CINEMA
Morre Robert Duvall, ator de 'O Poderoso Chefão', aos 95 anos
Segundo comunicado oficial, artista faleceu em casa; ele foi indicado ao Oscar sete vezes


Robert Duvall, ator conhecido por seus papéis em "O Poderoso Chefão", "Apocalypse Now" e muitos outros ao longo de uma longa carreira no cinema que durou seis décadas, morreu neste domingo, aos 95 anos, pacificamente em sua casa, em Middleburg, no estado da Virgínia.
A notícia da morte foi divulgada em um comunicado por sua mulher, Luciana Pedraza. Ela afirmou que não haverá funeral.
Em vez disso, "a família incentiva aqueles que desejam honrar sua memória a fazê-lo de uma maneira que reflita a vida que ele viveu, assistindo a um grande filme, contando uma boa história à mesa com amigos ou fazendo um passeio de carro pelo interior para apreciar a beleza do mundo", afirmou sua mulher.
Uma característica de Duvall era mergulhar profundamente em seus papéis de modo que parecia desaparecer neles —uma habilidade que era "inexplicável, até mesmo assustadora na primeira vez" que foi presenciada, disse Bruce Beresford, australiano que o dirigiu no filme "A Força do Carinho", de 1983.
Nesse filme, Duvall interpretou Mac Sledge, um astro country decadente e alcoólatra que se reconcilia com a vida ao se casar com uma viúva mãe de um filho pequeno. A atuação lhe rendeu um Oscar de melhor ator, seu único Oscar em uma carreira que lhe garantiu outras seis indicações.
Robert Selden Duvall nasceu em 5 de janeiro de 1931, em San Diego, o segundo de três filhos de William Duvall, um contra-almirante, e Mildred Hart Duvall, uma atriz amadora.
A carreira naval do pai fez com que a família se mudasse com frequência pelo país. Duvall descobriu sua vocação para a atuação ao estudar no Principia College, uma pequena faculdade de artes de Illinois —uma escolha de carreira moldada, em grande parte, como ele mesmo disse certa vez, pela constatação de que era "péssimo" em tudo o mais.
Após dois anos no Exército, ele foi para Nova York em 1955, onde estudou com Sanford Meisner no Neighborhood Playhouse. Dois de seus amigos mais próximos, Dustin Hoffman e Gene Hackman, eram colegas de teatro. Para se sustentar, Duvall trabalhou por um tempo em uma agência dos correios.
Mas logo começaram a surgir papéis na televisão, em programas como "Playhouse 90", "Naked City" e "Alfred Hitchcock Presents". Então veio o convite para interpretar Boo Radley.
Ele era uma figura atípica em Hollywood em outra frente —a política. Era um conservador ferrenho, apoiando fortemente os candidatos republicanos à presidência, em um mundo cinematográfico dominado por liberais. O ator, no entanto, não era um apoiador do presidente Donald Trump.
