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CINEMA

Jennifer Lopez fala do impacto de Sonia Braga em sua versão de 'O Beijo da Mulher Aranha'

Atriz americana diz que assistiu à produção de 1985, mas fez sua própria interpretação da personagem

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Imagem ilustrativa da imagem Jennifer Lopez fala do impacto de Sonia Braga em sua versão de 'O Beijo da Mulher Aranha'
| Foto: Divulgação

Muito antes de Fernanda Torres e Wagner Moura, quem também encantou Hollywood foi Sonia Braga, que trocou a brejeirice que exalava na TV brasileira por um ar de mistério em "O Beijo da Mulher Aranha" (1985). O longa dirigido por Hector Babenco, uma coprodução entre EUA e Brasil, foi indicado em quatro categorias tanto do Globo de Ouro quanto do Oscar.

Passados quarenta anos, uma nova versão da história —desta vez sem o envolvimento de brasileiros— chega aos cinemas do país nesta semana, com Jennifer Lopez como a mítica figura que seduz e mata apenas encostando seus lábios nos de outra pessoa. A atriz e cantora americana contou que, apesar de o novo filme ser mais calcado no musical que estreou nos anos 1990, Sonia Braga foi, sim, uma inspiração.

“Claro que eu assisti à versão dramática que foi feita nos anos 1990, com William Hurt, Raul Julia e Sonia Braga", diz ela em bate-papo por vídeo com o F5. "Eu amei. E sempre pensava nela quando estava filmando, assim como na Cheetah Rivera [atriz que viveu a personagem nos palcos do West End e da Broadway]”.

"Calçar os sapatos da Sonia Braga e da Cheetah Rivera era uma ideia que me deixava um pouco desesperada", afirma. "Vi como elas interpretaram e se apropriaram da personagem. A ideia de que sempre escolheram mulheres fortes e poderosas para viver a Mulher Aranha, e ser incluída nesse rol, me deixou muito honrada”.

Apesar das referências, a atriz conta que o diretor Bill Condon (de "Dreamgirls") pediu para ela seguir um caminho diferente. "É uma abordagem bem diferente", avalia a atriz. "E eu sabia que tinha que fazer minha própria versão da personagem, não dava para emular o que elas fizeram. Mas fiquei muito animada de poder entrar nessa linhagem de Mulheres Aranha”.

Para quem não está familiarizado com a trama, o filme não tem nada a ver com super-heróis, como algum desavisado pode pensar. Na verdade, ele trata de assuntos densos, tendo as ditaduras latino-americanas como pano de fundo —a brasileira na versão de 1985 e a argentina no novo longa.

Os protagonistas são os companheiros de cela Valentin (Diego Luna) e Luis Molina (Tonatiuh). Enquanto o primeiro é um prisioneiro político, o segundo é um homossexual detido por ser quem é. Uma amizade entre os dois vai florescendo, apesar do estranhamento inicial.

Na trama, Molina passa o tempo todo falando de sua atriz favorita, Ingrid Luna, diva de filmes com cores vibrantes e histórias rocambolescas. Ele narra para o colega de prisão as histórias que sua personagem favorita, Aurora, protagoniza. E a Mulher Aranha faz parte delas.

As três são vividas por Lopez, que canta e dança como nos musicais clássicos da Era de Ouro de Hollywood e preenche os sonhos do jovem que sonha em habitar aquele universo que lhe parece tão distante naquele momento.

A atriz minimiza o trabalho em dose tripla. "Essencialmente, é a Ingrid Luna que está interpretando os outros dois papéis, então são três personagens, mas a mesma pessoa", diz. "É preciso manter certa unidade, ainda que haja nuances e diferenças entre elas”.

Ela ainda faz uma comparação com a própria experiência como diva pop. "A Ingrid é aquele tipo de artista que causa muito impacto, que todo mundo ama e quer saber mais sobre ela", compara. "Eu entendo que tenho uma relação parecida com meus fãs, então entendi muito bem essa parte”.

Já fazer Aurora e a Mulher Aranha teve outros desafios. "Aurora é uma mulher elegante e com uma vida fabulosa em busca de amor. Ela se move diferente de mim, fala diferente de mim. Lembra muito as estrelas da Hollywood antiga. E é totalmente oposta à Mulher Aranha”.

"A Mulher Aranha representa o medo do amor, tanto de dar quanto de receber", continua. "Tudo o que você quer dela é um beijo, mas se fizer isso será seu fim. Quer dizer, para ser bem franca, esse é um papel dos sonhos”.

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