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CULTURA

Memória da periferia preservada

Instalado em um ambiente digital, Museu Hip Hop Miguelense reúne rico acervo ligado a essa cultura que, muitas vezes, é marginalizada

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Imagem ilustrativa da imagem Memória da periferia preservada
| Foto: Divulgação

Em São Miguel dos Campos, a cultura que nasceu nas ruas, nos becos, nas batalhas improvisadas e nos versos de resistência agora ocupa um novo território: o da memória preservada. Criado em janeiro de 2025, o Museu Hip Hop Miguelense (https://museurapnacional.com/) surge como a primeira instituição museológica imaterial dedicada ao Hip Hop em Alagoas, assumindo o papel de dar visibilidade a essa expressão cultural muitas vezes marginalizada.

Para o idealizador e desenvolvedor da iniciativa, Daniel Henrique, o museu nasce de uma urgência: preservar saberes tradicionais, periféricos e afrodiaspóricos que, por décadas, foram invisibilizados. “O Hip Hop sempre foi uma ferramenta de transformação social em São Miguel dos Campos. Aqui, muitos talentos foram revelados, mas sem que suas trajetórias fossem devidamente registradas”, afirma.

Ao contrário dos museus tradicionais, o Hip Hop Miguelense não ocupa paredes físicas. Ele está instalado em um ambiente digital, como um espaço vivo de pesquisa, reflexão e difusão cultural.Nele, é possível encontrar músicas, videoclipes, registros fotográficos, relatos históricos e narrativas que ajudam a compreender o papel do Hip Hop na formação social, política e filosófica do município.

Imagem ilustrativa da imagem Memória da periferia preservada
| Foto: Divulgação

Mais do que um acervo, o museu funciona como um elo entre gerações. Isso porque um dos pontos mais emblemáticos do projeto é o resgate da história de coletivos que ajudaram a moldar a cena local, como o Coletivo Hip Hop Miguelense, Rap em Ação, Batalhas dos Caetés e Brabos Combat. Registros que agora estão reunidos e disponíveis para quem quiser ver. “Isso mostra à nova geração que o Hip Hop Miguelense não começou ontem. Ele tem raiz, fundamento e história”, destaca o idealizador.

O reconhecimento não demorou a ultrapassar os limites da cidade. O museu já integra redes nacionais de cultura, foi habilitado como Ponto de Cultura e participa de articulações que dialogam com políticas públicas culturais, como o Plano Nacional de Cultura. Para Daniel, esse alcance reforça o papel do projeto como instrumento de reparação histórica. “Estamos democratizando o acesso à cultura e projetando nossa arte para o Brasil e até para fora dele. O Museu ultrapassa os aspectos puramente técnicos e físicos de uma exposição tradicional, configurando-se como um espaço universal para pesquisa e reflexão histórica, abrangendo dimensões filosóficas, sociais e políticas”, afirma.

Apesar de nascer ancorado no território, o Museu Hip Hop Miguelense não se limita aos artistas locais. Ele foi pensado para toda a sociedade, sem distinções. A proposta é que o público possa assistir, ouvir, ler e lembrar, entendendo o Hip Hop como patrimônio cultural e direito humano, conforme o Artigo 215 da Constituição Federal, que assegura o direito à memória e a preservação do patrimônio.

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| Foto: Divulgação

Segundo Daniel, a resposta da comunidade ao projeto tem sido imediata. Artistas locais e de outras regiões do país enviam materiais diariamente para integrar o acervo. Essa troca constante transforma o museu em uma plataforma de visibilidade e valorização, onde novos talentos dividem espaço, com o mesmo respeito técnico e simbólico, com nomes que ajudaram a construir a base do movimento.

Embora ainda não realize atividades presenciais, o projeto já mira o futuro. Estão nos planos oficinas de formação, apoio logístico a eventos e ações educativas que qualifiquem artistas não apenas como produtores culturais, mas como agentes de salvaguarda da própria história. “Queremos garantir que as próximas gerações não encontrem um vazio, mas uma memória organizada, respeitada e acessível”, afirma Daniel.

Para ele, o Museu Hip Hop Miguelense pode servir de exemplo para que outros municípios também foquem em preservar suas tradições culturais.

“Como somos o primeiro museu imaterial do segmento Hip Hop no estado de Alagoas, acreditamos que iniciativas como a nossa servem de exemplo a ser seguido. Torcemos e trabalhamos para que a nossa metodologia seja replicada em cada município alagoano”, conclui.

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