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terça-feira, 26/08/2025 | Ano | Nº 6040
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Cinco bairros

Estudo independente põe em xeque mapa de risco elaborado pela Defesa Civil

Relatório recomenda revisão da área afetada pela mineração da Braskem em Maceió

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Iniciado em fevereiro por iniciativa da Defensoria Pública do Estado, estudo foi apresentado nessa sexta-feira (8)
Iniciado em fevereiro por iniciativa da Defensoria Pública do Estado, estudo foi apresentado nessa sexta-feira (8) | Foto: Rogério Costa

Um relatório técnico-científico que trata da subsidência do solo em Maceió, apresentado nessa sexta-feira (8), durante audiência pública, apontou que a metodologia utilizada para geração do mapa de criticidade das regiões afetadas pelas atividades da Braskem não está alinhada aos padrões internacionais, havendo a necessidade de que os danos registrados nos bairros sejam reavaliados. Na prática, locais que hoje se encontram fora da área de risco poderiam ser incluídos no mapa.

“O método não está alinhado com a literatura internacional e parece contradizer as evidências de campo. Os resultados indicam a necessidade de revisar o Mapa de Ação Prioritária, no qual constam os edifícios danificados que apresentaram deslocamentos e não foram classificados”, aponta o relatório.

Coordenador do grupo de pesquisadores independentes que produziu o relatório, o doutor em Geologia Marcos Eduardo Hartwig, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) destacou que o deslocamento de 5 milímetros para definir as zonas de criticidade não é adequado.

“Recomenda-se manter o monitoramento contínuo do deslocamento da superfície usando a tecnologia A-DInSAR e preparar um mapa que represente os níveis de danos nas edificações na Zona 01 e áreas adjacentes”, conclui.

Ao longo da explanação, realizada no auditório do Cesmac, Hartwig exibiu mapas que demonstram análises feitas em ruas e imóveis situados em pontos como o Bom Parto e os Flexais — onde os moradores vivenciam um isolamento social e não estão inclusos no mapa para realocação.

As análises, referentes aos movimentos dos terrenos registrados entre junho de 2019 e dezembro de 2024, apontaram deformações no solo em diversas regiões analisadas. O doutor em Geologia citou, por exemplo, que soa estranho um imóvel ter tantas rachaduras e estar em uma área com baixos deslocamentos. Ele teoriza que as movimentações no solo teriam começado ainda em 2004. No entanto, não havia monitoramento no período.

Conforme o estudo apresentado, os deslocamentos verticais nos Flexais, por exemplo, que é uma área fora do mapa de risco, chegam a 10 milímetros por ano, e os horizontais ao dobro dos verticais, sendo superiores ao deslocamento de 5mm na região — que é o que consta no mapa de criticidade.

O estudo é independente e inédito. Ele foi elaborado por profissionais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), University of Leipzig, Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Leibniz University Hannover e, inclusive, por pesquisador da GFZ – Helmholtz Centre for Geosciences. Os pesquisadores que atuaram na elaboração do relatório foram Marcos Hartwig, Magdalena Vassileva, Fábio Furlan Gama, Djamil Al-Halbouni e Mahdi Motagh.

A pesquisa teve início em fevereiro de 2025, por iniciativa do Núcleo de Proteção Coletiva da Defensoria Pública do Estado de Alagoas, que articulou a cooperação técnica e requisitou os dados oficiais da Defesa Civil de Maceió, utilizados na análise. O estudo combina levantamentos de campo e dados públicos, resultando em um trabalho de elevado rigor científico e independência metodológica, seguindo padrões reconhecidos internacionalmente.

Ao término da apresentação, o defensor público Ricardo Melro informou que levará as conclusões do estudo para o prefeito de Maceió, JHC, para a Defesa Civil Municipal e outros órgãos.

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