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Adaptação alagoana

Espetáculo "A Gota D'água" ocupa o Teatro de Arena neste fim de semana

Nova adaptação alagoana do clássico de Chico Buarque e Paulo Pontes provoca: somos todos oprimidos e opressores?

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Imagem ilustrativa da imagem Espetáculo "A Gota D'água" ocupa o Teatro de Arena neste fim de semana
| Foto: Romeo Produções

Intensa e retratando as relações entre oprimidos e opressores, o espetáculo teatral “Gota D’água”, uma livre adaptação do Centro de Pesquisas Cênicas da obra de Chico Buarque e Paulo Pontes, irá ocupar o palco do Teatro de Arena Sérgio Cardoso, nos dias 8 e 9 de julho, às 19h30.

Escrita em 1970, a obra é um marco da dramaturgia brasileira e, mesmo após tantos anos, segue trazendo dilemas da sociedade atual. ‘Gota D’água’ retrata a situação da Vila do Meio-dia e os abusos sofridos pelos moradores, mostrando uma relação de exploração entre as classes, além de abordar também a questão do adultério e outros dilemas morais.

Sob direção de Aldine de Souza, a adaptação alagoana foca na visão que a personagem Joana possui diante do adultério e a forma como as mulheres se apoiam e compreendem os sentimentos da personagem. De acordo com ela, foi criado um prólogo a fim de evidenciar os corpos dos atores e como eles sentem a música tema do espetáculo.

“É um espetáculo com estética bem apurada. A sonoplastia ao vivo deixa o clima bem intenso, a maquiagem evidencia os traços dos atores a fim de ressaltar sua dramaticidade, a cenografia é um show a parte... a responsabilidade é imensa”, diz a diretora.

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“Lidar com um dos dramas mais conceituados da dramaturgia brasileira traz um peso enorme. Mas, nada que uma boa equipe de produção, técnicos e um elenco que se entrega a cada encontro, a cada ensaio, não supra os nossos anseios artísticos”, completa Aldine.

Com um elenco formado pelos alunos da turma de nível intermediário II, Ana Cecília Silva, Danielle Alves, Fayonnir Cabral, Fernanda Esprícigo, Hyago Almeida, Kaliny Vitória, Lais Miranda, Luis Miguel, Pedro Salves, Renatha Emilly, Tissiane Lessa, Victor Rocha, Wanessa Cavalcante e Wanessa Oliveira, os estudantes de teatro se doaram intensamente durante cinco meses para fazer a peça nascer.

O ator Pedro Salves, que dá vida ao personagem ‘Jasão de Oliveira’ , conta que o processo de criação e montagem da peça foi um verdadeiro desafio, pois lidar com as ideias de Jasão foi difícil, já que se opõem à visão de sociedade saudável que carrega consigo.

“Apesar de ser uma adaptação de uma obra antiga, a temática é totalmente atual, retratando temas como racismo, política e igualdade de gênero. O espetáculo representa, para mim, um passo enorme na minha carreira profissional e nós trabalhamos muito por ele. Jasão de Oliveira me faz lembrar alguém que faz parte da minha vida. Será um espetáculo com drama, suspense, emoção e tudo aquilo que o teatro tem de melhor”, afirmou.

Victor Rocha, ator que interpreta o vilão Creonte Vasconcelos, também sentiu na pele o desafio de expressar a crueldade e maldade do dono da Vila do Meio-dia. Segundo Victor, o vilão oprime tudo aquilo que faz parte da sua realidade fora dos palcos.

“Já tive contato com outras personagens que tinham um quê de maldade, mas essa sem dúvida é a crueldade em pessoa, as outras tinham uma comicidade presente. A peça faz o público reconhecer em que lugar da sociedade está hoje, todos nós já pertencemos aos dois lugares, somos oprimidos muitas vezes, mas em muitas situações também somos o opressor. É um choque de realidade e mostra o quanto ainda precisamos evoluir como pessoas no meio social em que nos encontramos”, contou o ator.

Com altas expectativas, a atriz Tassiane Lessa, responsável por viver os dilemas da protagonista Joana, revela que o processo criativo do espetáculo a levou para uma imersão profunda na temática e na forma de olhar os acontecimentos da vida, para que dessa forma fosse possível encontrar a forma ideal de transmitir a mensagem da peça e a dor de Joana.

“Interpretar Joana me impacta profundamente, pois suas experiências e lutas ressoam com questões pessoais que já enfrentei e vejo muitas mulheres que enfrentam diariamente. Estamos ansiosos para compartilhar nosso trabalho com o público e esperamos que a peça possa impactar e emocionar a todos. É uma oportunidade única de transmitir uma mensagem importante através da arte”, diz.

A classificação indicativa do espetáculo é de 14 anos, os ingressos custam R$50,00 (inteira), R$25,00 (meia) e estão disponíveis com o elenco, na recepção da escola Cepec ou no Sympla, através do site: www.sympla.com.br/evento/a-gota-d-agua.

*Sob supervisão da editoria de Cultura

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