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CINEMA

O toque alagoano em ‘O Agente Secreto’

Atores Igor Araújo e Albert Tenório falam sobre participação no filme vencedor do Globo de Ouro e principal aposta do Brasil no Oscar

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Albert Tenório interpretou um policial em 'O Agente Secreto'
Albert Tenório interpretou um policial em 'O Agente Secreto' | Foto: Cortesia

Por trás de um grande filme, sempre existem grandes atores. E com o longa “O Agente Secreto” não seria diferente. Premiado no Globo de Ouro e a principal aposta do Brasil no Oscar deste ano, o filme contou com a dedicação e o talento de artistas alagoanos como Igor Araújo e Albert Tenório, que falaram um pouco sobre a experiência de viverem alguns personagens da trama, reforçando a representatividade de Alagoas no cinema contemporâneo.

Na produção, Albert Tenório interpreta um policial, integrando um elenco que sustenta a atmosfera de tensão e ambiguidade moral do longa. Segundo o ator, a experiência no filme exigiu atenção ao detalhe e ao tempo dramático. “O trabalho com Kleber exige escuta, precisão e entrega ao silêncio. Muitas vezes, o que não é dito carrega mais sentido do que o texto explícito”, afirma.

Albert Tenório construiu uma trajetória consistente no audiovisual brasileiro, marcada por atuações em obras autorais e de forte densidade dramática. Um dos marcos de sua carreira é o longa O Som ao Redor, também dirigido por Kleber Mendonça Filho, considerado um divisor de águas do cinema nacional recente. No filme, Tenório interpreta Ronaldo, personagem do núcleo de vigilantes que simboliza as tensões de poder, classe e vigilância urbana — um papel inserido em uma narrativa amplamente reconhecida no Brasil e no exterior.

Sobre essa trajetória contínua no cinema autoral brasileiro, ele destaca: “São filmes que pedem compromisso ético com o personagem e com o contexto social. Isso me interessa como ator”, diz Albert, que é funcionário público e tem formação em Direito e Medicina.

Alagoano Igor Araújo participou de 'O Agente Secreto'
Alagoano Igor Araújo participou de 'O Agente Secreto' | Foto: Divulgação

OUTRO ALAGOANO

Natural de Maceió, Igor de Araújo conta que entrou para o elenco de “O Agente Secreto” após uma temporada de oito anos morando em São Paulo e acreditando que não voltaria mais a atuar. O convite para fazer parte do elenco veio após algumas etapas criteriosas de testes.

No “O Agente Secreto”, Igor encarnou Sérgio, um policial civil que está ligado a acontecimentos inusitados e intrigantes. “Esse personagem utiliza a influência que tem não para o benefício coletivo, mas para o favorecimento pessoal, para a submissão de pessoas a situações vexatórias e degradantes, para o justiçamento e para tantas outras atrocidades”, afirma o ator.

Ela afirma que contracenar com Wagner Moura foi uma ótima experiência. “Kleber é um diretor que domina a linguagem cinematográfica com extrema habilidade, talvez por ter exercido o papel de crítico de cinema por tanto tempo. Contracenar com Wagner Moura, igualmente, foi uma ótima experiência. Ele é um grande ator e sempre parece escolher seus papéis de forma criteriosa”, disse.

Para Igor, um dos momentos mais marcantes da participação dele no longa foi atuar ao lado de Udo Kier (1944-2025), ator alemão que interpretou o papel de um judeu sobrevivente da Segunda Guerra Mundial. Ao falar sobre a experiência, Araújo conta que a improvisação do texto e da cena marcaram o encontro deles em cena.

“Na versão original, os policiais deixavam o personagem do alfaiate constrangido ao pedirem que ele exibisse as cicatrizes que tinha pelo corpo. No roteiro, a cena terminava com as cicatrizes sendo mostradas e um close em Marcelo, visivelmente incomodado com a situação. Porém, durante as gravações, Udo Kier improvisou e expulsou todo mundo da alfaiataria, gritando em alemão. Nós não sabíamos muito bem se deveríamos reagir ou simplesmente ir embora. Quando terminamos de gravar, ninguém estava seguro sobre se a cena entraria no corte final, mas ela entrou”, diz.

Sobre o audiovisual nacional, Igor conta que ainda há muitas histórias ambientadas em diferentes partes do país para serem contadas. “Se conseguimos assistir com frequência a filmes realizados em outras partes do mundo onde nunca estivemos, imagine o que pode acontecer quando nos depararmos com as nossas histórias de forma mais habitual”, conclui.

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