VERÃO
Por que o calor extremo é uma ameaça para os pets?
Estudo aponta que risco de mortalidade canina sobe quase 10% em dias de altas temperaturas


No calor do verão não são apenas as pessoas as castigadas pelo solzão. Os bichinhos, companheiros de tantas horas, também são vítimas das altas temperaturas. Estudos recentes comprovam que o calor não é apenas um desconforto, mas um fator de risco que pode afetar a saúde e, em alguns casos, até causar a morte.
Segundo pesquisa publicada no Australian Veterinary Journal (2025), a mortalidade canina sobe 0,6% para cada grau acima dos 25°C. Em dias de calor intenso (32°C ou mais), a probabilidade de morte é 9,5% maior.
Karine Matos, médica-veterinária, explica que os cães e gatos podem sofrer doenças relacionadas às altas temperaturas quando absorvem ou produzem mais calor do que conseguem dissipar. Essa condição é chamada de intermação (ou golpe de calor) e também pode ocorrer em seres humanos. Os tutores devem ficar em alerta para comportamentos como ofegação intensa e ruidosa, gengivas excessivamente avermelhadas e desorientação.
Em casos mais graves, o pet pode apresentar vômitos, fraqueza extrema e até desmaios, situações que exigem resfriamento imediato com água em temperatura ambiente e transporte urgente para uma clínica veterinária. "Diante desses sinais, o atendimento veterinário deve ser imediato", lista a veterinária.
Além do risco de hipertermia, o Verão é um período crítico para o agravamento de problemas dermatológicos. A combinação de calor excessivo e umidade cria o ambiente ideal para a proliferação de fungos e bactérias, especialmente em raças predispostas como Labradores, Goldens e Bulldogues.
A pele atópica, que já é naturalmente mais seca e sensível, perde ainda mais umidade com as altas temperaturas, o que rompe a barreira de proteção cutânea e intensifica crises de coceira e inflamação, principalmente nas dobras e áreas com mais pelos.
Tosar vale a pena?
Em uma medida para aliviar o calor dos amiguinhos de quatro patas, muitos donos decidem tosar os animais acreditando que pode aliviar o calor, mas o que Karine tem a dizer é o oposto: “A gente tem vontade de se colocar no lugar do cachorrinho, ele peludo e a gente liso, mas o pelo é proteção térmica, ele funciona como isolante, e manter na altura normal vai proteger contra o calor”.
Para garantir o bem-estar do seu pet até o fim da estação, siga estas orientações da veterinária:
Cronograma de Passeio - saia apenas antes das 8h ou após as 20h;
Hidratação Estratégica- espalhe vários bebedouros pela casa. Adicionar cubos de gelo na água ajuda a manter a temperatura baixa por mais tempo;
Carro é uma armadilha: jamais deixe o pet sozinho no veículo. Mesmo na sombra e com frestas abertas, a temperatura interna pode atingir níveis fatais em menos de 10 minutos;
Conforto térmico: utilize tapetes gelados ou mantenha o acesso a pisos frios (como cerâmica). Garanta ventilação constante no ambiente de descanso.
