RECONHECIMENTO
Escritora alagoana é finalista do Prêmio Oceanos pela 2ª vez consecutiva
Ana Maria Vasconcelos concorre com o livro de poemas “Longarinas”, publicado no ano passado


O Prêmio Oceanos de Literatura, um dos mais prestigiados da língua portuguesa, anunciou ontem a lista de semifinalistas de sua edição 2025. Entre os 50 nomes selecionados, que reúnem autores de Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Portugal, está novamente uma alagoana: Ana Maria Vasconcelos. A escritora, doutora em teoria literária e professora universitária, figura pela segunda vez consecutiva entre os concorrentes, agora com o livro Longarinas, publicado em 2024 pela editora 7Letras.
O Oceanos é uma das principais vitrines internacionais da produção literária em português. Neste ano, recebeu um número recorde de inscrições: 3.142 obras, vindas de sete países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Ao final da primeira triagem, dois júris distintos — um para poesia, outro para prosa — selecionaram 25 livros de cada categoria. A obra poética de Ana Maria Vasconcelos surge ao lado de autores consagrados como Mia Couto, José Eduardo Agualusa e Chico Buarque.
No caso da poesia, a lista de semifinalistas evidencia um arco geracional que atravessa quase um século, com autores nascidos da década de 1930 até os anos 1990. Longarinas, livro de poemas curtos que exploram o cotidiano em sua tessitura mínima, foi apontado por leitores e críticos como uma das obras de maior vigor formal da autora. Fernanda Drummond, na apresentação do livro, destacou: “A poesia de Ana Maria Vasconcelos transporta uma bolha de significantes essenciais prestes a estourar. Como lembra a própria poeta, a ideia de transporte está na raiz da palavra metáfora: ‘metáfora/ significa transporte/ ir de uma coisa à outra/ através da palavra’”.

Nascida em Maceió, em 1988, Ana Maria Vasconcelos cresceu entre livros e cadernos. A estreia veio em 2014, com Grão, publicado pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos. A obra lhe rendeu o Prêmio de Incentivo à Literatura, sendo ela a primeira mulher a recebê-lo. O segundo livro demorou quase uma década: Eram brutos os barcos, lançado em 2022 pela editora alagoana Trajes Lunares. O ritmo, no entanto, se acelerou nos anos seguintes. Em 2023, publicou dois livros — A raiz é como um raio (Editora Primata) e O rosto é uma máquina aquosa (Ofícios Terrestres), semifinalista do Oceanos na edição passada. Um ano depois, veio Longarinas, que reafirma sua atenção ao detalhe e ao silêncio da página.
A poeta, que leciona literatura na Universidade Federal de Sergipe, articula sua obra entre o estudo acadêmico e a prática criativa. Doutora pela Unicamp, dialoga em seus textos com autores como Roland Barthes, Anne Carson e Maurice Blanchot. Mas, como observa Fernanda Drummond, esse diálogo não se reduz a citações: “As rememorações de Ana Maria de autores como Joyce, Barthes, Anne Carson, Blanchot não são mero name dropping, mas uma forma de continuar esse texto ininterrupto, plasmá-lo num corpo novo, fazê-lo nascer da orelha pela audição, nos dedos pela escrita”.
O Oceanos segue agora para a segunda etapa, que reduzirá de 50 a 10 os títulos finalistas — cinco de prosa e cinco de poesia — até o fim de outubro.
O prêmio é realizado via Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), pelo Ministério da Cultura, e conta com o patrocínio do Banco Itaú, da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas da República Portuguesa, o apoio do Itaú Cultural, da Biblioteca Nacional de Moçambique e do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde; e o apoio institucional da CPLP. O Prêmio Oceanos é administrado pela Associação Oceanos, em Portugal, e pela Oceanos Cultura, no Brasil.