NOVO DOC
Documentário ‘Ainda há moradores aqui’ será lançado em Maceió
Filme estreia em 25 de fevereiro, no Deodoro, e denuncia impactos da tragédia da Braskem na capital
A tragédia silenciosa que se abateu sobre Maceió ganha voz e imagem através do documentário Ainda Há Moradores Aqui, que estreia no dia 25 de fevereiro, no Complexo Cultural do Teatro Deodoro. Com entrada gratuita, a exibição será seguida por um debate com moradores das áreas atingidas e representantes de movimentos sociais. O filme de 42 minutos e 34 segundos reconstrói a luta dos afetados pela destruição provocada pela mineração da Braskem, expondo um dos mais graves desastres urbanos da história.
Dirigido por Tiago Rodrigues, o filme apresenta entrevistas com lideranças comunitárias, ambientalistas e pesquisadores, além de relatos emocionantes de quem perdeu suas casas e vê o futuro incerto. “Não tem como dizer que eu vivo feliz aqui. Ninguém mais vive feliz aqui”, lamenta José Claudio dos Santos, morador dos Flexais, um dos bairros afetados.
Para Rodrigues, a urgência do filme está na necessidade de manter viva a memória do que aconteceu e evitar que a tragédia caia no esquecimento. “Grande parte da população brasileira desconhece a dimensão e gravidade do caso Braskem. E o pior: quem conhece, já começa a esquecer. O filme quer impedir que isso aconteça, dando rosto e voz às vítimas desse crime perpetrado por uma grande mineradora”, afirma o diretor.
A escolha do título Ainda Há Moradores Aqui surgiu de uma pichação encontrada pelo diretor em um dos bairros afetados, uma frase que sintetiza a resistência das famílias que ainda vivem sob a sombra da destruição.
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O desastre começou em 3 de março de 2018, quando tremores de terra revelaram os efeitos catastróficos da extração desenfreada de sal-gema pela Braskem. A mineração descontrolada fez afundar uma extensa área de diversos bairros da capital alagoana, levando à remoção de mais de 60 mil pessoas de suas moradias.
Cinco bairros inteiros foram esvaziados, deixando para trás ruídos de abandono e memórias despedaçadas. O documentário se propõe a ser, simultaneamente, um ato de denúncia e de preservação histórica. “Essa história precisava ser contada para seguir viva. Esse também é o papel do cinema: ser retrato, ser denúncia, ser memória”, ressalta Rodrigues.