FENÔMENO
Bad Bunny é o artista mais relevante do pop atual. Como ele chegou até aqui?
Astro fez história no Grammy e fará o primeiro show totalmente em espanhol do intervalo do Super Bowl


O porto-riquenho Bad Bunny passaria despercebido na rua por muita gente no Brasil. Por aqui, só os mais antenados sabem que ele é o artista mais ouvido do mundo, que ganhou o principal prêmio do Grammy e que, cantando em espanhol, foi escolhido como atração principal do intervalo do Super Bowl.
O cantor não chegou até aqui de uma hora para outra. Bad Bunny – ou Benito Antonio Martinez – postava músicas na internet e trabalhava como empacotador em um supermercado de Porto Rico, quando foi descoberto por um produtor musical e lançou o 1º álbum, em 2018.
Ele chamou a atenção pela voz grave e o jeito esquisitão de cantar. E logo passou a ser visto como promessa do rap latino, colaborando com nomes do estilo, como Cardi B e Drake. Ao longo do tempo, Benito foi ganhando força na música, principalmente, por dois motivos: as letras com temas mais reflexivos que os de costume no rap latino e no reggaeton; e a diversidade de influências em seu repertório, que vai do indie rock à salsa, passando por bossa nova.
Ele chegou ao topo do mundo com o álbum Un Verano Sin Ti, de 2022, o mais escutado do planeta por dois anos consecutivos.
Nenhum trabalho dele, porém, foi tão associado a questões políticas e sociais quanto o álbum Debí Tirar Más Fotos (2025). Um tipo de manifesto pela cultura e a história porto-riquenhas. Também trata de problemas sociais, ao mesmo tempo em que analisa questões universais: amor, memória, saudade, desejo, família. Não se sabe quando termina o discurso político e começa o afetivo.
A letra do hit Dtmf, por exemplo, pode ser sobre a falta de um amor antigo ou de alguém que partiu, mas também sobre a dor de deixar a terra natal.
O álbum foi o mais ouvido do mundo em 2025, transformou Bad Bunny em personagem político (a escolha dele para o Super Bowl foi criticada por Donald Trump) e tem ajudado a mudar a forma como o mundo enxerga a música latina: da “colaboração” para o pop americano ao protagonismo na indústria.
No Brasil, Benito vendeu ingressos para duas datas de shows de estádio em SP. Também recebeu a honra máxima para um artista gringo por aqui: teve uma música sua transformada em forró.
