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Há 70 anos, Brasil se despedia de Carmen Miranda, a Pequena Notável

Símbolo da cultura nacional e estrela internacional, Carmen Miranda morreu no auge da fama, mas segue imortalizada como a artista que ensinou o mundo a cantar o País

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Imagem ilustrativa da imagem Há 70 anos, Brasil se despedia de Carmen Miranda, a Pequena Notável
| Foto: DDIVULGAÇÃO

Carmen Miranda costumava dizer que felicidade era um bom prato de sopa e liberdade para cantar. Talvez fosse uma maneira simples de resumir sua vida, ela que nunca passou despercebida por onde esteve. Nesta terça-feira, 5 de agosto de 2025, completam-se 70 anos da partida da mulher que ensinou o mundo a cantar o Brasil.

Nascida Maria do Carmo Miranda da Cunha, em Marco de Canaveses, Portugal, em 1909, Carmen veio ao Brasil nos braços da mãe antes de completar um ano. Cresceu na Lapa carioca, entre as costuras, os chapéus e o rádio. O samba, até então gênero marginal, ganhou em sua voz a força da indústria cultural nascente. Em 1930, estourou com a marcha “Pra Você Gostar de Mim (Taí)” e tornou-se a maior cantora do País. Três anos depois, já era também estrela de cinema.

“Era uma garota branca, de olhos verdes, que cantava samba. A elite não a aceitava, o povo adorava”, resumiu a cineasta Helena Solberg. Em 1939, vestiu o traje de baiana no filme “Banana da Terra”, ao som de “O que é que a baiana tem?”, e estabeleceu o visual que a acompanharia para sempre. A performance chamou a atenção do produtor Lee Shubert, que a levou à Broadway. No palco do “Streets of Paris”, ao lado de Abbott & Costello, Carmen paralisou Nova York com seus balangandãs, sotaque e ritmo.

O sucesso foi instantâneo. “Carmen Miranda é a garota que está salvando a Broadway da Feira Mundial”, disse o colunista Walter Winchell. Em pouco tempo, a brasileira era estrela de Hollywood, amiga de presidentes e mulher mais bem paga dos EUA. “Eles não entendiam o que ela cantava, mas ficavam hipnotizados por ela”, contou o músico Aloysio de Oliveira.

Sua imagem, no entanto, se tornou uma faca de dois gumes: amada nos Estados Unidos como símbolo tropical e exótica, foi rejeitada no Brasil pela elite nacionalista. A crítica a chamava de americanizada. Ela respondeu com música: “Disseram que eu voltei americanizada, com burro do dinheiro que estou muito rica”. Mesmo assim, sentia-se presa à caricatura que ela mesma criara. Quis cantar tangos, sambas sem bananas na cabeça, mas não podia. “Tinha de fazer um acarajé por dia para provar sua brasilidade”, diria anos depois o pesquisador José Antônio Nonato de Barros.

Carmen fez 14 filmes nos Estados Unidos e foi fundamental para popularizar a música e a cultura latino-americana. Em 1941, tornou-se a primeira artista latino-americana a imprimir suas mãos e pés no Grauman’s Chinese Theatre e, anos depois, recebeu uma estrela na Calçada da Fama.

Com os 70 anos da morte da artista, a obra de Carmen Miranda entra em domínio público. Isso significa que, a partir do dia 1º de janeiro de 2026, músicas, imagens e demais criações podem ser utilizadas livremente, sem necessidade de autorização.

A ÚLTIMA NOITE

A noite de 4 de agosto de 1955 foi festiva na casa de Carmen em Beverly Hills. Após gravar uma participação no programa “The Jimmy Durante Show”, onde teve uma leve indisposição, convidou amigos próximos para uma reunião informal. Cantou, fez imitações e animou a festa, apesar do cansaço aparente.

“Ela parecia bem para os dias difíceis que estava vivendo, dependente de álcool e comprimidos”, contou Dulce Damasceno de Britto, amiga e ex-correspondente em Hollywood. Por volta das 2h30, Carmen despediu-se dos convidados, deixando-os à vontade para continuar a celebração.

Na madrugada de 5 de agosto de 1955, Carmen Miranda subiu as escadas de casa em Beverly Hills, acenou para os amigos que festejavam em sua sala, mandou um beijo, e desapareceu. Poucos minutos depois, com um espelho na mão e um robe no corpo, tombaria no corredor, sozinha, vítima de um ataque cardíaco fulminante. Tinha apenas 46 anos.

O ADEUS HISTÓRICO

A notícia da morte espalhou-se rapidamente. Edições extraordinárias de jornais e transmissões especiais de rádio interromperam a rotina no Brasil e no exterior. O velório, no saguão da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, recebeu 60 mil pessoas. No trajeto até o Cemitério São João Batista, cerca de meio milhão de admiradores acompanharam o cortejo fúnebre, cantando baixinho “Taí”, uma das canções imortalizadas por Carmen.

Carmen Miranda. Quase um século depois, a Pequena Notável atravessou as décadas permanecendo como símbolo único, imortalizada em filmes, músicas e no imaginário coletivo mundial. “Nenhum brasileiro de bom senso pode ignorar o muito que Carmen Miranda fez pelo Brasil lá fora”, afirmou o compositor Heitor Villa-Lobos, em 1952.

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