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"Flores mortas"

Novo single de Pedro Salvador encara colapso, ruínas e resistência

Nova leitura amplia o horizonte sonoro. O eixo está no rock progressivo, com diálogo direto com a tradição brasileira dos anos 1970

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Imagem ilustrativa da imagem Novo single de Pedro Salvador encara colapso, ruínas e resistência
| Foto: Cristal Luz

Sete anos depois de sua primeira versão, “Flores Mortas parte 1” retorna com outra densidade e inaugura a travessia de Pedro Salvador rumo ao próximo álbum, previsto para março. O single já está disponível nas plataformas de streaming e antecipa um trabalho que se organiza em torno de ruínas, colapso e permanência. Músico e produtor alagoano, Pedro assina composição, produção e execução de bateria, guitarra e baixo, conduzindo a faixa com autonomia instrumental e direção estética precisa.

A nova leitura amplia o horizonte sonoro. O eixo está no rock progressivo, com diálogo direto com a tradição brasileira dos anos 1970, atravessado por soul e funk. A arquitetura rítmica, no entanto, se desloca ao incorporar uma bateria que flerta com o drum & bass, enquanto órgão e sintetizadores criam camadas que tensionam o ambiente. O resultado é uma paisagem sonora que sustenta uma narrativa distópica situada no sul da América, onde imagens de violência histórica e esgotamento simbólico atravessam os versos.

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| Foto: Cristal Luz

As flores que crescem mesmo mortas operam como figura central da canção. Não se trata de redenção, mas de uma insistência em meio à exaustão. Sonhos que se desfazem antes do amanhecer e corpos em estado de alerta compõem o cenário descrito por Salvador, que trabalha com uma atmosfera de sobrevivência sob ameaça constante.

O lançamento do single também marca um deslocamento transmídia. Em contraste com a grandiosidade do universo narrado, o clipe adota caráter caseiro e intimista. Gravado por Lyase Bezerra, com atuação e direção do próprio Pedro, o vídeo evita artifícios técnicos e aproxima a experiência do espectador. A contenção visual produz um contraponto direto à escala das imagens evocadas na música.

O imaginário se expande ainda em um texto que acompanha o lançamento e passa a integrar as apresentações ao vivo do artista. No “Diário de bordo – Texto II: Flores Mortas”, surge a descrição de um conjunto de 250 prédios erguidos para abrigar trabalhadores em meio a ataques inimigos e escassez de recursos. “Construídas no ocaso da existência da nação empresarial Amerikkka Co., as Flores Mortas são um dos últimos esforços para abrigar a população trabalhadora em meio aos ataques inimigos e à escassez de recursos”, registra o texto. As estruturas, concebidas como conglomerado autossuficiente alimentado por energia solar, tornam-se ruínas após uma sequência de desastres naturais, guerras e poluição.

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“As flores se projetam como arranha-céus, com placas solares na cobertura – as pétalas. Curiosamente, ‘Flores Mortas’ é de fato o nome oficial do conjunto de 250 prédios e não um título posterior recebido jocosamente por conta de sua ruína”, descreve o diário. O período de “sete anos de pseudo prosperidade para a classe trabalhadora” é seguido por mais sete de fome, quando o sol passa a ser encoberto por nuvens espessas de chuva poluente da indústria de teflon. A resposta do Controle à ascensão de grupos revolucionários é a decretação de uma lei marcial sangrenta. “Apesar da repressão imensa, o que se ouvia pelas ruas era um canto de guerra”, narra o artista alagoano.

A obra já está disponível nas plataformas de áudio. Para acompanhar o artista, basta segui-lo no Instagram: pedro.salvador.pedro.

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