FOLIA EM MACEIÓ
Já é Carnaval na capital alagoana
Fim de semana será marcado por desfiles de vários blocos tradicionais da cidade, que ganharão as ruas levando colorido e animação


Quando janeiro chega ao fim, é sinal de que o Carnaval bate à porta e os brasileiros já se preparam para sair às ruas com roupas coloridas, esbanjando alegria. Diferentemente de Recife, Olinda e Salvador, Maceió ferve nas prévias. É no esquenta para a época mais animada do ano que a capital alagoana vê os blocos nas ruas, o povo pular junto e o frevo ecoar por entre as pistas da cidade. Esse movimento tem acontecido por aqui desde 11 de janeiro, com o Carnaval de Edécio Lopes.
Mesmo com a multiplicação de novos formatos de Carnaval, os blocos tradicionais seguem ocupando as ruas de Maceió e reafirmando, ano após ano, a força da cultura popular da cidade. Neste fim de semana que antecede o Jaraguá Folia e o Pinto da Madrugada, que acontecem nos dias 6 e 7 de fevereiro, respectivamente, vários desses blocos tradicionais ganham as ruas, anunciando que a folia já começou.
Entre eles, está o Filhinhos da Mamãe, fundado na década de 1980. Um dos mais tradicionais blocos carnavalescos de Maceió, ele desfila na noite deste sábado (31), no bairro do Jaraguá. Mas a festa começa logo nas primeiras horas da manhã, com o Polo da Inclusão, na Praça Gogó da Ema, na Ponta Verde.

Também tomam conta das ruas da capital nesse fim de semana a Turma da Rolinha, o Bloco do Rei, as Pecinhas, o Bloco Caveira, Bloco Pererê, Bloco Jaraguá, Bloco Klub Rock Street, Bloco Paparico e o Bloco Agarradinho, garantindo animação para todas as idades.
Segundo Dinho Lopes, membro da Liga Carnavalesca, o carnaval tem ocupado cada vez mais as ruas da cidade. “Ele toma conta das ruas, seja com o frevo, o axé, o Boi, Maracatu e outros polos”, conta. Segundo ele, essa festa sempre foi, e sempre será, a mais democrática do mundo.
Para ele, é importante preservar a cultura popular e a história dos blocos tradicionais como o Filhinhos da Mamãe. A brincadeira, realizada pelo Museu Théo Brandão (MTB) e pela Associação Teatral de Alagoas (ATA), surgiu porque os maceioenses preferiam viajar para outras capitais do Nordeste por falta de opção local.
Passados mais de 30 anos, a Mamãe se tornou um dos símbolos mais tradicionais da festa na capital alagoana. “A Boneca Gigante da Mamãe, o Boneco Gigante do Edécio Lopes, os bonecos gigantes do carnavalesco Prego, do Marcial Lima, todos são referência para o movimento cultural do nosso Carnaval. Fazem parte da nossa cultura e história e serão sempre revividos de geração em geração”, afirma Lopes.

Ele conta que resgate de eventos como Os Seresteiros da Pitanguinha e a preservação do Bloco Vulcão, do bloco do MTB e da tradição do radialista Edécio Lopes são formas de manter e preservar a cultura do carnaval de Alagoas. “É muito importante o reconhecimento à cultura justamente no momento em que vivemos. Estamos fazendo a nossa parte, realizando, divulgando, apoiando e escrevendo a nossa história”, diz.
O frevo, embora a cara do Carnaval, não é a única forma de cair na folia hoje. Dinho conta que, atualmente, essa festa multicultural atinge todas as idades e predileções musicais.
“Em outras capitais do nordeste, o mito de que no Carnaval só pode tocar frevo acabou. O Carnaval é festa de rua e democrática. Já assistimos a abertura do Galo da Madrugada em Recife ser feita por Gilberto Gil e Caetano Veloso. Ao mesmo tempo, o Galo da Madrugada abriu o Carnaval de Salvador. Então, como diz nosso slogan, ‘Se Liga, o Carnaval é para todos’”, afirma.
Lopes relata que essa diversidade músico cultural é refletida e bem observada no Jaraguá Folia, onde, dentre os mais de 100 blocos inscritos, estão frevo, samba, maracatu, Bumba Meu Boi, ritmos afro e o rock.
“A festa mais democrática do mundo permite a ocupação e divisão dos espaços com vários ritmos. E assim deve ser o Carnaval sendo proporcionado para todos. Esse é o compromisso da Liga: promover a cultura com os blocos tradicionais e os novos blocos numa mistura completa de alegria que se chama Carnaval”, diz.
Se o Carnaval é festa de rua antiga em Maceió, comum na cidade desde os últimos anos do século XIX, ele ganha força a cada dia, após cada desdobramento da cultura rica do povo alagoano. A cada edição, ele se transforma. Ganha força, cor, música, confetes e fantasias. A cada dia, ganha o povo.
Confira programação deste fim de semana:
Sábado, 31/01 - Circuito Ponta Verde/Pajuçara
8h - Polo da inclusão: Praça Gogó da Ema
14h - Bloco Turma da Rolinha: Conexão Latina & maestro Almir Medeiros
14h30 - Bloco do Rei: Chiclete com Banana
15h - Bloco Caveira: Saulo Fernandes
15h30 - Bloco Pecinhas
20h - Fim dos desfiles
Sábado, 31/01 - Jaraguá
20h - Filhinhos da mamãe: concentração no MTB
Domingo, 01/01
8h - Bloco Pererê: Cazuadinha
13h - Bloco Jaraguá
13h20 - Bloco Klub Rock Street
13h40 - Bloco Paparico: Sergynho Pimenta
14h - Bloco Agarradinho: Rôdo da Bahia
20h - Fim dos desfiles
*Sob supervisão da Editoria
