CINEMA
O ‘novo normal’ para o audiovisual alagoano
Curta “Ajude os menor”, de Janderson Felipe e Lucas Litrento, é selecionado para a 29ª Mostra de Cinema Tiradentes


O ano de 2026 começou com força para o cinema brasileiro. Em tempos de filmes como “O Agente Secreto” premiados e atores do Nordeste brasileiro com grande repercussão internacional, como é o caso de Wagner Moura e Tânia Maria, o olhar para dentro se torna mais especial.
Nacionalmente, a Mostra de Cinema Tiradentes é um dos eventos mais relevantes do cinema brasileiro contemporâneo em formação, reflexão e difusão. Essa semana, a Mostra, realizada em Minas Gerais, caiu nos diálogos alagoanos com o anúncio do curta “Ajude os menor”, de Janderson Felipe e Lucas Litrento, como parte da programação da 29ª edição.
Este ano, a mostra tem a temática curatorial “Soberania Imaginativa” e reúne 137 filmes em pré-estreias (43 longas e 93 curtas) de 23 estados do país, além de homenagear a atriz, roteirista e diretora Karine Teles. A sessão de abertura acontece neste sábado (23), com uma exibição inédita de O Fantasma da Ópera, curta de Júlio Bressane e Rodrigo Lima. O curta alagoano será exibido na tarde do próximo sábado (30), participando da Mostra Pindorama.

O curta foi filmado em Maceió e já conquistou espaço no Brasil, como quando foi premiado no Festival de Brasília, em setembro do ano passado. A trama acompanha a rotina de um entregador de aplicativo que, durante o almoço com amigos pedreiros, se depara com uma intensa briga entre um engenheiro e um mestre de obras em um prédio em construção, e é baseada no conto homônimo do livro TXOW, de Lucas - semifinalista do Prêmio Oceanos de Literatura em 2021.
Para Litrento, essa convergência entre cinema e literatura pode gerar bons frutos. “Temos ótimos escritores e poetas que podem contribuir muito pro e com o cinema. E vice-versa”, comentou.
Além disso, a obra dialoga com o faroeste clássico e foi inteiramente filmada - e fotografada - em preto e branco. Segundo os diretores, essa escolha estética aumenta o suspense e o tratamento da imagem bagunça tanto a moral dos personagens, quanto a tensão que se instaura a partir do conflito. “Todas as escolhas estéticas levaram o gênero em consideração, a própria história do cinema, de como o nosso filme se insere dentro de uma tradição ambígua e complexa”, disse o diretor.
Ajude os Menor não é o primeiro título alagoano a chegar na Mostra Tiradentes, tampouco simboliza a primeira vez dos roteiristas. Há nove anos, Lucas e Janderson viveram o evento com o primeiro filme que fizeram juntos, “Samuel foi trabalhar". “Voltar para a Mostra Tiradentes é repassar essa jornada que começa em 2019, com a aprovação do Samuel no edital da Ancine, e desdobra agora em outros projetos”, disse Lucas.

Já em 2025, os curtas “Phoenix Club”, de Gabriela Araújo, “Entre Corpos”, de Mayra Costa” e “Cavaram uma Cova no meu coração”, de Ulisses Arthur, foram selecionados para a 28ª edição do evento.
“Uma premiação de cinema é sempre fruto de trabalho coletivo, é sempre um trabalho que representa não apenas os meus desejos como artista, mas também os resultados do audiovisual local. Fico feliz quando nossos filmes somam no avanço do cinema alagoano enquanto um fato”, disse Litrento.
Fato é que o Brasil tem vivido ótimos dias no audiovisual. Os diretores explicam que esse movimento no cinema alagoano não é novo. “Acredito que os nossos filmes têm qualidade suficiente para estrear e percorrer festivais de destaque nacional. Esse é o novo normal”, finaliza Lucas.
