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Antes de fevereiro ferver

Saiba como é a preparação das orquestras de frevo antes da folia invadir as ruas de Alagoas

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Orquestra Terremoto faz sucesso no Carnaval em Alagoas
Orquestra Terremoto faz sucesso no Carnaval em Alagoas | Foto: Divulgação

Com fevereiro chegando, muita gente já se prepara para ouvir os acordes do frevo invadindo as ruas. Isso porque, passados Natal e Ano-novo, o país entra em contagem regressiva para o Carnaval.

O frevo nasceu no Recife, misturando marcha, maxixe e elementos da capoeira no final do século XIX e, desde 2012, é considerado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco. São muitas as variações do ritmo: frevo de rua, tocado por orquestra, sem voz; frevo-canção, com introdução orquestral, mas com voz; e frevo de bloco, feito por orquestra de paus e cordas, além dos instrumentos de sopro e percussão.

O nome, por sinal, vem de “frever”, uma avaliação de “ferver”. Em Alagoas, o frevo chegou ainda na primeira metade do século XX, com forte influência do Major Bonifácio – um pernambucano que, em Maceió, fez o bairro de Bebedouro ser conhecido como “República da Alegria” devido aos festejos carnavalescos.

O tempo passou e o frevo só ganhou força pelo país e pelo mundo. É nesse período que antecede o mês de fevereiro que muitas orquestras de frevo se preparam para agitar as prévias pelo país. Às vésperas de mais um Carnaval, a Gazeta de Alagoas conversou com a Orquestra Terremoto para entender como essas pessoas se preparam para expressar essa cultura do Nordeste que atravessa décadas.

Fundada em 2014, em Coqueiro Seco, na Região Metropolitana de Maceió, a orquestra foi criada por músicos da Associação Musical Prof. Francisco Pedrosa, que já se reuniam para tocar o frevo em clubes e festas. O nome é uma metalinguagem: faz referência ao frevo “Terremoto”, de Jairo Galvão, que faz parte do repertório do grupo. Mais tarde, em 2024, a música foi regravada no disco “O Canto Popular do Frevo”, lançado em comemoração aos 10 anos de fundação da orquestra.

Segundo os membros, muitos músicos no estado encontram no frevo um espaço natural para aplicar seus conhecimentos técnicos, vivenciar a prática coletiva e ampliar suas possibilidades artísticas. Eles contam que ter uma orquestra de frevo em Alagoas representa a afirmação da capacidade artística e cultural do estado, e demonstra que o ritmo não é apenas uma herança importada, mas uma expressão viva, ressignificada e mantida pelos músicos alagoanos.

Preparação para apresentações ocorre muito antes de fevereiro chegar
Preparação para apresentações ocorre muito antes de fevereiro chegar | Foto: Divulgação

“Embora o frevo tenha origem em Pernambuco, ele integra a identidade cultural de todo o Nordeste. Criar uma orquestra de frevo em Alagoas é, portanto, uma forma de fortalecer essa tradição, valorizar os músicos locais e afirmar o protagonismo do estado na preservação e difusão da música carnavalesca”, contam.

Se o carnaval é um estado de espírito, ele invade o coração brasileiro cedo. Os artistas afirmam que a preparação começa ainda no mês de outubro, com os primeiros contatos para as apresentações.

“A medida que o Carnaval se aproxima, especialmente nas semanas que o antecedem, os ensaios são intensificados e a orquestra costuma abrir espaço para a participação de músicos da nova geração”, compartilham.

Segundo eles, a orquestra participa de diversos blocos, como o Jaraguá Folia, Curto Circuito, Filhos da Pauta, Pinto da Madrugada e o Amarelo e Preto, o maior de Coqueiro Seco.

“A preparação começa muito antes de fevereiro chegar. Ela envolve uma rotina intensa de ensaios frequentes, a definição cuidadosa do repertório, ajustes e revisões de arranjos, além de toda a organização logística necessária para as apresentações”, relatam.

A escolha do repertório é um momento essencial para os músicos. Eles afirmam que priorizam a valorização de clássicos do frevo, “indispensáveis por carregarem memória, emoção e por manterem viva a tradição carnavalesca”, nas palavras dos integrantes.

Além disso, eles definem o repertório como vibrante, que conecta passado e presente, já que também contempla músicas que dialogam com a identidade da orquestra.

“Sem dúvida, Vassourinhas é uma música que não pode faltar. Considerada o verdadeiro hino do Carnaval, ela é indispenável em qualquer apresentação e tem o poder de contagiar imediatamente o público. Além dela, os frevos-canção também marcam presença no repertório, animando ainda mais o folião, como Chuva de Sombrinhas, de André Rio, Cidade Sorriso, de Edécio Lopes, e Bicho Maluco Beleza, de Alceu Valença”, contam.

Fato é que, de Pernambuco para o mundo, o frevo circula por muitas cidades do Brasil. Por aqui, a Orquestra Terremoto não toca apenas em Maceió, mas também em Santana do Ipanema, Colônia Leopoldina, Paripueira, Flexeiras e Barra de São Miguel, além de receber convites de fora, como Olinda, Recife e Tamandaré, cidades de Pernambuco. Assim, enquanto fevereiro se aproxima, o frevo segue cumprindo seu papel de ligar gerações, territórios e histórias.

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