora e compositora de coco alagoano (pagode alagoano).