loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
sexta-feira, 24/07/2026 | Ano | Nº 6274
Maceió, AL
26° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Caderno B

Hábitos Culturais 2025

Consumo cultural cresce no digital e estagna no presencial, aponta pesquisa

Streaming domina consumo de cultura dos brasileiros, enquanto eventos ao ar livre perdem espaço; segurança, distância e desigualdade social ainda limitam o acesso à arte

Ouvir
Compartilhar
A sexta edição da pesquisa Hábitos Culturais revela estabilidade no consumo cultural, fortalecimento do digital e desigualdades persistentes no acesso presencial
A sexta edição da pesquisa Hábitos Culturais revela estabilidade no consumo cultural, fortalecimento do digital e desigualdades persistentes no acesso presencial | Foto: ANDER GARCIA

A sexta edição da Pesquisa Hábitos Culturais 2025, do Observatório Fundação Itaú e Datafolha, mostra estabilidade do consumo cultural dos brasileiros com leves altas neste ano, queda nas atividades ao ar livre e distância persistente entre classes e territórios.

Os números, colhidos em entrevistas presenciais com 2.432 brasileiros de 16 a 65 anos, desenham um país que consome cultura com constância, mas não em igualdade de condições. 97% por cento dos ouvidos disseram ter feito alguma atividade cultural em 2025. Se a presença física marca 61% de frequência mensal, o formato remoto, consolidado como rotina doméstica, chega a 90%, dois pontos acima de 2024.

O digital consolida liderança e cresce em 2025

A tela manda no repertório. Plataformas de música permanecem como o hábito mais popular, citadas por 85% dos entrevistados. Filmes em streaming vêm em seguida, com 74%, e séries online, com 70%. É uma liderança que ajuda a entender o resto: consumo alto, custo relativamente controlável e uma oferta que, sem filas ou deslocamento, pousa no sofá de capitais, regiões metropolitanas e cidades do interior praticamente no mesmo compasso. Na prática, a diferença semanal do remoto entre capitais/metrópoles (75%) e interior (74%) é mínima, um empate técnico, enquanto a frequência semanal presencial fica ligeiramente mais acentuada fora dos grandes centros (29% no interior contra 26% nos centros urbanos).

Desigualdade por renda persiste no presencial

Quando o recorte é renda, a curva se separa. Nas atividades presenciais semanais, 30% das classes A e B comparecem, frente a 27% nas classes C, D e E. No remoto, o salto é maior: 80% das classes A e B praticam semanalmente, contra 65% das classes D e E. O bolso pesa também na decisão de sair de casa. 40% dizem não gastar nada com atividades presenciais e 49% gastam até R$ 100. No online, 22% não gastam nada e 61% ficam no até R$ 100. Mesmo com maior poder aquisitivo, 80% das classes altas recorrem a atividades online gratuitas. Entre os mais pobres, esse índice é de 50%. Mais escolaridade também se associa a maior acesso a opções gratuitas, reforçando que renda e formação são chaves para abrir portas.

Shorts Youtube
Play
Joalheiria é alvo de assalto em plena luz do dia em Teotônio Vilela

Joalheiria é alvo de assalto em plena luz do dia em Teotônio Vilela

Play
Prefeitura remove embarcações e objetos abandonados na orla da Pajuçara

Prefeitura remove embarcações e objetos abandonados na orla da Pajuçara

Play
Operação prende suspeito de tráfico de drogas em Arapiraca

Operação prende suspeito de tráfico de drogas em Arapiraca

Play
Polícia inicia 6ª fase da Operação Cerco Fechado

Polícia inicia 6ª fase da Operação Cerco Fechado

Play
Ação da Semsc remove embarcações e objetos abandonados na orla da Pajuçara

Ação da Semsc remove embarcações e objetos abandonados na orla da Pajuçara

A fotografia por modalidades presenciais tem pequenas movimentações. O cinema foi frequentado por 37%, um ponto percentual a menos que no ano passado. As atividades ao ar livre, apesar de seguirem entre as favoritas e ocuparem a quarta posição no ranking, registraram a maior queda de 2025: de 66% para 61%. Já as artes cênicas oferecem um respiro: espetáculos de dança passaram de 30% para 33%, e o teatro de 19% para 22%, altas modestas se comparadas ao salto de 2024 (dança de 18% para 30% naquele ano). A leitura de livros impressos subiu para o quinto lugar do ranking, com 53% e duas posições acima de 2024. O livro digital desce degrau a degrau: 42% em 2023, 36% em 2024, 35% agora. Entre os produtos seriados, as novelas recuam de 56% para 53%.

Gastos e escolhas: quando o bolso decide a cultura

Os motivos do afastamento presencial voltam a apontar para o país real. Questões financeiras lideram com 34%, seguidas por insegurança e violência (31%), índice menor que os 35% de 2024, mas ainda expressivo. Entre quem cita segurança, 47% temem assaltos e furtos e 21% falam em violência contra mulheres em espaços culturais. Entre mulheres, esse percentual chega a 28% e supera o do ano passado. A percepção de risco também passa por cor e classe: 32% das pessoas pretas dizem temer participar de eventos culturais, frente a 29% das brancas. Nas classes A e B, o índice de insegurança cai de 37% para 30%; nas D e E, de 34% para 30%.

Há ainda os entraves de tempo e fôlego. Cansaço, desânimo ou preguiça somam 26%, a indisponibilidade de horários marca 24%, a distância até eventos e equipamentos, 21%, e a superlotação, 19%. Em meio a tantas razões, a manutenção da liderança do consumo remoto, com uma pequena expansão em relação a 2024, confirma um padrão que já é amplamente observado. Quando a economia aperta, a cultura não desaparece, muda de lugar. O streaming vence pela conveniência, mas a desigualdade decide quem atravessa a rua para ocupar a plateia.

Tags:

atividades presenciais consumo cultural desigualdade social hábitos culturais pesquisa cultural streaming

Relacionadas