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CARNAVAL DE SP

“Léa Garcia merecia ser campeã”, diz carnavalesco da Mocidade Alegre

Desfile da Mocidade Alegre neste Carnava abordou história da atriz que rompeu barreiras do racismo ao participar de Orfeu Negro em 1959

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Léa Garcia
Léa Garcia | Foto: Woody Henrique /Liga-SP

Com enredo sobre Léa Garcia, atriz que rompeu as barreiras do racismo nos anos 1950, a Mocidade Alegre venceu o Carnaval de São Paulo em 2026. Após o resultado, representantes da escola destacaram o tema escolhido e a dedicação da comunidade para o desfile no Sambódromo do Anhembi.

“Léa Garcia merecia ser campeã com essa homenagem. O Título voltou para o bairro do Limão”, disse o carnavalesco Caio Araujo em entrevista à TV Globo.

O mestre de bateria Marcos Rezende, conhecido como Mestre Sombra, também destacou os desafios enfrentados pela Mocidade Alegre durante os preparativos para o Carnaval e lembrou que, no ano passado, a escola foi prejudicada após falha em um dos carros alegóricos.

“Uma sensação que os astros, os deuses, conspiraram pela gente. Não foi um ano fácil. [Ano passado] Perdemos um Carnaval por problemas na alegoria. Esse ano fomos em busca da superação. Perdemos profissionais que abandonaram o projeto, precisamos refazer a rota durante o voo. Não foi fácil, temos que dar os parabéns. Foi uma no de extrema superação”, afirmou. “Parabéns a todo mundo que participou do nosso projeto, que tomou canseira e bronca. O resultado é esse. Quando a gente fala ou cobra alguma coisa, é em prol desse momento aqui.”

Presidente diz que jurados foram criteriosos

Após a conquista, a presidente da Mocidade Alegre, Solange Cruz, comentou sobre a avaliação dos jurados e a ansiedade após o desfile. “Ainda não sei o que estou sentido, está uma mistura aqui.”

“Quando a gente saiu da pista, recebi mensagens, todo mundo comentando, mas não sou de comemorar antes da hora. Estava muito receosa porque os jurados foram muito criteriosos em vários quesitos. E diferentemente do ano passado, a gente não teve acesso às justificativas [das notas] do Grupo de Acesso 2, então não tínhamos parâmetro nenhum.”

Solange também afirmou que recorre a todas as crenças e orações e destacou a aposta da escola em nomes da nova geração do Carnaval, como o carnavalesco Caio Araujo. Segundo ela, a Mocidade Alegre prioriza trabalhar com pessoas que saibam conversar, sejam acessíveis e abertas a opiniões.

Mocidade Alegre campeã

A Mocidade Alegre consagrou-se campeã do Grupo Especial do Carnaval paulistano de 2026, após apuração realizada na tarde desta terça-feira (17/2) no Sambódromo do Anhembi, na zona norte de São Paulo.

A escola liderou a apuração de ponta a ponta e venceu com 269,8 pontos, perdendo 0,1 apenas em dois quesitos: enredo e harmonia.

A Mocidade Alegre chegou ao 13º título de sua história ao levar para o Anhembi o samba-enredo Malunga Léa, Rapsódia de uma Deusa Negra, inspirado na atriz Léa Garcia. A última vez em que terminou na primeira colocação foi em 2024.

A homenageada pela chamada Morada do Samba rompeu as barreiras do racismo e conquistou reconhecimento internacional ainda nos anos 1950, por sua participação no premiado filme Orfeu Negro, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 1960. Além de se destacar no cinema e no teatro, fez também uma longa carreira na televisão, participando de novelas de sucesso, como A Escrava Isaura.

Terceira escola a entrar na avenida na segunda noite de desfiles, a Mocidade levantou a arquibancada com refrão forte e bateria afiada.

A bateria comandada por Mestre Sombra criou longas paradinhas e outras bossas que permitiram que as vozes dos integrantes da escola se sobressaíssem em meio à apresentação musical. Em conversa com a reportagem do Metrópoles na quinta-feira (12/2), ele já havia dado a dica de que botaria o povo para cantar na avenida.

O coral da Mocidade ganhou força principalmente no lerê, lerê, em alusão à novela A Escrava Isaura, e também ô, malunga ê. Malunga é um termo bantu que significa companheira, amiga.

No momento em que os músicos entraram no recuo, a rainha de bateria Aline Oliveira agitou um bandeirão em meio aos ritmistas e levantou a arquibancada. Ela é um dos símbolos da escola, tendo começado a frequentar a quadra da Mocidade ainda na infância.

Conhecida por saber como poucas desfilar com o regulamento debaixo do braço, perdendo poucos pontos, a Mocidade emocionou o Anhembi e fez uma apresentação para muito além da técnica. Agora, está mais próxima ainda da Vai-Vai, que segue como a maior campeã do Carnaval paulistano, com 15 títulos.

A apuração

Em sorteio realizado na tarde de segunda (16/2), o quesito Fantasia foi definido como critério de desempate, depois do número total de pontos e da inclusão das notas descartadas.

Apenas a Rosas de Ouro e a Camisa Verde e Branco começaram a apuração com punições e perda de décimos. A campeã de 2025, Rosas de Ouro, perdeu cinco décimos por não entregar as pastas aos jurados dentro do prazo estipulado. Já a segunda agremiação foi a única a estourar o tempo máximo de desfile (1h05min59) e, por isso, perderá 2 décimos.

Na primeira noite desfilaram Mocidade Unida da Mooca, Colorado do Brás, Barroca Zona Sul, Dragões da Real, Acadêmicos do Tatuapé, Rosas de Ouro, Vai-Vai e Barroca Zona Sul.

Confira abaixo a classificação geral:

  • Mocidade Alegre – 269,8
  • Gaviões da Fiel – 269,7
  • Dragões da Real – 269,6
  • Acadêmicos do Tatuapé– 269,5
  • Barroca Zona Sul – 269,4
  • Tom Maior – 269,4
  • Estrela do Terceiro Milênio – 269,1
  • Mocidade Unida da Mooca – 269
  • Império da Casa Verde – 268,9
  • Camisa Verde e Branco– 268,8
  • Colorado do Brás – 268,7
  • Vai-Vai– 268,6
  • Rosas de Ouro – 268,4
  • Águia de Ouro – 268,2

Já na segunda noite, passaram pelo Anhembi Império de Casa Verde, Águia de Ouro, Mocidade Alegre, Gaviões da Fiel, Estrela do Terceiro Milênio, Tom Maior e Camisa Verde e Branco.

Como é feito o julgamento

Cada um dos nove quesitos conta com quatro jurados, que ficam em pontos diferentes do sambódromo e, por isso, flagram momentos distintos do desfile de cada uma das escolas. Por esse motivo, muitas vezes, as notas atribuídas são divergentes.

Os jurados seguem um manual que detalha como deve ser feita a avaliação e atribuem notas de 8 a 10, divididas em décimos. A menor nota atribuída em cada um dos quesitos é descartada.

O quesito Fantasia, que foi usado neste ano como critério de desempate, faz parte do Módulo Visual, ao lado de Enredo e Alegoria.

Para definir a pontuação, os jurados recebem uma pasta com fotografias das fantasias de cada ala e verificam se o que é apresentado na avenida corresponde ao que foi proposto.

Caso falte qualquer elemento (chapéu, colar, cinto, etc.), o jurado desconta décimos da nota final. A inclusão de itens que não estavam previstos também é passível de punição.

Para avaliar, os jurados observam também se o material descrito na pasta corresponde ao que foi aplicado na indumentária. Ou seja, se estão previstas plumas ou penas naturais, o componente não pode estar vestido com um item artificial.

Com relação ao acabamento, a escola é punida se as fantasias estiverem rasgadas, quebradas ou com algum outro tipo de dano.

A punição é aplicada conforme a quantidade de indivíduos que estão em desacordo com o previsto. Por exemplo, se de quatro a oito componentes apresentam falha de uniformidade ou acabamento em suas fantasias ao longo do desfile, a escola perde 1 décimo; de 9 a 13, 2 décimos; e assim por diante, até a perda de 5 décimos caso 24 ou mais componentes tenham problemas nas fantasias.

Repetição de elementos e materiais, de forma injustificada, em várias alas também leva à perda de décimos preciosos na apuração, entre outras situações.

Veja a ordem de leitura das notas

  • Evolução
  • Samba-Enredo
  • Bateria
  • Enredo
  • Mestre-Sala e Porta-Bandeira
  • Alegoria
  • Comissão de frente
  • Harmonia
  • Fantasia

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