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'Guerreiros do Sol' , nova novela do Globoplay, estreia nesta quarta-feira

Sem economizar em cenas de ação, trama buscou inspiração nas histórias de Lampião e Maria Bonita

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Nova novela do Globoplay inspirada no cangaço estreia nesta quarta-feira
Nova novela do Globoplay inspirada no cangaço estreia nesta quarta-feira | Foto: Divulgação

Sob o sol que faz arder o sertão nordestino, uma disputa entre um coronel e um cangaceiro mancha a terra de sangue. Tiros voam de um lado para o outro, embora sejam apenas uma amostra mais óbvia de uma violência que toma diversas formas.

Armas são o menor dos problemas da protagonista de "Guerreiros do Sol", castigada pela miséria, a injustiça e as palavras disparadas pelos homens ao redor, num sertão em que a figura do "cabra macho", montado no cavalo e com revólver na cintura, é incontestável.

Terceira novela original do Globoplay, plataforma de streaming da Globo, a trama de 45 episódios estreia nesta semana construindo uma ponte entre as violências do presente e aquelas do sertão nordestino entre os anos 1920 e 1930, época em que Lampião e seu bando reinavam.

Ao seu lado, Maria Bonita também aterrorizava os sertanejos, num relacionamento com traços de abuso, segundo muitos pesquisadores, embora romantizado. Tornaram-se figuras míticas, um Bonnie e Clyde brasileiro, e agora inspiram o casal protagonista de "Guerreiros do Sol", Rosa e Josué – papéis de Isadora Cruz e Thomás Aquino.

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"O cangaço é um movimento muito ímpar, que só aconteceu naquele lugar, naquela época. Vimos ali a possibilidade de fazer um melodrama", dizem George Moura e Sérgio Goldenberg, autores da novela.

"É para entreter as pessoas, mas também para dizer que aquele Brasil arcaico, palco de uma guerra, dialoga muito fortemente com o nosso presente. ‘Guerreiros do Sol’ é uma tentativa de olhar para o passado para compreendermos as contradições de hoje. Por isso descrevemos a novela como uma história de amor ambientada numa guerra, a guerra de formação do Brasil moderno", afirma Moura.

"Guerreiros do Sol" acompanha um amor que floresce em meio à aridez do sertão nordestino, com suas desigualdades e a ausência do Estado. Vizinha de um rico e poderoso latifundiário, a mocinha Rosa decide se casar com ele, ciente de que a vida não lhe reserva grandes coisas e apesar de estar apaixonada por Josué, igualmente pobre.

Eles deixam escapar uma dança num forró, porém, e o ciúme impele o coronel – encarnado por José de Abreu – a travar uma guerra contra Josué. Ameaças se transformam em morte e, para vingar uma desgraça pessoal, o mocinho e seus irmãos se tornam cangaceiros.

Não é um spoiler dizer que a protagonista e narradora logo vai pegar em armas também, em busca de suas próprias vinganças. Assim, Rosa vai se aproximando de Maria Bonita – uma mulher forte num mundo violentamente misógino, que chama a atenção pela beleza.

"Guerreiros do Sol" tomou emprestado o nome e a pesquisa do livro de Frederico Pernambucano de Mello, historiador que serviu de consultor da novela. Moura e Goldenberg, porém, caminharam rumo à ficção, justamente porque "cada opinião dada entre os especialistas do cangaço acende uma centelha", dizem, em referência às versões díspares do movimento e da relação entre Lampião e Maria Bonita.

"Rosa tem uma visão crítica sobre o cangaço e a sua participação naquilo, mas ela e Josué, apaixonados, foram impelidos a se tornarem cangaceiros, para sobreviver mesmo", diz Moura.

"Eu não entrei no cangaço por maldade minha, mas pela maldade dos outros", sintetiza bem o mocinho, num dos episódios, pegando emprestada a fala atribuída a Lampião, perseguido na juventude pelos coronéis e as forças policiais corruptas do interior de Pernambuco.

Já Rosa foi, claro, pensada à imagem de Maria Bonita. Mas foi a cangaceira Dadá, Isadora Cruz conta, quem mais a inspirou. Única mulher a empunhar um fuzil no bando de Lampião, ela foi casada com Corisco, o segundo no comando, e ganhou a alcunha de Suçuarana do Cangaço. Apesar do sadismo do marido, Dadá com frequência intervia para poupar a vida de inocentes.

"A Rosa traz um novo olhar sobre uma história muito masculina, muito violenta", diz a paraibana, que quer desafiar o arquétipo da mocinha de novela.

Não é apenas no bando de Lampião que as mulheres do folhetim encontram sua voz, porém. Alinne Moraes e Nathalia Dill são outras que encarnam figuras à frente de seu tempo, gerando debates sobre educação e sufrágio.

Por ser uma novela pensada para o streaming –mais tarde, deve estrear na TV aberta, mas com cortes –, "Guerreiros do Sol" tomou liberdades que não seriam vistas na programação linear da Globo. A violência da história, aqui, é gráfica, com balas furando a carne e fazendo jorrar sangue. Também há menos pudor em relação ao sexo, com seios e nádegas dando mais crueza ao sertão.

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