Livros que libertam
Instituições alagoanas lançam campanha de arrecadação de livros
Projeto "Livros que libertam" leva literatura e remição de pena para população carcerária
“Um livro é uma casa aberta para o mundo, sem portas ou janelas”. — É assim que o presidente da Academia Alagoana de Letras (AAL), Rostand Lanverly, diz enxergar o universo literário e todo o seu potencial para libertar quem faz da leitura um hábito. “Libertar das limitações físicas, pois lendo conseguimos viajar para além da nossa realidade”, completa o literato. Agora, no entanto, os livros podem libertar, literalmente, da prisão.
É que a Secretaria de Estado da Ressocialização e Inclusão Social (Seris), em parceria com o Poder Judiciário de Alagoas e a AAL lançaram uma campanha de arrecadação de livros para detentos do sistema prisional alagoano. A ação integra o projeto ‘Livros que libertam’ e foi oficializada na tarde de ontem (8), em solenidade na Casa Jorge de Lima, no Centro de Maceió. A iniciativa prevê remição da pena por meio da leitura.
Funciona assim: para cada livro que os custodiados lêem, quatro dias da pena são reduzidos. Mas não é apenas ler, o participante precisará participar de atividades educacionais e também comprovar que absorveu o conteúdo dos livros por meio de uma redação.
Os livros poderão ser doados de 8 a 28 de agosto, em vários pontos de arrecadação, como prédios do Poder Judiciário, sede da Seris, órgãos estaduais, shoppings centers de Maceió, além do estande da Academia Alagoana de Letras na 10ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas, que ocorreu no Centro de convenções entre os dias 11 e 21 de agosto.
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“O ser humano sente-se bem quando está pleno e realizado, então, é assim que nós nos sentimos hoje, principalmente quando falamos de fazer o bem aos menos aquinhoados, incluindo os que hoje estão privados da liberdade”, afirma Lanverly. O presidente da AAL lembra que as obras doadas devem estar em bom estado de conservação e podem ser de temas diversos, como literatura, autoajuda, entre outros, que passarão pelo crivo de uma equipe multidisciplinar.
Também estiveram presentes na solenidade: o secretário de Estado de Ressocialização e Inclusão Social, Diogo Teixeira; o presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), desembargador Fernando Tourinho; o juiz Alexandre Machado, da 16ª Vara Criminal de Execuções Penais de Maceió; o desembargador Celyrio Adamastor, supervisor do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário de Alagoas (GMF); os juízes Alysson Amorim e Diego Dantas, da 16ª Vara Criminal da Capital; Cláudia Simões, secretária de políticas de ressocialização da Seris; Leonardo de Moraes, presidente da Caixa dos Advogados, representando a Ordem dos Advogados/Seccional Alagoas, entre outras autoridades.
O PODER DA LITERATURA
O projeto alagoano segue o que preconiza a resolução Nº 391 do Conselho Nacional de Justiça, que visa promover a remição de pena por meio de práticas sociais e educativas em unidades de privação de liberdade. Todas as unidades prisionais de Alagoas já fazem parte do projeto, que beneficia 2.300 reeducandos. Com a nova campanha de arrecadação de livros, a meta é alcançar 100% dos custodiados, de acordo com o gestor da Seris.
“É uma felicidade muito grande, enquanto Secretaria de Ressocialização e Inclusão Social, participar de um programa como esse, que leva cultura, educação para as unidades e dá a oportunidade para aquele reeducando, que cometeu seu erro, foi julgado e está pagando sua pena, quando for reinserido na sociedade, voltar melhor”, reflete o secretário Diogo Teixeira.
“O governo do Estado se orgulha de ter uma Polícia Penal treinada, preparada, pronta para manter a ordem e a disciplina. Então, agora, após todos os investimentos do governo do Estado nesse sentido, estamos fortalecendo a ressocialização. O programa Livros que Libertam é um exemplo de iniciativa”, completa o gestor.
Para o presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), desembargador Fernando Tourinho, a iniciativa é essencial para promover uma oportunidade de ressocialização dos apenados em Alagoas.
“Satisfação grande em sermos parceiros neste programa, que vem encontrando alternativas para melhorar o nosso sistema prisional. Foi uma grande ideia, pois dá ocupação aos apenados, sendo uma forma também de nos preocuparmos com eles, porque é essencial que eles saiam melhores do que quando entraram no sistema prisional”, destacou.
Rostand Lanverly completa enaltecendo a ocasião em que instituições importantes se reúnem na Casa Jorge de Lima, da Academia Alagoana de Letras, para oficializar uma parceria e ampliar o alcance do projeto.
“Juntos, vamos fazer história. Este é um dos projetos de inclusão social mais importantes de Alagoas e até a nível nacional, em que uma academia de letras está participando. Trata-se de um presente para os apenados, mas principalmente para a sociedade. O livro é um amigo. Se cada presidiário ler um livro por mês, terá 48 dias de remissão de pena. Ele ocupa a cabeça, descobre outras possibilidades de existir no mundo e, quem sabe, começa a se interessar por literatura e escrever também”, torce o presidente da AAL.