MUSEUS DE MACEIÓ
Turistas são maioria do público
Visitantes de estados como Pernambuco, Bahia e Minas Gerais costumam se interessar pelos acervos

A prova de que os maceioenses têm visitado pouco os museus da cidade está nos dados apresentados pela supervisora do Mupa, Cecília Melo, que apontam que somente de 20% a 25% dos visitantes do Museu situado no Centro de Maceió são alagoanos.
“As visitas mediadas duram, em média, 30 minutos. Geralmente, o perfil dos visitantes é de casais, entre 25 e 65 anos, e famílias com 3 a 6 membros, em férias (escolares ou de trabalho). Temos também, muitos paulistas, pernambucanos, baianos e mineiros. No caso de estrangeiros, argentinos e colombianos”, relata Cecília, destacando que o museu dispõe de rampas de acesso para cadeirantes e audiodescrição, por parte dos guias”, diz.
Se, por um lado, o Misa passou quatro anos fechado, por outro, o Museu Théo Brandão de Antropologia e Folclore (MTB), que é de responsabilidade da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), enfrenta alguns desses episódios: entre 2000 e 2002, permaneceu fechado para reforma e, recentemente, ficou quase um ano de portas trancadas ao público por risco de desabamento de rebocos, sendo reaberto apenas em setembro de 2025 - ele estava fechado, inclusive, no seu aniversário de 50 anos, em agosto do último ano.
O acervo do MTB é formado por cerca de 30 mil peças de artistas do estado. A Gazeta de Alagoas tentou contato com os gestores do equipamento para entender os números de visitação e os problemas estruturais do local, mas não teve retorno.
“A minha formação fora do estado me fez ver que a arte brasileira estava aqui, na coleção de Théo Brandão, nas feiras públicas das pequenas cidades, na simplicidade do fazer artesanal e não no que eu havia estudado no meu curso no Rio, todo ele voltado para a valorização da arte europeia”, conta Carmen.
Fato é que o estado de Alagoas guarda coleções relevantes para a história do Brasil. O Mupa, com móveis dos séculos passados; o Misa, com seu acervo audiovisual; o MTB, com peças nordestinas; o Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas guardando um acervo arqueológico e etnográfico do estado; o Memorial à República fazendo seu papel de mostrar a participação histórica do povo de Alagoas na formação da República do Brasil.
A lacuna nos números de visitação evidencia, sim, um conjunto de entraves estruturais, institucionais e de gestão que atravessam os museus de Maceió, mas também revela uma cidade que ainda não conseguiu transformar seus equipamentos culturais em espaços plenamente integrados à vida cotidiana da população.
Entre prédios históricos com limitações físicas, horários restritos, ausência de políticas continuadas e dependência do fluxo turístico, os museus da capital seguem funcionando mais como exceção do que como hábito cultural.
O desafio, portanto, não está apenas em preservar acervos, mas em garantir condições para que eles sejam acessados, reconhecidos e apropriados pelo público local.
*Sob supervisão da Editoria
